Handebol: Australiana pode se tornar 1ª transgênero a disputar Mundial
Marcado para novembro de 2019, o Mundial de Handebol feminino pode entrar para a história do esporte. É a competição que pode contar com a participação de uma atleta transgênero: Hannah Mouncey. Nascido Callum Mouncey, o australiano começou sua transição em 2015 e este ano ganhou a autorização da Federação Internacional de Handebol (IHF) para atuar entre as mulheres.
Hannan estreou no campeonato asiático em dezembro deste ano. A Austrália ficou com o quinto lugar e garantiu uma vaga para Tóquio.
Hannan disputou o Mundial em 2013, na Espanha. No entanto, competiu no masculino, quando ainda era Callum. Foram 22 aparições pela seleção masculina.

Ainda como Callum, Hannah disputou o Mundial em 2013 | Foto: Reprodução
"Raramente é uma decisão consciente tornar-se hiper-masculina para cobrir as inseguranças borbulhando dentro de você. Era uma coisa subconsciente, uma maneira de me proteger, não apenas dos outros, mas meus próprios sentimentos de não ser bom o suficiente, de não ser o que me disseram que eu deveria ser. Passei por cima da minha agressão na quadra e tentei o máximo que pude para ser um dos garotos, o que foi um fracasso sombrio, e sempre tive que ser o melhor a levantar no ginásio", disse a atleta, segundo o GloboEsporte.com.
Atualment, o Comitê Olímpico Internacional (COI) controla o nível de testosterona em transgêneros e pede 12 meses de terapia hormonal, para que autorize atletas a competirem. Contudo, os primeiros testes de Hannah mostraram que o nível do hormônio masculino seguia alto. Em 2016, ela chegou a ter seu pedido negado pela federação de handebol da Austrália.
A autorização só veio no fim do primeiro semestre deste ano. Em abril, ela já atuava entre as mulheres e passou a treinar com a seleção em preparação para o campeonato asiático. Em sua estreia, marcou quatro gols na derrota por 32 a 24 para o Cazaquistão. Pelo torneio foram 23 tentos marcados.
"Eu joguei e ignorei meus problemas de gênero por muito tempo e, para ser franca, eu estava uma bagunça. Eu não tinha lidado com os problemas do jeito que deveria e fiquei apavorada com o que estava por vir. Mas estou orgulhosa do que conquistamos", contou.
