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Homenageada em premiação do COB, Jackie discursa sobre injustiças contra mulheres

Foto: Wander Roberto / COB

Homenageada no Prêmio Brasil Olímpico, organizado pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), a ex-jogadora de vôlei de praia Jackie Silva fez um discurso contra as injustiças contra as mulheres, na noite da última terça-feira (18). A cerimônia de premiação que elegeu Ana Marcela Cunha e Isaquias Queiroz os melhores atletas do ano (veja aqui) aconteceu no Rio de Janeiro. Primeira brasileira a conquistar uma medalha de ouro num Olimpíada, ao lado de Sandra Pires, ela lembrou o tempo em que se posicionou contra a Confederação Brasileira de Vôlei e o ex-presidente Carlos Arthur Nuzman, e sofreu punições por isso.

 

"Minha história começou em 1986, quando o voleibol deu um grande passo na história, tornando-se o primeiro esporte a ter patrocinadores na camisa. Na época, aquilo foi uma coisa muito importante. Mas aconteceu uma coisa um pouco estranha: só os atletas homens recebiam dinheiro por isso. Eu quis questionar e essa resposta eu não obtive. Em protesto, coloquei o meu uniforme no avesso e fui cortada da seleção brasileira e fui banida do Brasil. Foi então que fui para os Estados Unidos jogar vôlei de praia. Lá me tornei a rainha do voleibol de praia. Dez anos depois, eu voltei para o Brasil junto com a Sandra Pires, campeãs olímpicas, as primeiras mulheres a ganhar uma medalha de ouro no Brasil (...). Esse prêmio representa não só uma forma de conserto disso tudo, dessas injustiças todas. É um símbolo de uma nova era no esporte nacional, uma nova era do COB, uma nova direção. E que tudo isso que aconteceu, esse meu posicionamento não era uma causa própria. Era a luta pelo direito das mulheres, um direito de todas nós. Então, hoje, o que eu quero dizer é que daqui em diante nunca mais nenhuma mulher seja punida por isso", discursou.

 

Na última terça, Jackie Silva recebeu o troféu Adhemar Ferreira da Silva em homenagem a toda sua trajetória dentro e fora das quadras. A premiação homenageia atletas e ex-atletas que representem os valores que marcaram a carreira e a vida de Adhemar, bicampeão olímpico no salto triplo, tais como ética, eficiência técnica e física, esportividade, respeito ao próximo, companheirismo e espírito coletivo.

 

HALL DA FAMA
A campeã olímpica nos Jogos de Atlanta-1996, também teve o seu nome eternizado no Hall da Fama. Além dela, o velejador Torben Grael, maior medalhista olímpico do Brasil com cinco no total, Sandra Pires, que formou dupla com Jackie em Atlanta, e o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima, único brasileiro a receber a medalha Pierre de Coubertin, maior honraria do Comitê Olímpico Internacional, também entraram no espaço da Fama, que foi inaugurado nesta edição do Prêmio Brasil Olímpico.

 

O quarteto de ex-atletas tiveram suas mãos ou pés eternizados que ficarão num mural no Parque Aquático Maria Lenk, no Rio de Janeiro. Eles também terão um espaço no site oficial do COB com seus perfis e conquistas.

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