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Notícia

Esporte de estratégia com cenário militar ganha espaço e adeptos em Salvador

Por Jade Coelho

Foto: Arquivo pessoal

Simulação de cenários de guerra e operações policiais estão entre as características de uma modalidade desportiva que vem ganhando espaço e adeptos em Salvador. No Airsoft, ação, aventura, trajes militares, coturnos e réplicas de pistolas, submetralhadoras e rifles garantem diversão aos jogadores do esporte que surgiu no Japão na década de 1970. 

 

Nas partidas os jogadores são chamados de operadores. Eles utilizam armas de pressão que disparam bolinhas de plástico, rígidas e sem tinta, chamadas de bbs. A honestidade dos participantes é essencial para o jogo, uma vez que o disparo não produz resultado visível no jogador atingido. Cabe a ele se manifestar e sair da partida.

 

No Brasil a prática é regulamentada pelo Exército Brasileiro. O órgão exige que a ponta da arma seja identificada com as cores laranja ou vermelho. O almanaque FireGun, da Editora Geek, garante que o equipamento utilizado no esporte é uma réplica externa de armas de fogo reais, e que é impossível qualquer conversão para o uso com munição de verdade.

 

Fã de filmes de aventura e ação, o analista de manutenção Libni Ribeiro, 24, pratica a modalidade há um ano e atribui o seu interesse aos games e à indústria cinematográfica. "Gosto de filmes de ação e jogos que retratem guerras e batalhas, isso despertou o meu interesse. Além disso, vi no esporte uma oportunidade de me divertir com emoção e adrenalina", comenta. Libni afirma ainda que inicialmente o custo do esporte é alto. Para começar a jogar ele gastou cerca de R$ 3 mil. “É um esporte que precisa de um investimento alto no começo, porque temos que comprar todo o equipamento e acessórios de segurança, mas vale muito a pena”, acrescenta. Somente o investimento nas armas, principal instrumento da prática, varia de R$ 299, valor de uma pistola, até R$ 5 mil, preço de um rifle. 

 

Salvador e Região Metropolitana já possuem algumas lojas físicas especializadas na venda desses equipamentos. Mas também há pessoas que fazem o comércio por meio das redes sociais. O Instagram se torna uma vitrine e toda a negociação é feita através do WhatsApp. O piloto Alandembergh Silva, 44, é dono de duas lojas de produtos utilizados no esporte e fundador da equipe Kavock, que possui 120 operadores. Ele explica que um dos maiores problemas enfrentados como empresário e operador da modalidade é o contrabando: “a gente sofre muito, muitas [armas] que estão aí na rua, a maioria, são vindas do contrabando, pela facilidade, porque pra comprar um equipamento de Airsoft em uma loja você tem que trazer um documento com foto, comprovante de residência e tem que ser maior de 18 anos”.

Equipe Kavock durante um treinamento | Foto: Reprodução / Facebook

Existem pelo menos de 30 times da modalidade na capital baiana. Ramon França, 29, é um dos fundadores da equipe Strikeback. Como líder do grupo, é o responsável pela organização de treinos, workshops, aulas de manuseamento de equipamentos, segurança e eventos. “Nós temos a preocupação em avaliar se o espaço é adequado, porque priorizamos a segurança. Entramos em contato com o proprietário, e em seguida passamos por um batalhão de polícia, para avisar que naquela área nós estamos praticando o esporte”, conta.

 

O analista de TI revela ainda como a Strikeback surgiu. “O objetivo da equipe é levar o esporte a sério e seguir as regras da modalidade que nós optamos, que é a SAR (Simulação de Ação Real), em que nós simulamos a situação de uma guerra, criamos estratégias e temos objetivos como resgatar reféns e desarmar bombas”, relata.

 

Operadora de Airsoft há dois anos, Carolina Cruz, 24, se interessou pelo esporte por causa da adrenalina e pela atividade fazê-la experimentar situações e sensações novas. “Frequentamos lugares abandonados e regiões de mata e passamos por situações que não são comuns no nosso dia a dia”, revela. Fundadora e líder da equipe Psycho Milsim, ela lamenta o fato de haver pouca representação feminina na modalidade. “Infelizmente o número de mulheres ainda é muito pequeno, mas atribuo esse fato à falta de conhecimento de algumas meninas sobre a existência do esporte, gosto pessoal e algumas questões físicas”, afirma a estudante de Odontologia. 

 

Carolina garante ainda que, apesar de estar em menor número, nunca sofreu discriminação dentro do esporte, assim como Thais Goes, 41, operadora há um ano, que garante nunca ter passado por uma situação constrangedora ou preconceituosa pela prática. “É um esporte dominado pela maioria masculina, até fiquei um pouco receosa no começo, mas fui muito bem recebida, os operadores têm muito respeito e são bastante acolhedores e atenciosos”. A brasiliense conta que não há nenhum tipo de diferença na hora da atribuição de missões e cumprimento de metas. “Não tem essa de ‘Ah, porque ela é mulherzinha não vai dar conta de escalar aquele muro, pular aquele riacho’, é tudo de igual para igual e o respeito é predominante”, enfatiza. 

 

Como qualquer esporte, no Airsoft o operador não está isento de se machucar. Matheus Oliveira, 23, é engenheiro e operador há um ano e garante que as lesões causadas pelos tiros fazem parte da dinâmica e não são motivo para fazê-lo pensar em desistir. "Em qualquer esporte o atleta está sujeito a se machucar e lesionar. No Airsoft os riscos maiores estão ligados ao cenário que você joga", afirma, ao falar da importância dos equipamentos voltados para proteger o atleta. "Os itens de segurança são obrigatórios, é preciso usar óculos, máscara, colete, coturno e luva, que são os equipamentos básicos e que devem sempre ser usados em campo”, assegura.

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