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Notícia

Cinco meses após começar a competir, fisiculturista baiana conquista 3 pódios

Por Leandro Aragão

Foto: Arquivo pessoal

A fisiculturista baiana Saryta Pinheiro vai participar pela primeira vez da etapa Sul-Americana do Arnold Classic, um evento internacional de nutrição esportiva, saúde, esportes, lutas, performance e fitness, em abril deste ano, em São Paulo. O evento, que também terá competições de fisiculturismo, é comandado pelo ator de cinema Arnold Schwarzenegger, que sempre foi uma fonte de inspiração e referência da modalidade. O que chama atenção são a idade e o tempo de carreira da atleta. Saryta disputou sua primeira competição aos 46 anos de idade, há cinco meses. Logo na estreia, ela foi campeã Overall, uma espécie de disputa à parte que envolve os campeões de todas as categorias, do Campeonato Baiano de 2017. "Não existe idade para começar nada. Ganhei o Baiano disputando com meninas de 20 a 25 anos", afirmou em entrevista ao Bahia Notícias. Após o estadual, Saryta rumou para Ribeirão Preto, interior de São Paulo, para conquistar o vice-campeonato brasileiro, e em seguida foi para Buenos Aires, na Argentina, para também subir no segundo ponto mais alto do pódio no Sul-Americano. "Nunca imaginei que em cinco meses iria ser vice-campeã no Brasileiro e no Sul-Americano", vibrou. "Todos me dizem que sou um caso raro. Em cinco meses conquistei três títulos e a grande maioria está há anos tentando", complementou.

Saryta foi campeã baiana em 21017 | Foto: Arquivo Pessoal

 

Natural de Nova Canaã, interior da Bahia, Saryta pratica esporte desde pequena. Ela fez ginástica olímpica dos 9 aos 16 anos, mas abandonou a modalidade quando se mudou para Salvador, há 23 anos. Desde que chegou à capital baiana, começou a malhar em academia e nunca mais parou. "Minha prioridade é cuidar de mim. Sempre, em algum momento do dia, eu reservo até 1h30 para cuidar de mim. É onde eu tenho meu momento de relaxamento. Tenho amigas que treinam comigo desde que cheguei aqui. Amigas de longa data e que treinam no mesmo ritmo que eu", disse. A baiana então uniu o útil ao agradável. A academia não é apenas um lugar de relaxamento e onde cuida do corpo, mas também virou um dos locais de trabalho. Junto com uma sócia, ela criou a marca de roupas de ginástica Garota Fitness. "Foi o maior presente trabalhar com o que amo", falou radiante. "Eu uso minha marca e assim acabo treinando e vendendo ao mesmo tempo. Você sabe como é mulher, né? Não aguenta ver uma novidade que já quer", falou aos risos. Saryta entrou no fisiculturismo de forma natural. Por ter praticado esporte a vida toda e já seguir uma dieta, ela começou a ser chamada nas redes sociais para competir. Alguns treinadores perguntavam por que ela não participava de campeonatos. Aos poucos, foi entrando no mundo das competições de fisiculturismo. Primeiro, ela aceitou o convite da amiga Bruna Miyagui, que é a atual presidente da Federação Baiana de Musculação, Fisiculturismo e Fitness (IFBB Bahia), apenas para entregar os brindes da sua marca nas premiações, como forma de fazer propaganda do seu produto. A partir daí os convites para participar dos torneios aumentaram e ela acabou aceitando disputar o Campeonato Baiano. Saryta teve apenas dois meses e meio para se preparar para a sua primeira competição, que acabou sendo campeã. Além de intensificar os treinos, ela também teve que aprender a fazer as poses obrigatórias. Apesar de já treinar e fazer dieta há bastante tempo, a rotina de um atleta é bastante diferente de uma pessoa que apenas pratica o esporte apenas para manter a saúde. "É uma rotina bem diferente. Não vou mentir que é cansativo sim. Você se priva de muita coisa e acaba interferindo na família. Altera toda a rotina, pois tenho que me alimentar de três em três horas. Tudo é pesado na quantidade que preciso. Então, muitas vezes, deixo de sair porque sei que não vai ter opção para substituir. Quando acompanho [a família e as amigas] nas saídas, fico só olhando. Não bebo álcool. Até o vinho, que passei 14 anos tomando de uma a duas taças à noite todos os dias, tive que parar. Foi difícil, mas já me acostumei, só bebo em algumas ocasiões quando não tem campeonato próximo. Toda semana tenho que mandar foto para meus coachs e eles percebem quando furo a dieta. Nem dá para mentir", contou.

Foto: Arquivo Pessoal

 

Saryta não treina apenas para competir. Ela também se mantém na linha por causa do compromisso com os patrocinadores, como empresas de remédios manipulados, alimentos e suplementos. "Sigo tudo certinho para continuar merecendo tudo que consegui", afirmou. Apesar de sair do padrão e ser uma mulher musculosa, conta que não sente nenhum tipo de preconceito no esporte e nem na rua. "Esse preconceito já não existe mais no Brasil. O esporte teve um crescimento expressivo aqui em nosso país e a tendência é crescer a cada dia. Posso te dizer que a quantidade de mulheres que competem se equivale à dos homens", explicou. "Sinto muitos mais olhares de admiração. Tem fases em que estou iniciando a preparação e tenho que fazer um treino mais pesado. Aí os músculos aparecem mais e chamam mais atenção. Sinto olhares até de crianças e elas ainda falam para mim: “Você é forte, né? (risos). Recebo também várias mensagens das redes sociais não só de mulheres, mas também de homens que se sentem motivados com minha rotina de treino, dieta, de empresária, mãe e esposa. Acham incrível como consigo acordar às 4h30 todos os dias da semana", disse. Casada há 23 anos e mãe de um garoto de 13 anos, ela conta como divide sua rotina. "Eu ajusto meu treino com o horário da escola do meu filho. Deixo ele na escola e vou para a academia. Após o treino, faço os atendimentos agendados para a parte da manhã e às 12h30 pego ele na escola. Acompanho o estudo dele de tarde, depois levo-o para o treino de futebol e termino os atendimentos da tarde. Assim consigo conciliar todas as entregas. Como posso fazer meus horários, pois trabalho online, posso ficar bastante tempo com meu filho. Nos finais de semana, não treino, mas faço cardios (aeróbicos) cedinho e depois faço as entregas nos Correios, que são as vendas para fora". Apesar de não sentir preconceito na rua, ela encontra resistência dentro de casa. O marido e o filho reclamam da rotina de treinos, dietas e campeonatos. "Meu marido detesta. Como viajamos sempre, ele não suporta quando estou em preparação e não gosta quando fico musculosa. Acho também que é porque como passamos várias privações, ficamos muito alterados no humor, minha paciência fica zero. Então, acaba interferindo", disse. "Além disso, como chamo atenção, ele fica incomodado. Fizemos uma viagem antes do Campeonato Brasileiro e lá todos queriam tirar foto comigo, me paravam no aeroporto para saber quanto tempo que eu malhava, o que eu comia e etc. Isso era na rua, na praia, nos restaurantes... em todos os lugares", falou. Segundo Saryta, o marido gostou na primeira competição, mas após a disputa pediu para que parasse. "Ele só curtiu mesmo no início. No Campeonato Baiano, ele chorou, ficou emocionado, mandou fotos e vídeos para todos os amigos. Mas quando viu que eu iria continuar, que disputaria o Brasileiro e o Sul-Americano, já ficou incomodado. Fui sozinha para os dois campeonatos", explicou, apesar de garantir que o companheiro não interfere na escolha dela. Já o filho sente falta da mãe na hora de comer besteiras ou, como diz na linguagem do fisiculturismo, o "lixo", que são as refeições fora da dieta. "Ele pede que eu pare para que possa comer tudo o que eles comem. Meu filho vive pedindo para que eu coma cachorro-quente, hambúrguer, pizza, chocolate". Mas ela também lembra da emoção do garoto quando ganha os títulos. "Ele quis carregar e levar meus prêmios. Ele fala com os amigos", contou. Apesar de não terem a companhia de Saryta nas horas de comer besteiras, a alimentação da casa mudou com a dieta da atleta. "Meu marido reconhece aos amigos que passou a comer melhor. Eu como muita salada, carnes magras, frutas, legumes cozidos. Eles também, mas a única diferença é que a comida deles tem molhos e a minha só tem sal e temperos", revelou.

Foto: Arquivo Pessoal

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