Em discurso, Blatter se exime de culpa e atribui corrupção ao continente americano
Num painel realizado em Basel (SUI), Joseph Blatter, ex-presidente da Fifa, declarou que a culpa que o escândalo de corrupção que assolou o mundo do futebol em 2015 é do continente americano, mais especificamente Norte e Sul. Com este discurso, nesta sexta-feira (15), ele foi vaiado por estudantes presentes no local.
Suspenso por seis anos pelo comitê de ética da entidade máxima do futebol, Blatter disse que "toda essa corrupção foi culpa das Américas, Sul e Norte”. Ele se refere a um esquema de pagamento de propinas a membros do comité executivo da Fifa, envolvendo direitos de transmissão da Copa América Centenário, que acontecerá em julho deste ano, nos Estados Unidos. Nessa conjuntura, inúmeros dirigentes da Conmebol, da Concacaf e de federações nacionais estão presos – incluindo José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
"Eu não tenho influência sobre as confederações. Eu aceito a responsabilidade pelo que aconteceu, mas eu tenho que dividi-la. Eu não posso ser responsabilizado moralmente pelas pessoas", disse.
Após o pronunciamento de Blatter, seu sucessor na discussão rebateu. O advogado argentino Luis Moreno Ocampo, x-chefe da Corte Penal Internacional em Haia (HOL), fez duras críticas ao ex-cartola da Fifa. "Ele não teve nada a ver com Concacaf ou Conmebol, mas ele sabia. O problema é seu silêncio. Mesmo se ele não estiver envolvido, por que ele se calou? Eu acredito que ele sabia. Silêncio não está ajudando a controlar a corrupção", declarou.
