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Melhor surfista do Brasil fala de luta por patrocínio; ‘Não sou modelinho’

Por Edimário Duplat

Foto: CNN
Representante do Brasil no Circuito Mundial de Surfe e considerada a melhor atleta do país, a surfista Silvana Lima denuncia as dificuldades em conseguir apoio financeiro por conta de não se adequar aos padrões de beleza impostos por marcas e produtos ligados ao esporte. Com 31 anos, a cearense confessa que já precisou improvisar para seguir em frente nas competições internacionais.

“Não sou modelo, não sou bonitinha. Sou surfista profissional. As marcas de roupas de surfe, quando se trata de mulheres, querem modelos e surfistas ao mesmo tempo. Para quem não é, como eu, acaba não tendo patrocínio. Você está excluída, você é descartável”, afirma a atleta em entrevista a BBC.

Oito vezes melhor do Brasil e duas vezes vice-campeã mundial, Silvana conta que uma das alternativas para conseguir dinheiro durante a sua carreira foi transformar o seu quintal em um canil, onde utiliza a venda de filhotes de seu casal de buldogues para bancar passagens e inscrições em torneios.

"Os cachorrinhos de duas ninhadas - uma de 6 e outra de 7 - ajudaram muito nas viagens. Fui campeã na Nova Zelândia graças aos filhotes, que pagaram essa viagem e outra para Pantin, na Espanha, onde fui campeã de novo”, confessou a atleta, que depois de muito esforço conseguiu fechar com uma marca. “Fechei com uma marca super importante, que é o que tem me ajudado. Acho que estou bem e quero mais”.

Lima, que viveu toda a infância em uma cabana de madeira na praia, relembra das dificuldades que teve em relação aos problemas com sua mãe, que sofre de alcoolismo, e se emociona em falar do reconhecimento dos fãs. “É tão bom ver os fãs loucos pelo esporte, pela minha história, pelo meu surfe. Quando um vem e pede uma foto, pergunta como estão as coisas, pede para conversar, eu gosto muito, muito, muito. Sei que muita gente gosta de mim, mas... É um orgulho bobo, mas às vezes eu gostaria de receber mais atenção da minha família do que de meus fãs. Eu seria bem mais feliz.”

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