Atletismo jamaicano sob a sombra do doping
Por Portal Terra
O atletismo jamaicano, que domina as provas de velocidade desde 2008, está sendo cada vez mais questionado após várias das suas estrelas terem sido envolvidas em escândalos de doping recentemente.
Neste domingo (14), a federação do país admitiu que cinco atletas, entre eles o ex-recordista mundial Asafa Powell, foram flagrados por uso de oxilofrina, um estimulante, durante as seletivas para o Mundial de Moscou, marcado para os dias 10 a 18 de agosto.
Três semanas antes, Veronica Campbell-Brown campeã mundial e bicampeã olímpica dos 200 m, foi suspensa preventivamente ter sido flagrada por uso de um diurético.
Powell era considerado o pioneiro de uma geração que acabou com a hegemonia americana, ao se tornar o primeiro jamaicano a quebrar o recorde mundial dos 100 m (9.77 em 2005). Ele igualou a marca duas vezes, antes de melhorá-la em 2007 (9.74).
Em maio de 2008, seu compatriota Usain Bolt iniciou seu reinado ao cravar 9.72, antes de estabelecer o recorde atual (9.58) no Mundial de Berlim-2009.
Já Veronica Campbell-Brown tornou-se em 2004 a primeira jamaicana a conquistar uma medalha de ouro em Olimpíadas ao vencer a prova dos 200 m nos Jogos de Atenas, abrindo o caminho para o grande desempenho dos velocistas do seu país quatro anos depois nos Jogos de Pequim-2008. Ela mesmo conquistou o bicampeonato nos 200 m, antes de ficar com o bronze em Londres-2012.
Depois da campanha histórica da Jamaica na China (cinco ouros em seis possíveis nas provas de 100 m, 200 m e revezamento 4x100 m), os escândalos de doping começaram a estourar na ilha.
Em 2009, quatro atletas pré-selecionados foram cortados do Mundial de Berlim, entre eles Yohan Blake, que dois anos mas tarde se sagrou campeão mundial dos 100 m. Todos foram flagrados por uso de um estimulante e foram suspensos por três meses.
Em 2010, foi a vez de Shelly-Ann Fryser-Price, campeã olímpica dos 100 m em Pequim, que acabou conquistando o bi em Londres no ano passado. Ela foi suspensa por seis meses por causa de um analgésico que diz ter usado para aliviar dores nos dentes.
Neste domingo, além de Powell, Sherone Simpson, vice-campeã olímpica dos 100 m em Pequin, também faz parte dos atletas flagrados nas seletivas jamaicanas para o Mundial.
Até agora, Bolt, maior ícone atual do atletismo, tem conseguido sair ileso desta onda de escândalos. No entanto, houve algumas suspeitas.
Uma das pessoas que colocaram em dúvida suas performances foi Victor Conte, ex-diretor do laboratório Balco, que forneceu substâncias proibidas a estrelas de vários esportes julgadas em 2004, em um dos casos mais famosos da história do doping.
Em 2011, ele revelou no jornal italiano Gazetta dello sport que jamaicanos foram clientes do seu laboratório antes dos Jogos de Pequin-2008, ano em que Bolt conquistou suas três primeiras medalhas de ouro. "Não tenho provas, mas tenho fortes suspeitas sobre Bolt e outros", tinha disparado Conte.
Já Carl Lewis, dono de nove títulos olímpicos e considerado o maior atleta de todos os tempos, disse no ano passado que desconfiava de "velocistas que correm em 10.03 em um ano e 9.69 no ano seguinte (a marca de Bolt em Pequim-2008)". Bolt rebateu ao declarar que havia "perdido todo seu respeito por Lewis".
Na semana retrasada, 'o raio' não se incomodou quando foi perguntado sobre doping antes de participar de uma competição na França.
"Estou limpo, não tenho problema algum com isso. Podem fazer testes a qualquer momento do dia, mas por favor, evitem bater na minha porta às seis horas da manhã, como costuma acontecer", brincou o jamaicano. "Só não posso responder em nome dos outros", completou.
No Mundial de Moscou, ele terá a oportunidade de levantar a moral do seu país, abalado pelas revelações recentes de doping, desde que realmente vença de forma "limpa".
