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Árbitros baianos enxergam bola com chip com bons olhos apesar de ‘perda da essência do futebol’

Por Lucas Franco

Foto: AFP
A vitória de 1 a 0 do Corinthians sobre o Al Ahly do Egito pela semifinal do mundial de clubes foi uma partida histórica para o futebol brasileiro. Menos pela classificação do alvinegro paulista para a decisão do torneio e mais por ser a primeira vez que um time brasileiro joga uma partida oficial com a bola com chip, que tem sido testada pela Fifa desde a estreia da competição, no jogo entre Auckland City da Nova Zelândia e Sanfrecce Hiroshima do Japão, na semana passada. A novidade visa tirar dúvidas de gol nos lances em que a bola se encontra abaixo do travessão, com um aviso ao árbitro através de um relógio.

Em meio ao clima de expectativa sobre o futuro do futebol mundial, o árbitro baiano do quadro da CBF, Johnn Herbert, acredita que as injustiças serão minimizadas, mas o futebol deve perder algumas de suas principais características.

- Eu vejo como uma evolução, outros esportes já têm recursos eletrônicos, o que dá legitimidade ao resultado e tira parte da responsabilidade do árbitro. Porém, a dúvida faz parte do futebol por cultura, as mesas de bar existem por causa da polêmica, então tira essa essência da polêmica, das discussões, que é o gostoso do futebol e o diferencia dos outros esportes – reflete Johnn Herbet, que trabalhou como quarto árbitros em jogos das Séries A, B e D, além de ter apitado o empate de 1 a 1 entre Bahia e Santos pelo jogo de ida das quartas-de-final da Copa do Brasil sub-20, em São Francisco do Conde.

Já o ex-árbitro e idealizador da Divisão de Base de Árbitros de Futebol (DBAF), Rildo Gois, diz ser muito difícil não cometer erros e a tecnologia é bem-vinda.

- Acho que é importante porque a dinâmica do jogo é rápida e os árbitros não têm condições de competir com a tecnologia. Em uma jogada de contra-ataque, em que a bola bate no travessão e quica na linha de meta, o árbitro assistente [bandeirinha] não vai ter condições em validar a jogada, e o chip na bola define o lance – pensa Rildo.

Os árbitros adicionais, que ficam atrás do gol e têm sido testados no futebol brasileiro não conseguiriam ter a mesma precisão do chip, completa Rildo.

- Eles [árbitros adicionais] têm feito um bom trabalho, mas é um movimento muito rápido para tomar algumas decisões, eles ficam do lado do poste da meta, na diagonal, o que impede que ele consiga enxergar a linha. Ele vê, mas não com tanta certeza – diz.

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