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Entrevistas

Entrevista

Ednaldo Lula

 

Por Éder Ferrari

BN: Quando e por que você resolveu entrar no MMA?
Lula:
Eu entrei nesse mundo de lutas, em especificamente o MMA, meio que por acaso. Comecei a treinar o jiu-jítsu logo após um convite do professor Yuri Carlton: nem tinha kimono! Todos na academia de kimono e eu de short e camiseta, pois ainda não tinha condições de comprar um. Era uma academia praticamente improvisada. Quando chovia, o treino era em meio à poça de água, o tatame todo molhado... O dono da academia criava dois cães da raça Rottweiler. Tinha dia que quando chegávamos para treinar nos deparávamos com os “cãezinhos” em cima do tatame: quem ia tirar? (risos) Era uma época bem difícil, no entanto nunca desistimos. Devido a alguns problemas tivemos que mudar de academia, mas, para sorte nossa, uma bem melhor, bem mais estruturada. Foi aí que tudo começou! Passei a participar dos treinos de MMA, juntamente com os irmãos Nogueira (Rodrigo Minotauro e Rogério Minotouro), Júnior Cigano, Edson Drago, Mestre Yuri Carlton, entre outros.  Treinava simplesmente por que gostava. Nunca me passou pela cabeça um dia subir num ringue para lutar: achava uma loucura! Porém, após me destacar nos treinos, o professor disse que eu já poderia lutar. Na época eles queriam me colocar para lutar com Luis Buda, pois o mesmo vinha se destacando, mas acabou não dando certo. Acabei estreando contra um lutador de Feira de Santana e sai vencedor dessa luta. Daí pra frente, tomei gosto pela coisa e não quero mais parar!
 

BN: Quem te inspirou?
Lula: Meu maior inspirador foi meu professor e grande amigo Yuri Carlton. Muitos não acreditavam em mim, inclusive eu, mas ele sempre esteve do meu lado, me incentivando, nunca me deixando baixar a cabeça. Me sinto muito seguro com a sua presença no meu corner. Foi e é um cara que batalhou muito dentro desse esporte: ama o que faz! Conhece nossas dificuldades e está sempre nos passando segurança. É um cara que dispensa comentários. Na verdade, eu o tenho como um pai!

BN: Você acredita que, vencendo Edson Conterrâneo, não tem mais adversários no Brasil?
Lula: 
Isso eu não posso afirmar. O MMA é um esporte que está em constante crescimento, com muita gente nova no mercado. Gosto muito do que faço e luto com qualquer um! Depois dele, podem aparecer outros e eu vou lutar sim, mas quero muito poder lutar fora do Brasil. Estou treinando muito para manter minha invencibilidade. De repente meus treinadores podem achar que ainda não estou pronto para lutar fora, não sei, mas é esse nosso foco, é esse nosso objetivo. Felizmente tenho o privilégio de treinar com os melhores. Tenho como líderes três grandes profissionais, que são os professores Luis Dórea (treinador de boxe), Yuri Carlton e meu preparador físico Ajurimar. As coisas não são como eu quero. Estou primeiramente nas mãos de Deus e depois dos meus treinadores.


BN: Você faz faculdade. Como consegui levar os estudos com as lutas?
Lula:
É complicado, difícil, mas não impossível. Além de estudar e treinar, ainda trabalho! Sou coordenador de segurança e trabalho virando noite. É uma rotina meio desgastante. Em época que antecede lutas, a faculdade acaba ficando um pouco de lado. Falto uma ou duas aulas todos os dias pra poder pegar pelo menos o finzinho dos treinos. Quando tem prova é que fica complicado, mas tenho que dar uma de louco para treinar e estudar ao mesmo tempo. Graças a Deus vem dando certo.
 




BN: Dá para se manter com a luta?
Lula: Ainda não, pelo menos lutando aqui no Brasil não. É um trabalho bem suado! É difícil se manter treinando, sem uma alimentação adequada, sem uma suplementação, sem profissionais... Tudo isso tem um custo, que por sinal não é um custo baixo, mas, diante de todas as dificuldades, venho tentando me manter dentro das condições apropriadas para um lutador.
 

BN: Qual a sua rotina de treinamentos?
Lula: Minha rotina de treinamento é a seguinte: saiu do trabalho às 7 horas, tomo café da manhã e às 9h30 tenho que estar na academia Champion para dar início ao treino de boxe com o professor Luis Dórea. Faço preparação física com o professor Ajurimar terça e quinta às 15h30. Segunda, quarta e sexta, treino a parte de chão com o professor Yuri Carlton.


BN: Os pesos pesados atuais são quase todos, muito fortes e explosivos. O que você tem feito para igualar. A galera brinca com sua barriguinha...
Lula:
Pois é, é muito difícil se manter numa categoria onde muitos são dotados de grande volume muscular, e ainda por cima conseguem ser explosivos, mas devido aos meus treinamentos não venho tendo dificuldades de lutar com nenhum deles, meu biótipo é esse, não adianta você ter muita massa muscular e não ter gás, não ter gana de ganhar, não se superar quando bate o cansaço, não são todos, no meu caso, procuro trabalhar muito o cardio, faço muito treinamento de explosão, de força para que na hora necessária não mim falte uma coisa que pode fazer a diferença em uma luta, o gás.
 
BN: O que você espera da luta contra o Conterrâneo? As provocações têm sido grandes.
Lula:
Espero uma luta bem acirrada; empolgante de se ver. Quero poder mostrar no octógono o que venho fazendo nos treinamentos, o que o público quer ver e não uma luta morna, parada. Quero fazer uma luta movimentada para que o público presente no local do evento se sinta satisfeito em estar ali, e quem assistir pelo canal combate queira estar presente nos próximos eventos que eu lutar.

 

BN: Você faz algum tipo de alimentação especial? Tem acompanhamento de especialistas?
Lula: Sim, alem de ter um grande apoio de um restaurante de comidas naturais, estou sendo acompanhado por grandes profissionais, como por exemplo meu nutricionista Doutor  Moisés Feitosa, é ele o responsável pela minha alimentação, bem como a suplementação, tenho acompanhamento também de um fisioterapeuta,  Doutor  Marcio, entre outros.
 




BN: O Júnior Cigano, que treina com você, mantém residência em Salvador, mas o tempo
todo está viajando para buscar novos treinos. Pensa em fazer isso também?

Lula: Se for para melhorar meu desempenho, sim, o que for preciso fazer para minha melhora, para buscar novas técnicas, diferentes treinos, eu faço, quero sempre estar mim aperfeiçoando profissionalmente.


BN: Qual a importância da vinda do UFC para o Brasil?
Lula: É importante, por ser um evento de grandes proporções, um avente de auto nível, possa vim a alavancar o crescimento do esporte em terras brasileiras, vindo a despertar o interesse em grandes empresários em passar a investir no MMA, derrepente servira para mostras a muitos leigos que é um esporte futurista, um esporte que esta na mídia e que esta dando perspectiva de vida a muita gente.

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