Raimundo Nonato

Por Felipe Santana
Bahia Notícias: Atualmente, qual é o estado da estrutura física do Galícia, no Parque Santiago, em Brotas?
Raimundo Nonato: Nós temos lá o nosso centro de treinamento, nosso alojamento e um campo que, para as condições da Bahia, posso dizer que é regular. Não é ruim, mas também não apresenta um ótimo estado. Abrigamos jogadores da base, do elenco profissional e membros da comissão técnica em apartamentos com ventilador, televisão, coisa muito simples.
BN: Como estão as finanças do Granadeiro para disputa da temporada de 2011?
Raimundo: Como você sabe, quem disputa segunda divisão do Campeonato Baiano não tem dinheiro. Nós só contamos com patrocínio da OAS, mas é insuficiente para pagar todas as nossas despesas com água, luz, viagem, jogadores, comissão e estrutura física que gira em torno de quase R$ 60 mil.
BN: A formação do elenco para o Baianinho partiu do senhor ou existe uma diretoria para decidir as contratações?
Raimundo: Além de mim, existem mais cinco dirigentes que me ajudam a tomar todas as decisões. Tudo que acontece aqui dentro é de comum acordo entre todos. Mas, a nossa expectativa é subir o mais rápido possível e já neste ano. A Segunda Divisão, principalmente na Bahia, não é lugar para ninguém. Não tem incentivo, publicidade, não tem nada! Se duvidar, somos o campeonato mais pobre do Brasil se tratando de investimento.
BN: A divisão de base do azul e branco tem recebido uma atenção especial?
Raimundo: Nós temos jogadores garimpados de vários locais do Brasil. Recentemente, nosso time sub-18 disputou um torneio em Punta del Este, no qual o Internacional foi campeão, e o meia Dionatan Silva foi eleito a revelação. Foi a primeira competição internacional disputada pela divisão de base do Galícia. E por mais que os investimentos não sejam dos maiores, mantemos aqui nosso time sub-16, sub-18 e sub-20, que disputam todos os torneios na Bahia.

BN: O Galícia concorda com a fórmula de disputa do Campeonato Baiano?
Raimundo: Campeonato tem que começar e terminar para todo mundo na mesma data e hora. Sou e sempre fui a favor dos pontos corridos. Aquele que for melhor, dispare no meio da competição e seja campeão. Geralmente, quando falamos disso, sou voto vencido. Os dirigentes baianos, na sua maioria, acreditam que o torneio com grupos eles jogam menos, viagem menos e economizam. Mas, se querem gastar pouco, porque jogam? Eu não entendo!
BN: Relação com a dupla BaxVi. Existe algum tipo de parceria?
Raimundo: Tenho uma boa relação com os dirigentes dos dois clubes. Há dois anos nós tínhamos uma parceria com o Vitória, hoje nós temos um jogador do Bahia aqui. Mas, de concreto e formal, não temos nada. Diferentemente do que acontecia no passado, eles são pessoas decentes. Quando existe interesse em algum atleta do Galícia, nos procuram, conversam e negociações. Acabou aquela mulequeira.
BN: Como para o senhor, torcedor do Galícia, ser presidente do clube que ama?
Raimundo: Meu pai foi presidente do Galícia, então desde pequeno eu acompanhei o time. Sou Galícia e nada mais. Não existe essa de torcer para o Granadeiro e mais algum clube. Amor é único. O que lamento hoje é ver nossa grande torcida, com pessoas importantes, uma colônia considerável, e ninguém se dedicar ao clube. Somos deixados de lado, mas acontece. Se tivéssemos na mídia, vendendo 3 ou 4 jogadores, a coisa seria diferente.
