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Entrevistas

Entrevista

Alexandre Barros

 

Por Sandro Badaró


Bahia Notícias: Com quantos anos você começou a correr? Quem foi eu maior incentivador?
Alexandre Barros:
Eu comecei a correr bem cedo, com sete anos de idade e às grandes influências, desde o início, foram meu pai e meu tio

.
Bahia Notícias: Quais foram às maiores dificuldades no começo da carreira?
Alexandre Barros:
O esporte a motor, em geral, envolve um custo alto. Então, o problema era ter um equipamento adequado, já que eu corria com o que tinha na época. Eu comecei no ciclomotor, com uma mobilete, que não tinha nem banco, não tinha quase aonde sentar (risos). E assim fui me desenvolvendo, conquistando corridas, campeonatos, e o nível foi melhorando. Depois consegui alguns patrocinadores, o que levou a uma melhora no desempenho da motocicleta também.


Bahia Notícias: Quando você percebeu que queria ser motociclista profissional?
Alexandre Barros:
Eu comecei a andar de moto com três anos, em uma motinho pequena. Desde aquela época eu peguei o vírus da moto, e quando você pega esse vírus, ele fica para sempre.


Bahia Notícias: Você disputou quais categorias e ganhou quais campeonatos correndo no Brasil?
Alexandre Barros:
No Brasil eu tenho quatro títulos. São dois de ciclomotor, um de 50 cilindradas (cc) e um de 250cc, que era a categoria máxima na época, em 1985. Mas eu fui para o Mundial com 15 anos de idade, em 86, na 800c que não existe mais hoje, e era a categoria de entrada na época. Foi aí que comecei minha carreira internacional.


Bahia Notícias: Até chegar a Moto GP, a principal categoria de motovelocidade, por onde você passou? Como foi o trabalho para chegar ao nível dos grandes pilotos de todo o mundo?
Alexandre Barros:
Em 89 surgiu um convite de uma equipe boa para correr na 250cc, que é uma categoria intermediária, chamada de Moto 2 atualmente. Ganhei o título de piloto revelação do ano e fui chamado para correr na categoria 500cc, que é a Moto GP hoje. Comecei na equipe Cagiva, em 1990.


Bahia Notícias: Quanto tempo você ficou no Moto GP e qual foi o melhor ano da sua carreira?
Alexandre Barros:
Eu fiquei 18 anos na categoria principal e acho que o melhor foi 2002. Apesar de ser na época em que as motos de quatro tempos começaram a entrar, e eu só teria ela nas últimas quatro corridas, consegui duas vitórias e dois pódios naquela reta final. Quase fui vice-campeão do mundo, mas não consegui por uma diferença pequena de pontos.


Bahia Notícias: E qual a sensação de estar entre os melhores pilotos do mundo?
Alexandre Barros:
Eu posso dizer que sou grato a Deus por ter me dado as condições e a oportunidade de fazer algo pelo qual sou apaixonado. Eu pude correr com os melhores pilotos do mundo, em quatro gerações diferentes.


Bahia Notícias: Você passou de 500 GP’s. É o piloto com maior número de corridas na principal categoria do esporte. O que faltou para conseguir o título?
Alexandre Barros:
Simplesmente, eu não consegui. Mas espero que eu possa repassar o que aprendi para algum piloto que um dia consiga o título mundial. Não ganhei comigo, mas posso ganhar de outra forma...
 

Bahia Notícias: O fato de não ter conquistado o título mundial te decepcionou?
Alexandre Barros:
Não, de jeito nenhum. É muito difícil em um país sem tradição de moto alcançar o que eu consegui. Minha história é muito longa, com muita política no meio, questões de mercado e etc. Lógico que eu gostaria de ser campeão. Eu não estava lá para chegar em segundo ou terceiro, mas sim para ganhar. Não consegui, mas vou tentar colaborar para que alguém atinja esse feito.


Bahia Notícias: Um dos que podem é o seu filho Lucas, que com quatorze anos já está correndo no campeonato espanhol. Quando você assiste ele correr, você tem mais medo como pai ou orgulho como piloto?
Alexandre Barros:
Como pai eu fico um pouco aflito, igual a qualquer um. Ainda mais eu não fico parado no box, ando junto com ele (risos). Mas como piloto eu me sinto muito orgulhoso passar algo do qual eu entendo muito bem. Ele leva jeito? Leva, ou do contrário eu não deixaria ele perder tempo. Mas, como tudo na vida, a motovelocidade exige muita dedicação, e isso eu exijo dele. Procuro ensinar que sem sacrifício não existe sucesso. Independente do nome que ele possa ter precisa estar disposto a passar por qualquer tipo de situação.


Bahia Notícias: Você como pai e piloto acaba cobrando um pouco mais do seu filho?
Alexandre Barros:
Eu cobro porque na minha época eu não tinha referências, nem condições. Hoje é tudo muito mais fácil. Tenho a preocupação de que as coisas sejam muito fáceis e na hora que for exigido um sacrifício ele não esteja disposto a fazer. Entretanto, às vezes passo do ponto, como qualquer pai, mas sempre pensando no melhor para ele.


Bahia Notícias: Você correu profissionalmente por quase 30 anos. Por que você parou e qual foi à sensação quando acabou a última corrida?
Alexandre Barros:
Na verdade nunca fiz uma declaração oficial de que estava me retirando da motovelocidade. Eu não consigo me desligar, essa é a verdade. Estava cansando também, foram vinte anos de mundial. Eu não sabia se iria voltar ou não, mas nunca deixei de andar de moto, só não ando mais profissionalmente.


Bahia Notícias: Falando agora sobre o Desafio Internacional de Supermoto, que acontece aqui na Bahia, em novembro. Qual sua expectativa, como vai ser o evento?
Alexandre Barros:
A Supermoto é uma mistura de asfalto com terra, mesclando pilotos de motocross e velocidade. A corrida vai ter motociclistas do Brasil e também três pilotos internacionais de Moto GP: Loris Capirossi, Sete Gibernau e Toni Elias, atual campeão da Moto 2. Ainda terá no evento um show de acrobacias com o Jorge Negretti, em uma rampa montada dentro do kartódromo de Lauro de Freitas.


Bahia Notícias: E qual foi o motivo que levou a escolha da Bahia?
Alexandre Barros:
Estamos fazendo um evento internacional, para representar o Brasil. À primeira cidade que tem a cara do país, das pessoas, com praia e um verão maravilhoso é a Bahia. Começamos a conversar, e a prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho ajudou muito, assim como o governador Jaques Wagner, durante toda a negociação que durou um ano e meio.


Bahia Notícias: Você falou que esta será sua primeira corrida após deixar o Moto GP. Existe o risco de sentir saudades e querer voltar ao mundo profissional?
Alexandre Barros:
(Risos) Eu estou com trinta anos. Acho que vai ser difícil. Tenho muitos projetos, o Desafio Internacional é um deles. Tenho também uma escola de pilotagem e outro projeto na motovelocidade, que eu ainda vou falar mais em outra época. Então, agora quero focar em ajudar o motociclismo aqui no Brasil.

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