Paulo Carneiro
Por Éder Ferrari
Bahia Notícias: O que, afinal, aconteceu no Bahia? Você foi demitido ou colocou o cargo à disposição?
Paulo Carneiro: Depois que eu deixei de ser dirigente emocional do Vitória, digamos assim, quando eu saí de uma coisa semi-profissional para profissional, na hora em que eu recebi o convite do Bahia eu me introduzi no mercado. Então eu não posso considerar a minha saída do Bahia uma coisa definitiva de forma que eu não queira mais trabalhar da forma como eu trabalhava, longe disso. E eu estou no mercado. Eu não quero entrar em detalhes, até porque o meu contrato tem um voto de confidencialidade. Então, o que eu posso dizer é que, em função de toda aquela pressão, naquele momento ruim no campo, assim como acontece com (Carlos Alberto) Parreira, com Muricy (Ramalho), aconteceu comigo. E o Bahia entendeu que estava sujeito àquela pressão, que deveria tomar decisões, e aí chegamos a um acordo amigável e o desfecho aconteceu. Só isso.
BN: Em uma primeira análise, por que você acha que o Bahia está nesta situação de lutar contra o rebaixamento?
PC: Futebol não é uma ciência exata. Não é como numa formação profissional, em que você pode identificar dois, 10 pontos, pode tentar identificar, mas não pode ter certeza de nada. Até porque este time até a 21ª rodada era o oitavo colocado. O mesmo time que está agora, parece, mudando de atitude para tirar o Bahia do rebaixamento. São várias questões que podem levar a uma má-fase técnica. Eu já fui vice-campeão brasileiro com salários atrasados (com o Vitória, em 1993). Eu já fui semifinalista com salário em dia, em 1999. O Palmeiras já caiu com o salário em dia. Caiu no Barradão. O Fluminense, que me consta, está com o salário em dia. O Sport, também. Então salário, que pode ser um motivo importante, não me parece que seja definitivo. Eu acho que é um misto de muitas coisas que aconteceram a partir da 21ª rodada. Claro que teve outros momentos, ainda mais em um campeonato longo como este. Há ciclos. O Palmeiras está vivendo um ciclo (de derrotas) agora e ainda é o líder. E todo mundo reclama do treinador, do jogador, fala de crise, que discutiram no campo, e o time é líder. Então o futebol, o que você tem que estar é monitorando. Em um time, muitas coisas podem ter acontecido: erros do treinador, falta de atitude, erros na seleção do grupo que só apareceram mais na frente, muita coisa pode acontecer. A única coisa que eu tinha certeza era de que o time tinha condição de chegar.
BN – Algumas pessoas ainda argumentam, entre elas jogadores, que o início da má fase teria coincidido com a sua briga com Orlando da Hora.
PC – Isso é uma mentira. Inclusive porque a queda do time ocorreu muito depois...
BN – Mas teria coincidido com esta briga e o fato de Alexandre Gallo ter afastado Léo Medeiros do grupo e, pouco depois, ter saído. E muita gente dizia, e ainda diz, que Gallo era o melhor técnico e o problema do time era unicamente físico.
PC – Eu sei quem são os jogadores que falaram isso. Orlando da Hora é procurador deles. Responda agora para mim (os nomes deles).
BN – Ainda temos que pesquisar.
PC – Então você não está me afirmando nada, a sua pergunta é dúbia. A única coisa que eu posso lhe dizer é que Orlando da Hora se afastou do Bahia no final do Campeonato Baiano. Antes de iniciar o Brasileiro. Talvez você não lembre disso. Então ele não está na comissão técnica e fica falando mal de mim, do presidente. Desde que eu mandei os cinco jogadores dele embora, e a gente pode enumerar: Ismael, Silas, Heraldo, Juninho (lateral direito) e Thiago Carpini. Eles, sem discutir, foram um fracasso técnico no Bahia e foram contratados com a minha aquiescência, pois eu tenho responsabilidade, mas não conhecia nenhum desses jogadores, pois confiei na informação. Um dia disse a Orlando da Hora que todos eles seriam mandados embora e você sabe que foram todos mais ou menos na mesma época. Em um espaço de uma semana, 10 dias, mandei os cinco embora. Nós colocamos eles pra jogar no Campeonato Baiano e eles comprometeram o resultado técnico da equipe. O Bahia perdeu a vantagem quando colocou esta turma para jogar, não é verdade? Esses jogadores foram para o Bahia para completar a equipe, não foram para ser titulares. Mas eles abriram um buraco entre o time e os reservas. Quando eu resolvi manda-los embora era o fim do baiano. A partir daí, não briguei com Orlando da Hora, porque ele sumiu. Ele ficou tão chateado que desapareceu. Então isto é uma intriga de fora para dentro do clube que eu prefiro não comentar até para não criar polêmica em torno disso. Então esta questão de Orlando da Hora quem lhe disse é um mentiroso, porque a questão dele transcende o Brasileiro. Ele não participou, não esteve dentro do Bahia no Campeonato Brasileiro.
BN – Não sei se você acompanhou a entrevista de Orlando na Tudo FM na semana passada, mas nesse dia ele disse, entre outras coisas, que é impossível conviver com você...
PC: Esse homem é um mentiroso. Ele conviveu comigo no Vitória quantos anos?
BN – Disse isso e que também você teve ciúmes porque em uma determinada época o presidente Marcelo Guimarães Filho o enviou para contratar o meia Luciano Henrique.
PC: Não, é diferente. Eu não tive ciúme nenhum. A questão é que, covarde, ele tinha que me procurar, eu como diretor de futebol, mas para me enfraquecer dentro do clube, procurou o presidente. Eu não estava lá e o presidente o recebeu. Se eu fosse o presidente, eu não o teria recebido, mas o presidente recebeu, e ele tem o direito de tomar as decisões que ele achar melhor. E eu não gostei porque achei que a minha autoridade estava sendo dividida. E ele foi incompetente, porque não conseguiu contratar Luciano Henrique. Mas eu disse ao presidente que, se ele conseguisse contratar, seria bom para o Bahia, porque eu tinha tentado contratar Luciano Henrique um mês antes através do empresário. Eu não tive ciúmes, eu não tenho ciúmes de homem. Eu não ando com homens ao meu lado, sabe? Quem anda com homens ao lado é ele, que anda com jogadores. Ele simplesmente foi covarde. E trabalhou comigo no Vitória muitos anos e só agora descobriu que eu sou arrogante, prepotente? Eu nem consegui ser arrogante e prepotente com ele porque ele sumiu, desapareceu.
BN: Ele disse também que você proibiu a entrada dele no Fazendão...
PC: Depois.
BN – E disse também que presidente decidiu entre eles dois e Alexandre Gallo a demissão do preparador físico Anderson Paixão sem que a sua opinião fosse consultada.
PC: Isso você tem que perguntar para o presidente. Ele tem direito de demitir quem quiser. Se ele pediu ajuda a Orlando eu não sei. Eu não tenho conhecimento disso e acho que todas as decisões que culminaram coma saída de Gallo foram equivocadas. Não que com ele no time seria diferente, mas com certeza Gallo conhecia o elenco como ninguém. E depois daquela derrota para o Figueirense a torcida do Bahia já estava sem muita paciência, porque há muitos anos que não ganha. E o presidente é um dos torcedores, é natural que ele sinta a pressão, ele é muito jovem e tem que ser perdoado por isso. Se não houver paciência, o Bahia não vai sair dessa situação. Tem que ter paciência e perseverança, porque o futebol não é uma ciência exata.
BN: No Fazendão, tempo atrás, você mesmo tinha dito que Sérgio Guedes era detentor de um trabalho sério e diferenciado e que tinha tudo para dar certo. Na sua opinião, por que não deu?
PC: Não sei. O de Parreira (no Fluminense) também não deu. Agora ele está lá na África do Sul. Ele esteve na SporTV (sendo entrevistado sobre isto) e ninguém sabe o motivo (risos). Ele só achava que não devia sair, que estava muito cedo. Eu já fui rebaixado com um treinador só da primeira à última rodada. E o Vitória depois subiu com quatro mudanças de treinador. Então essas coisas não têm regra. É um momento do gestor com a comissão técnica e diretoria tentando errar o mínimo possível. Dizem “ah, mudou muito, por isso que não subiu”. Mentira. O América-RN subiu da última vez e mudou o treinador cinco vezes. Todos os times que estão ali entre os quatro na tabela mudaram o técnico pelo menos uma vez. O Ricardo Gomes (São Paulo) não começou o Brasileiro. O Muricy não começou no Palmeiras, o Andrade não começou no Flamengo, o Mário Sérgio não começou no Inter. Então a mudança de treinador já faz parte da rotina de gestão do futebol. E agora o que eu posso te garantir é que o grande erro que eu cometi no Bahia foi ter trazido um empresário de futebol que vive para ganhar dinheiro para dentro do time. Porque ele conseguiu desagradar tanto o ambiente que um dia a comissão técnica me procurou e disse “Paulo, nós não queremos nos indispor com ele, porque ele é um empresário, mas queremos que você afaste ele daqui, porque senão vai acontecer um problema físico aqui. A comissão técnica vai acabar batendo nele”. Palavras da comissão técnica. Não foi Gallo, foi em bloco. Ele falava mal de todo mundo: do preparador físico, dos fisiologistas, dos jogadores. Ele veio para criar problemas no Bahia, que precisava de paz naquele momento. Quando acabar essa temporada do Bahia eu vou dizer de quem ele falava mal. Falava mal de todo mundo. Ele com aquele jeito dele bem particular dele, ficava muito “nervosinho”, não é? E quando eu mandei os jogadores dele embora, ele ficou muito mais nervosinho ainda.
BN: Ainda falando sobre esta situação de falar mal...
PC: Isso foi realmente um grande erro Porque, primeiro, ele se ofereceu para trabalhar comigo, ligou pra mim perguntando se eu não precisava de ajuda. Ele trabalhou comigo, sabia que ele era um empresário bem conceituado dentro do mercado. E eu o convidei. Eu o levei para uma viagem marcada ao exterior e contratei Gallo contra a vontade dele. Ele queria Marco Aurélio. Chegou a me dar o telefone de Marco Aurélio e eu optei por Gallo, mas contra a vontade dele. Ele depois sentou comigo e com Gallo – depois eles até ficaram amigos – e ficou montando a equipe com Gallo. Eu recebi as informações da Europa e confiei. E sou responsável por esse voto de confiança. Depois que está pronto você só recebe o recado. E ele é responsável por essa desagregação do ambiente. No brasileiro, não. Se ele não tumultuou, tentou tumultuar de fora com alguns jogadores dele que eu não sei quem são ou a pedido de alguém. Eu nunca misturei as coisas. Eu sempre tive uma relação com a diretoria e com Léo Medeiros muito boa. Ele sabe dela. Se for homem, vai dizer. Pelo contrário, pois comigo Léo voltou a jogar. Quando Gallo saiu eu o trouxe de volta ao elenco e espero que eu não tenha cometido um erro.
BN: os leitores do Bahia Notícias costumam mandar e-mails para o site dizendo que você, na parte estrutural e de planejamentos do clube, cumpriu 100% as expectativas, mas não em campo, coma s contratações.
PC: mas isso eu já expliquei. Contratações, quando você tem um time sem base, um time de aluguel, esse time tinha condições de subir. Os resultados é que não foram á altura do time. O time mostrou um bom desempenho até a 21ª rodada, ou você acha que esse time tinha sido suficientemente testado? O que aconteceu depois dali? Ele estava a 3 pontos da Portuguesa, que briga pra subir, a 7 do Guarani, que já subiu. O Bahia estava a 7 pontos do 4º colocado.
BN: O que se conta poraí é que o Bahia fazia partidas de bom nível técnico até contra o Guarani, mas que na partida contra Ceará alguns jogadores foram conversar com você sobre bicho...
PC: Mentira! Mentira! O que aconteceu ali foi um acidente. Não houve nenhuma conversa sobre bicho. O bicho é uma coisa que se discute ao longo da semana, não na hora do jogo.
BN: Mas houve algum problema com isso durante três ou cinco jogos?
PC: Nenhum, nenhum. Zero. É mais uma mentira. O futebol é cheio dessas mentiras.
BN: Você ficou frustrado em sair do Bahia?
PC: (veemente) Não! Eu entrei foi nessa roda-viva do futebol. Eu acho que o trabalho do Bahia estava todo delineado. Eu torço pelo Bahia e espero que ele ainda possa ficar na Segunda Divisão, merecidamente, e possa seguir o seu projeto. Eu acho que o caminho do Bahia, o planejamento, estava todo traçado. A bolinha no entrou no momento em que o Bahia tinha que engrenar, da 21ª rodada em, diante. Aquilo ali era a segunda rodada do segundo turno, contra o São Caetano. O Bahia já estava requalificado com a chegada de Jael, de Nadson, jogando bem. Até mesmo os jogos que perdeu jogou bem. Dali em diante o time declinou. E eu espero que o Bahia consiga... É um grande clube, estará na primeira divisão com toda certeza.
BN: Para encerrar o assunto Bahia, o que você acha que foi o que melhor fez no Bahia e o que fez de pior.
PC: Ah, o que fiz de pior foi trazer Orlandinho da Hora para o Bahia. Primeiro que empresário não tem que ficar circulando dentro do clube, ele não está ali praquilo. Ele é um intermediário, ele não está nem no início nem na outra ponta do assunto, está no meio. Tanto uma hora pode ser favorável a ele quanto na outra não ser. Nós estávamos na decisão do Campeonato Baiano e ninguém mais aguentava esse cara lá dento. E ele “se atacou” pessoalmente. Eu mandei os jogadores dele embora e ele se revoltou. Eu nunca tive uma discussão com esse rapaz. Não vou dar ousadia e ter uma discussão com ele. Na minha sala, eu tinha uma ordem que dizia que só ele podia usar (a sala na sua ausência) e agora ele diz que foi maltratado. Ele usava a minha sala e agora ele é o maltratado. Pode falar com os funcionários do Bahia e eles vão dizer. Acho que o meu grande acerto foi levar ao Bahia uma nova filosofia. Acho que mostrar que o futebol não acontece não só dentro do campo, tem que começar antes a planejar. Você não tem um grande time se não tiver um grande clube. O Bahia como clube se estatelou e agora, com Marcelinho, está tentando sair desta inércia administrativa. Eu acho que, graças a muitos tricolores que eu agradeço nessa entrevista que me ajudaram silenciosamente, o Bahia tem a estrutura que tem, conseguiu se estruturar. Eu só fiz coordenar. O Bahia é os seus torcedores. Essas pessoas fizeram esse Bahia estruturado que é hoje, logisticamente. Essa é uma herança que vem desses tricolores, que eu agradeço, que eu deixei no Bahia. E também alguns jogadores importantes que trouxemos e que estão ajudando o Bahia nessa jornada.
BN: Agora o outro lado, no qual ninguém nunca acreditou que você iria figurar um dia. Você, no passado, se indispôs muito com a impressa. Como é que acha que vai se comportar agora nessa nova empreitada?
PC: Espero sempre respeito. E vou ver coerente com o meu discurso. E quero dizer que comecei no futebol pela imprensa, pois trabalhei em um jornal por cinco anos quando era estudante de engenharia. E eu achei tão interessante o convite da Equipe Gol... Eu gosto dessas coisas diferentes. Não é à toa que eu estive dentro do Bahia. Então eu acho que vou estar informado, não quero ficar de fora do futebol. Eu vou dar uma palestra fora do estado no mês que vem, fui convidado. Acho que eu posso ajudar muito a educar o nosso povo a participar de forma educada e apaixonada do espetáculo da Copa do Mundo que vem aí. Nós vamos receber os dois maiores eventos esportivos do mundo. E eles serão patrocinados pelo povo brasileiro, que vai pagar a conta deste espetáculo. Então eu acho que nós todos que trabalhamos no esporte, seja dentro ou na mídia, que não deixa de estar dentro, tem um valor e uma grande contribuição a dar, educar o povo a falar do esporte como o instrumento definitivo de inclusão social. Nós temos a grande oportunidade do século para diminuir as nossas desigualdades com o esporte – sem nenhum discurso político – com criatividade, com ações práticas. Acho que a mídia tem um grande papel e durante este tempo pretendo dar uma contribuição expressiva. E na equipe tem gente que eu conheço há tempos, como Sinval Vieira, que trabalhou comigo no Vitória, e outros que conheço há pouco tempo, mas tenho extrema simpatia, como Marcus Pimenta e Emerson Ferretti. Então eu acho que vocês vão ver que eu não sou nem arrogante nem prepotente como muita gente fala. Eu sou um cara que gosta de trabalhar sério e acho que vou dar a informação com a seriedade que sociedade nos exige.
BN: Você é conhecido como um cara muito passional. Como é que vai fazer para analisar de maneira imparcial neste momento um jogo do Bahia, que é o time que você formou, e do Vitória, que é o time do seu coração?
PC: Ah, vai ser tranqüilo, isso não é nenhum problema. Até o dia de ontem eu posso lhe dizer que estava torcendo muito mais pelo Bahia que pelo Vitória. Mas aí o Vitória chegou em uma fase do campeonato que deixou o torcedor com água na boca. Essa é a impressão que me dá. Porque é um time que deu a toda a impressão de que podia chegar – desde a época Carpegianni, com três zagueiros, até a era Mancini, com um quarto zagueiro – na Libertadores. Mas o que tirou o Vitória da Libertadores foi não conseguir vencer partidas determinantes fora de casa, como contra o Palmeiras. E isso fez a diferença. Um time que quer chegar à Libertadores não pode só ganhar duas vezes. Agora eu tenho que torcer pelo Bahia. Agora eu tenho muito carinho pelo Bahia e isso é muito verdadeiro, muito respeito eu tenho pela torcida e todos os que pensam o futebol sem paixão. Trabalhei com muita seriedade lá ao longo desses meses todos, com muito respeito, é bom que se diga. Não tive problema com ninguém no Bahia. E hoje estou torcendo muito. Mas analisar o jogo é analisar o jogo.
BN: E quando o jogo for no Barradão?
PC: Ah, no Barradão eu não vou, não. Eu espero que os dirigentes do Vitória tenham superado essa fase de perseguição gratuita a um homem que construiu tudo.
BN: Como você disse que ainda está no mercado, espera que ainda receba convites para ser gestor?
PC: Claro. Não sei se quero da forma como já fiz. No Vitória foi diferente, eu fui presidente. Era um cargo técnico e político. No Vitória S/A cada vez mais técnico e menos político. O clube é mais político e menos técnico. No Bahia, evidentemente técnico. E talvez hoje eu queria fazer uma cosia em que eu trabalhe como empresário, em que eu crie as condições junto com os comandantes do clube, onde eu sirva como um consultor na área administrativa e técnica e ao mesmo tempo eu possa estudar a comercialização do fruto desse trabalho, que são os atletas. É assim que eu estou desenhando a minha vida e espera que eu possa conciliar com o meu novo trabalho aqui na Tudo, que é uma coisa que eu gosto de fazer.
BN: Preparado para falar com o torcedor no rádio? A equipe tem o costume de colocar o torcedor no ar.
PC: Fui político por 10 anos graças à torcida do Vitória. Eu nunca fui político profissional. Pra ser político eu tive que ter um contato especial com o povo, no caso a torcida. Senão não teria sido eleito com a votação expressiva que fui por três eleições, uma como vereador, com a sexta maior votação de Salvador, e outras duas como deputado. E até mesmo quando perdi, perdi com 30 mil votos. Então eu nunca tive problema como relacionamento. Como engenheiro, chefiei uma grande equipe de profissionais durante muitos anos da minha vida em grandes empresas instaladas aqui na Bahia. Tenho cheiro de povo, não tenho problema nenhum.
BN: Você aceitou o convite porque ele foi da Equipe Gol, uma equipe jovem, com um trabalho diferenciado, ou poderia ter ido comentar futebol em qualquer rádio?
PC: Eu não teria aceito o convite de qualquer um. Esta é uma equipe que respeita a opinião, busca a seriedade da informação. Sempre tem seu lado polêmico, que faz parte do jogo de audiência. A Globo faz isso, Faustão faz. Por que vocês não pode fazer? Mas sempre com inteligência. Isso é importante na mídia, a gente forjar uma sociedade mais bem informada. Afinal de contas, estamos na época digital e informação é importante em tudo na vida.
