Selma Morais
Fotos: Evilásio Jr/ Bahia Notícias

Por Lucas Esteves
Bahia Notícias: Salvador está muito feliz com a vinda da Stock Car para a cidade, porque é um fato inédito não só para a cidade como também para a própria categoria. O que isso significa para a capital?
Selma Moura - Em termos técnicos, de público, de representatividade, hoje a Stock Car é a principal categoria do automobilismo brasileiro. É onde você tem os principais pilotos de automobilismo do Brasil daqueles que não estão na Fórmula 1. Você tem hoje uns seis ex-pilotos, como Luciano Burti, Antônio Pizzonia, tem Ingo Hoffman, que já correu, então hoje é a competição de maior representatividade. Sem contar que ela tem transmissão ao vivo da Globo. Para o Brasil inteiro e mais 130 países. É a Bahia sendo mostrada para 130 países, o que dá uma visibilidade muito maior, e esta também é a ideia básica de a gente estar na Stock Car. É maravilhoso. Imagine que a gente tem autódromos em quase todas as capitais do país. Salvador não tem. Em lugar nenhum da Bahia você tem um autódromo. Mas a Stock Car toda quer correr na Bahia. Porque tem aquele glamour de ser a Bahia, o povo baiano, que é festeiro amigo, camarada, tudo isso cria um clima favorável. Fora que a gente gosta mesmo do negócio. Eles tiveram aquela demonstração da Fórmula Renault (em 2005) e pensaram “se na Fórmula Renault foram 200 mil pessoas pra assistir, vem muito mais gente poraí pra Stock Car.
BN: Aparentemente naquela prova um milhão de pessoas estavam nas ruas do Comércio. Há esse número disponível
SM - Na verdade, a Polícia Militar disponibilizou um número oficial de 220 mil pessoas. Foi uma loucura, e a gente deu sorte de não ter acontecido uma coisa grave, porque tinha uma passarela ligando o Mercado Modelo ao Elevador Lacerda. E aquela estrutura era aberta e todo mundo ficava em cima e os carros passando embaixo. Ao ponto que, poucas pessoas sabem, mas aquela prova terminou com duas voltas a menos. Porque chegou a um ponto em que a Polícia Militar falou para a direção de prova “não temos mais o controle”. A direção, então, se reuniu rapidinho assim, se perguntando “e agora, e agora?”. Então decidiram parar a prova com medo de acontecer alguma coisa. Tanto é que na saída ainda teve aquele empurra-empurra, foi gente se espremendo na tela de proteção. Mas por que isso? Porque o baiano gosta de automobilismo. E o baiano nuna tinha visto ali na vida duas categorias correndo na sua cidade. Ali a gente colocou a Fórmula Renault, que são carros de fórmula, que é o monoposto, e colocamos uma a Clio, com os carros de rua que todo mundo conhece e usa. E foi fantástico.
BN: E quais são os ganhos de uma prova dessa?
SM - Ocorre um aumento no número de competidores fantástico. Tem a tecnologia, que você vê de perto. Os nossos pilotos tiveram acesso aos boxes, aos pilotos. A gente montou um camarote especial para os nossos pilotos assistirem na largada e na primeira curva da prova. Tudo isso é um ganho. Quando eles (corredores) saíram, arrumaram as malas e foram embora com a Renault, nós continuamos fazendo o nosso automobilismo, e ele cresceu. Nós saímos de 18 pilotos de kart para 58. Ontem (domingo, 14 de junho), nós tivemos a terceira etapa do campeonato de kart. E quantos pilotos nós tivemos lá no kartódromo (de Lauro de Freitas)? Quarenta e dois. Na pista. Cinquenta e oito filiados e 42 na pista. É muito legal. O legado é muito forte.
BN: E como começaram as negociações para a realização da prova da Stock Car em Salvador?
SM - Primeiro a gente viu que tínhamos capacidade para fazer. Segundo, a gente descobriu que os nossos políticos precisam apenas ser motivados. Então articulamos a prefeitura, que deu total apoio desde o ano passado. Pra ser honesta, desde o ano passado que a gente tava querendo trazer a Stock car. E a prefeitura deu o OK, mas era um ano político. Era um ano de eleição e era muito complicado. Na época eles pensavam só em política. Então como a gente sabia que ia ser um evento muito importante, sabia também que podia ser usado politicamente. Então evitamos. A gente teve todo o apoio da prefeitura, justiça seja feita, mas na hora o prefeito também estava batalhando muito na eleição ao mesmo tempo em que ele não tinha condições de trazer a Stock Car sozinho. Ele teria de trazer com o governo do estado. Quer dizer, os dois teriam de ser articulados. Então a gente deixou passar e, depois que as coisas se acalmaram, mesmo com as brigas políticas, os dois viram a necessidade de se trazer esse evento para a Bahia. Porque foi um salto. A Globo deu isso como manchete em dezembro. Quando a gente ainda estava querendo trazer e já tinha feito a escolha da data, a Globo anunciou isso como a grande novidade da temporada 2009 da Stock Car. E o que é esta grande novidade? A primeira corrida de rua da Stock Car em 30 anos de existência. Mas você tem tantos autódromos poraí, por que correr na rua? É um desafio pros pilotos, é um desafio pros organizadores, mas é o glamour que a Bahia tem. E Salvador, quando se fala em festa, de qualquer coisa charmosa, você tem que colocar Salvador. Ela hoje é a terceira capital do país. Então infelizmente os nossos políticos ainda não visualizaram a necessidade que a gente tem de um autódromo. Por que é que a gente está fazendo uma corrida de rua? Porque não temos autódromo. Mas nós vamos mostrar que o baiano gosta de automobilismo e que nós temos capacidade técnica e organizacional pra fazer. Senão os caras não viriam para cá! Hoje nós temos 19 federações de automobilismo no país e a Bahia é o oitavo estado em número de pilotos filiados e em atividade. E a gente só perde aqui para os tradicionais: São Paulo, Rio, Minas, Paraná, Santa Catarina. São estados que praticam automobilismo. E para todos os que a gente perde, o único que tem um autódromo mais ou menos, um com uma pista de 1800 metros, é Minas. Mas Minas tem anos-luz à frente da gente no automobilismo. Então estamos à frente de várias capitais que têm autódromo. Então com esta conversa que a gente teve entre prefeitura e governo, eles sinalizando que poderiam apoiar, eu como presidente da federação fui a São Paulo para encontrar o meu presidente, que é o Cleyton Pinteiro, que é como se fosse o Ricardo Teixeira da CBF. Só que com menos dinheiro e muito mais fácil de se chegar. A facilidade é tamanha, e também a democracia pra se fazer automobilismo, que a gente não tem autódromo e eles aceitaram. Só fizeram uma exigência: que tivéssemos a segurança no nível da Federação Internacional de Automobilismo (FIA). E aí eles nos passaram quais eram as exigências, as “defensas”, de concreto armado, que são muito caras, e pedimos uma audiência com o governador. E a grande vantagem que nós dissemos ao governador é que ele não estaria pagando a nenhum promotor para trazer a prova. Ele estaria apenas bancando as estruturas para a gente utilizar, quando a Stock Car for embora, as estruturas ficam. Então podemos trazer outras provas. Tanto é que a gente já está praticamente anunciando para 2010 uma prova da Fórmula-3 sulamericana além da Stock Car.

BN: E depois?
SM - Depois eu fui a várias provas da Stock Car indo de Box em Box conversando com os pilotos falando do interesse que a gente tinha e todo mundo foi apostando, apostando. Isto demorou um ano e pouco e aí a gente teve o prazer de anunciar agora, na semana passada, a realização da prova. E a repercussão lá fora é muito maior do que dentro de Salvador. Tem estados que não acreditam que a gente tirou a prova deles. Por exemplo, Campo Grande (MS), porque tem autódromo, e a gente tirou de lá. Eles vão ficar com a Stock Car Junior e com a Pick-Up Racing, que são do mesmo grupo (Vicar). Eles fazem essas duas provas e nós vamos fazer o “top”. Vai ser fantástico.
BN: Na época das negociações, o secretário de turismo, Domingos Leonelli, disse ao Bahia Notícias que haveria uma possibilidade de construção de um autódromo nos Baixios, que sediaria algumas das provas da Stock Car que estão separadas para os próximos cinco anos. Isto é realmente verdade?
SM - As negociações estão caminhando e estão muito fortes. O secretário chegou até a anunciar a assinatura de um contrato de intenções com um grupo europeu para se fazer em Baixios. Enquanto ele trabalha por esse lado, a gente da federação trabalha por uma outra vertente, também com a Confederação Brasileira e outros empresários europeus. Estamos trabalhando na construção de um autódromo em Camaçari. Pra gente, Camaçari é o polo automobilístico da Bahia. A gente fortalece muito mais o nosso automobilismo se estivermos próximos das grandes montadoras de carros, como é o caso da Ford, de pneus, como é a Continental, a Bridgestone Firestone, a Pirelli, que está em Feira de Santana, um verdadeiro polo automotivo ali na cidade. Então achamos que Camaçari é o local ideal, sem contar que é acessível, fácil de chegar, foge da loucura da cidade grande. E isso avançou muito. Já trouxemos vários empresários europeus aqui, já tivemos reuniões com o prefeito de Camaçari. Todos eles também já se reuniram com o governador do estado. A coisa estava caminhando, mas deu uma espécie de freio de arrumação agora no início deste ano em função da crise mundial, principalmente na Europa. Mas não parou, não vai parar. O terreno já está definido. Não posso falar porque a gente tem um contrato de confidenciabilidade assinado, mas o terreno já está definido, ele já foi vistoriado pela Confederação Brasileira de Automobilismo. Porque nada adianta dizer que vai fazer um autódromo ali, meter a máquina e fazer um autódromo, se a confederação brasileira não aprovar. Não tem uma prova ali dentro, é dinheiro jogado fora. Então trouxemos o diretor de autódromos para Salvador e ele foi lá vistoriar toda a área. Fez um relatório e, em função deste relatório, que fala da acessibilidade do local e da proximidade das montadoras, fábricas e polo petroquímico e grande rede hoteleira que existe na região, que a gente foi pensar os investidores. Quando eles viram isso, imediatamente vieram para cá e agora estamos dando os passos. Eu diria então que esse contrato de cinco anos que o governo do estado e a prefeitura de Salvador assinaram com a Stock Car ele pode ter provas alguns anos na rua e alguns anos no autódromo. Disso eu não tenho dúvida nenhuma.
BN: Podemos então começar a década que vem com um autódromo de grande nível?
SM - E eu garanto: é de altíssimo nível. Eu vi o projeto. Eu não posso falar em detalhes, mas é uma coisa assim que é pra eu parar tudo o que eu faço na vida e só ficar lá assistindo às corridas. O sonho de todo mundo é o autódromo. Então para mim está maravilhoso ter a Stock Car aqui nas ruas de Salvador, mas se tiver um autódromo, eu não vou ter só Stock Car. Vou ter Formula Truck, Fórmula 3, mundial de Motovelocidade, Pick Up Racer, GT 3, Marcas e Pilotos, eu vou ter tudo. Temos condições de ter uma média de 30 competições nacionais e internacionais no ano. Imagine isso em termos de turismo, de esporte, no crescimento do automobilismo regional, norte-nordeste. Atualmente no Nordeste nós só temos o autódromo de Caruaru (PE) e o de Fortaleza (CE), mas todos os dois são fracos. A prova é que eles não trouxeram até hoje uma prova da Stock Car porque não tem estrutura para trazer. Então a Bahia pode liderar e fortalecer esse processo. Pra que os autódromos de lá sejam melhorados. A Fórmula Truck corre todo ano em Caruaru, mas se tiver aqui um bom autódromo ela vai correr em Salvador, Caruaru e Fortaleza. Ela teria três praças no nordeste, ficaria mais fácil e barato para os pilotos. É como uma turnê musical: fica mais barato para um cantor se ele faz um show aqui, um em Aracaju, um em Maceió. Acaba sendo melhor para todo mundo.

BN: E enquanto isso, o que se faz para competir?
SM - Nós temos que ir lá em cima dos governantes e exigir, saber de cada um o que é que tem para o nosso automobilismo. Vou fazer um desabafo aqui: faz não sei quantos anos que eu imploro aos governantes que nos cedam o Parque de Exposições três ou quatro datas no ano para fazermos o Campeonato de Arrancada ali dentro. Tem uma pista de 560 metros, com uma largura maravilhosa, com a possibilidade de ter segurança muito maior do que nas ruas. Sabe o que alguns dirigentes me dizem? “Ali é para cavalos, bois e vacas”. Então virei pra ele e disse “é? Então os artistas que cantam lá são também cavalos, bois e vacas?”. Porque vive tendo shows ali, agora vai ter o Cirque du Soleil. Ele é um espaço que foi feito para tudo, não só para agropecuária. No dia que não tiver agropecuária, faça música, faça teatro, faça automobilismo. O espaço é pra todo mundo. Agora fica aquela área obsoleta ali com dois ou três eventos, à parte dos shows. Mas por que só shows? Então estamos lutando muito para viabilizar o automobilismo. Tive recentemente umas três reuniões com o secretário (de Agricultura) Roberto Muniz. Ele disse que gosta de automobilismo e disse que seria possível, mas faz seis meses que está emperrado. Outro dia conversei com um outro dirigente e ele disse para mim que não tem datas em 2009, só para 2010. Então disse “vamos sentar e fechar para 2010”. Mas aí não acontece. Por causa disso, eu tenho aqui hoje 12 pilotos de arrancada que vão correr lá fora. Sabe quanto é o investimento de um piloto de arrancada? Cem mil reais. Investimento técnico, fora o preço do carro. Esse é que é o problema. Então não temos provas hoje e os pilotos me matam porque acham que eu não quero fazer o campeonato de arrancada. Mas eu digo pra eles que se eu for fazer uma arrancada na rua eu gasto R$ 80mil, R$ 100 mil. Se eu for fazer numa pista, em gasto R$ 15 mil, R$20 mil. Por que não liberar o Parque de Exposições? Mas o governador já disse que vai patrocinar uma etapa do Campeonato Brasileiro de arrancada nos dias 29 e 30 de agosto. E a tendência é que esta prova seja no retão onde vai ser a Stock Car. Porque assim a gente não tira as defensas, são 15 dias depois, e a infraestutura de arquibancada também pode ficar. E então fazemos a etapa com mais ou menos 50 pilotos. Este é o legado que a Stock Car vai deixar pra gente.
BN: E quanto ao legado que a prova vai deixar nos jovens e naqueles que ainda sonham, a partir da Bahia, construir uma carreira de corredor no esporte?
SM - Eu anunciei no kartódromo ontem (domingo, 14 de junho) que o presidente do Conselho técnico Desportivo Nacional (CTDN) está vindo para Salvador dias 25 e 26 de julho para ministrar um treinamento para as pessoas que querem ser voluntárias na Stock Car. Precisava ver a quantidade de pessoas que já mandou e-mail para a federação se colocando à disposição para ser voluntário na Stock Car. Então o que a Confederação Brasileira vai fazer durante a prova? Vai trazer as pessoas-chave da segurança, resgate, sinalização, cronometragem. Mas o grosso quem vai fazer é o pessoal da Bahia. Vamos ter sinalizadores, que são os bandeirinhas, pessoal para trabalhar nos boxes, uma equipe de cronometragem junto com a oficial, uma de resgate para trabalhar junto com a oficial, cinco pilotos escolhidos nossos para trabalhar dentro de cinco equipes da Stock Car usando macacão, trabalhando junto do piloto, do mecânico, do engenheiro. E assim eles poderão viver o dia-a-dia de uma equipe. Mas quem são essas pessoas? Eu tenho hoje 230 pilotos filiados. Vamos escolher aqueles que têm tendência a competir lá fora em uma prova de velocidade no asfalto. Alguns deles estão no kart, mas é um passo para chegar à velocidade. Recebi e-mails do Rio Grande do Norte, de pessoas da federação potiguar, também da de Sergipe, se colocando à disposição para trabalho voluntário. Então já não tem mais vaga. Vamos selecionar, então, aqueles que têm mais conhecimento, os que estão mais ligados, que entendem o mínimo de sinalização, fazer uma pré-seleção e levar todo mundo para ter treinamento com o cara da CTDN, depois com o piloto Ingo Hoffman, depois com o piloto Paulo Gomes, que são pilotos-chave da Stock Car que vão treinar a nossa equipe. Imagine, depois que esses caras forem embora, o orgulho que a gente vai ficar por ter sido treinado por gente como Ingo e Paulo? Até as crianças ficam lá gritando “eu posso, eu posso?”. Eles não vão poder, mas podem visitar os boxes no sábado, nós conseguimos acesso a todos os pilotos filiados no sábado da corrida. Acho que a Bahia vai ser outra depois dessa Stock Car. Todo mundo vai olhar para a Bahia de forma diferente.

BN: Quando as primeiras notícias sobre a possibilidade da Stock Car em Salvador chegaram, elas vieram em forma de boatos. O mesmo aconteceu recentemente, no mês passado, em relação a uma possível corrida da Fórmula Indy em Salvador. O que de verdade tem nestes rumores e o que é especulação pura e simples? É possível isso realmente acontecer?
SM - Muito difícil. Hoje, na forma como está, muito difícil. Porque, da primeira vez que Emmerson Fittipaldi esteve aqui para tentar trazer a Formula Indy, cada prova custava mais de US$ 30 milhões, era um pacote fechado de três provas, somando tudo US$ 100 milhões. Se você multiplica isso aí por dois, que é a taxa de câmbio, dá poraí de R$ 200 milhões. Menos que isso um pouco. E ele queria fazer na orla, ali no Aeroclube e fazendo uma pista por trás do Aeroclube na beira da praia. Eu sou jornalista e, particularmente, fiz uma página no jornal A Tarde – na época eu trabalhava no jornal – criticando isso. Disse “vamos gastar R$ 200 milhões por três anos de prova? Vamos construir um autódromo". Eu fui uma das que mais bateu na época. Mas bati com dados, com números, porque eu achava que era muito dinheiro para uma competição só. Tanto é que agora a Stock Car, que é a maior prova do país, está vindo para cá e o custo do governo do estado e da prefeitura vai ser R$ 3,5 milhões. Isso só das defensas. O asfalto vai custar R$ 1,5 mi, mas o asfalto fica para a cidade. O governo do estado não está colocando um real na mão da Vicar (empresa que administra o campeonato da Stock Car). Nem a prefeitura. Eles estão montado a estrutura para que a corrida venha. Quem está trazendo a prova é a Nextel, a Peugeot, a GM, a Esso e a Mobil, as empresas que bancam a Stock Car, inclusive a transmissão ao vivo da Globo. O governo só faz o asfaltamento, as defensas e a estrutura de camarotes e arquibancadas para transformar aquilo num autódromo. Então fomos lá ver a Fórmula Indy. André Curvelo (secretário de Comunicação da Prefeitura de Salvador) foi lá ver. Maravilhoso. Mas eu sei que a prefeitura não tem dinheiro para trazer isso. O governo do estado não tem, quem dirá a prefeitura. A Stock Car mesmo teve que ser dividida assim porque a gente sabia que a prefeitura não tinha dinheiro. Há toda uma diferença de R$ 1,5 milhão que a prefeitura vai gastar para uma Indy, que custa US$ 33 milhões. Mas se a gente já tiver um circuito e eles da Indy baixarem o custo deles e buscarem outros parceiros - não só o governo -, é possível. Se os governantes entregarem a um Nizan Guanaes da vida e falarem para ele se virar para conseguir o patrocínio, aí o cara vai correr atrás e é possível ter a corrida aqui. Mas se a gente tiver o autódromo eu garanto a você. Sabe, um dos responsáveis pela Indy já esteve com o projeto do autódromo da Bahia na mão. E disse que quer inaugurar o nosso autódromo com a Indy. Isso é verdade, isso é uma realidade. Acho ótimo Andrezinho (Curvelo) ter ido lá. A gente marca posição, chega lá e diz que a gente está vivo. Mas depois que a gente fizer essa prova da Stock car, que todo mundo prestar atenção que é possível, que é viável, pode acreditar porque não acho difícil que ela (Indy) venha. Desde que haja investidores para se fazer, porque é muito dinheiro. Mas é um sonho trazer uma Indy para cá, putz! Você vai brigar por uma Formula 1. E aí se nós tivermos um autódromo internacional como esses caras querem construir, São Paulo que se cuide, porque a Bahia tem tudo para disputar com eles o Grande Prêmio do Brasil. É um autódromo de primeiríssima qualidade, de primeiro mundo. Em termos de pista vai bater Interlagos. Mas tem outras coisas que temos que correr atrás, porque eles têm uma experiência de 30 anos de Grande Prêmio do Brasil. E se der tudo certo pra nós, eles correm o risco de perder a Formula 1.
