Raimundo Nonato Reis
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Por Lucas Esteves/ Fotos: Lívia Cortizo
Bahia Notícias: Quem é você e como você chegou à presidência do Galícia?
Raimundo Nonato Reis: Meu nome é Raimundo Nonato Monteiro Reis. Galícia eu sou desde pequeno porque meu pai já era dirigente do Galícia desde que eu me entendo como torcedor de futebol. Ele assumiu a presidência do time por um curto período e é uma coisa que a gente traz no coração desde criança. E hoje nós, galicianos, sentimos muito quando a gente ouve uma pessoa dizer “ah, eu era Galícia, mas como o Galícia não ganhava hoje eu sou Vitória, hoje eu sou Bahia”. Mas eu não consigo entender como é que uma pessoa muda de time. É aquela coisa que a gente tem... Eu, pelo menos! Eu sou torcedor do Galícia, sempre fui torcedor do Galícia, e me tornei dirigente já com 20 e poucos anos. Trabalhei com vários presidentes, a exemplo de José Carlos Pacheco, Sandoval Guimarães, Júlio Fernandes. Passei um tempo afastado porque não concordava com a forma como as coisas eram geridas dentro do Galícia. Me afastei durante seis anos, e depois eu voltei. E o Galícia estava quase que para sumir do mapa. Ninguém queria assumir o Galícia. Eu e Genaro (Porto, ex-presidente) assumimos, eu como vice, e depois Genaro saiu e eu assumi a presidência do clube. E tenho lutado aí incessantemente tentando colocar o Galícia de volta na primeira divisão, o lugar de onde ele não deveria ter saído.
BN – E por que o Galícia chegou à situação em que está hoje?
RNR - A história do Galícia é complicada porque a gente não entende como ele chegou à situação que está. Mas é fácil a gente tentar explicar. A Federação Bahiana (de Futebol, FBF) em 99 ou até bem antes de 99, tinha Virgílio Elísio da Costa Neto como presidente, que hoje é assessor da CBF, bem empregado, tranqüilo, com a vida dele bem-arrumada, e o Galícia aqui ele deixou na situação que está. E ele deixou como? No ano em que o Galícia foi rebaixado ele anunciou previamente em televisão, em rádio, disse para todo mundo ouvir que Salvador não comportava mais que duas equipes na primeira divisão do futebol baiano. E naquele ano tinha além de Bahia e Vitória, Galícia e Ypiranga. E numa tacada só ele rebaixou Galícia e Ypiranga. Em um campeonato que não acabou. Se não houve campeão, como é que teve rebaixado? O campeonato deveria não existir. Ele deveria ser considerado nulo já que não houve um campeão. O campeão foi decretado acho que uns oito ou nove anos depois.
BN – na Justiça.
RNR – Não foi bem na Justiça. O Galícia entrou na Justiça Desportiva contra o resultado do rebaixamento e, na época, o Tribunal de Justiça Desportiva se julgou incompetente para julgar a questão porque existia uma ação em uma instância superior pelo problema de Bahia e Vitória e o tal do laranja do Itapagipe que entrou na Justiça e que melou tudo. Então enquanto não se decidisse isso não poderia haver julgamento. Quando a CBF, se não me falha a memória há uns três anos, mandou que todos os clubes do Brasil retirassem todas as suas ações da Justiça comum sob pena de serem punidos ou serem excluídos da competição, o laranja que entrou na Justiça retirou o processo e aí nós demos entrada em um processo exigindo o julgamento. E o processo foi julgado e nós perdemos por 4 x 3. Dos sete auditores que julgaram o processo, quatro votaram contra o Galícia achando que o time não tinha o direito de questionar o que estava sendo questionado. E acabou sendo mais uma medida de prevenção, talvez, para garantir que o Galícia não pudesse ter seu direito adquirido de voltar à primeira divisão pelo fato de ter sido rebaixado injustamente. Porque hoje, com a Lei Pelé, você só pode voltar à primeira divisão via jogo em campo, disputando e vencendo uma competição. E o que caberia nesse caso? Que o Galícia pedisse uma indenização por perdas e danos e que talvez isso fosse uma perda incalculável hoje. Quando eu falo incalculável, as pessoas podem se perguntar “mas o Galícia está se baseando em que para dizer que haveria dinheiro a receber?”. O Galícia, no ano de 1999, tinha na sua divisão de base Dante, um zagueiro que foi para o Juventude de Caxias-RS, depois foi jogar no futebol francês, futebol belga e hoje joga no futebol alemão. Nós tivemos Edmilson, que jogou no Palmeiras no ano em que o time subiu da Série B para a Série A, foi campeão com o Botafogo como vice. Edmilson é ex-jogador nosso da base e inclusive fez o segundo gol esse jogo que terminou 2 x 0 e levou o Palmeiras de volta à primeira divisão. Depois ele foi jogar o Japão ou na Coréia, não me recordo bem. O Lenílson, que estava no São Paulo e recentemente foi vendido para o futebol mexicano, também fazia parte desse time. Marquinhos, outro jogador que foi agora do Vitória. Ou seja, nós tínhamos uma serie de jogadores talentosos na divisão de base do clube e perdemos todo mundo. O Galícia praticamente parou. Durante seis anos ficou de portas fechadas. E todo o nosso patrimônio foi perdido. E você vê jogadores como esses daí que foram vendidos por alguns milhões de reais ou de dólares e que esse dinheiro todo, se a gente fosse tentar buscar a reparação com a Federação Bahiana, ela não teria condições de pagar ao Galícia. Então o Galícia perdeu por 4 x 3. Mantiveram o resultado e o campeonato foi decidido com o título para Bahia e Vitória, e o Galícia e o Ypiranga foram os maiores prejudicados naquela época sem ter nada a ver com a história de um ter puxado o jogo para um lado e o outro também. O Galícia ficou no meio disso aí prejudicado.
BN – E como fica a situação atual do time financeiramente falando?
RNR – A situação do Galícia é complicada porque você tem um time que passou praticamente sete anos fora de competições e você jogar hoje uma segunda divisão do campeonato, que é uma competição altamente injusta, em que você tem um gasto altíssimo, só sobe uma equipe. Quer dizer, agora está limitado para 10 (times) a partir deste ano, mas até o ano passado as 40 equipes que estavam inscritas no Campeonato Baiano da Segunda Divisão. Se disputassem, estariam disputando uma vaga só. E uma competição em que você tem custos. Só para inscrição se gasta R$ 10 mil, R$ 8 mil para inscrever o time no torneio. E você joga com adversários que quase em sua totalidade são do interior do estado. Cidades distantes. Juazeiro, Conquista, Guanambi, e o clube tem que arcar com todo este ônus. E é uma competição que não tem visibilidade. Pouco falada. Esse ano tomou um impulso por conta de o Vitória ter firmado uma parceria com o Galícia, e essa parceria dá um alento a nós, galicianos, porque é o Vitória quem está pagando a folha de salários dos atletas. Então estes custos nós já não estamos tendo. Então isso viabiliza bastante para o Galícia.
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BN - Como começou o contato da parceria com o Vitória?
RNR – O Galícia foi procurado pelo próprio Bahia no começo do ano antes mesmo do Vitória procurar a gente para fazer uma parceria este ano para colocar o Galícia na primeira divisão. Para tentar colocar, não é? Porque a gente está disputando é dentro de campo. A gente não pode afirmar que vai ganhar, mas esperamos que sim. Eu fui procurado pelo Bahia. Só que procurados nos perguntaram se nós tínhamos interesse em fazer uma parceria e o Galícia disse que tinha interesse. Só que depois eles silenciaram, não nos procuraram mais. E o Vitória no procurou e ofereceu algo de concreto. Eu liguei para a pessoa do Bahia que me procurou, agradeci, mas acabei fechando com o Vitória porque me procurou e eu estava em cima da hora. Tinha 25 dias para começar a competição (o baiano da segundona) ou pouco mais de um mês. Após as contratações nós tivemos 25 dias antes da competição começar, não poderia esperar mais do que isso. Então por que é que tanto o Bahia quanto o Vitória me procuraram? Porque eu acho que os dois foram inteligentes em ver que o Galícia é muito importante para o futebol da Bahia. Não só o Galícia como o Ypiranga. São clubes que são da capital. Nada contra times de interior. Eu acho que o futebol da Bahia tinha mais “glamour” quando tinha estes times. No passado se via muita rodada dupla, quatro times jogando numa tarde de domingo ou numa noite de quarta-feira. E o estádio cheio. Galícia e Bahia e Galícia e Vitória, o Galícia estando bem é um clássico aqui em Salvador. E enche estádio.
BN – E quais foram os termos da parceria? Com o que o Vitória entra e com o que é que o Galícia entra?
RNR – Nós temos uma parceria em que o Vitória está arcando com os custos de todos os atletas pra jogarmos o campeonato para tentar colocar o time na primeira divisão e o resto todo é com o Galícia. Toda a parte de viagem, hospedagem, alimentação, material esportivo, tudo é o Galícia quem banca. O Vitória está dando salário. Paga o salário de toda comissão técnica e do atletas. O resto todo o custo é com o Galícia.
BN - que tipo de atletas vieram para o time?
RNR - O Galícia contratou os atletas que no nosso entender foram os melhores atletas que se destacaram no futebol baiano da primeira divisão. Nós temos no grupo Sandro, o volante, que foi campeão pelo Colo-Colo, nós temos Jânio, jogador experiente, jogou em vários times grandes daqui. Renato Melo, que foi o terceiro melhor zagueiro do futebol baiano este ano, ficando atrás de Anderson Martins e de Nen. Carlos Magno, jogador que foi revelado pelo Vitória, disputado por vários times daqui, este ano jogou pelo Conquista. Temos Ricardinho, que foi o terceiro artilheiro do Campeonato Baiano e que estava jogando pelo feirense. Wescley, lateral-esquerdo do Itabuna, Lei,do Itabuna. E vários tantos outros jogadores que tivemos aí e que se destacaram no futebol baiano. E alguns jogadores que possam até a gerar o interesse do Vitória. O time quer observar o jogador mais de perto estando no Galícia. Tem a comissão técnica dele toda para observar isso. E outros vários jogadores que fazem parte do nosso elenco que já haviam despertado interesse do Vitória para disputar o campeonato baiano. E uma das coisas na parceria entre Galícia e Vitória é a preferência o Vitória pelos atletas do Galícia que se destacarem.
BN – Neste tempo de inatividade, a divisão de base do Galícia ficou bastante movimentada. Como é manter este trabalho mesmo em uma época em que não há quase dinheiro nenhum para investimentos?
RNR - É um pouco complicado a gente manter uma divisão de base porque com ela você tem poucas competições. Nós temos aqui um campeonato infantil e juvenil que começa e é disputado em dois meses do ano. Você treina a equipe o ano interno para jogar dois meses. Então como é que você mantém estes jovens atletas focados e interessados em jogar futebol? Só treinando e treinando para pouco jogo? E então você vai ter competições de nível nacional no Rio, em São Paulo, e se torna às vezes inviável para um clube de um porte pequeno como o Galícia hoje porque tudo isto é custo. Deslocar uma delegação para outro estado e passar lá de oito a quinze dias para jogar fora do estado se torna complicado. Então só clubes da primeira divisão do futebol do Brasil – e alguns de segunda – que têm uma condição de bancar isso. Como deveria ser tratada uma divisão de base? Tem que ter uma equipe treinada para disputar uma competição de igual para igual com vitoria e Bahia e isto é muito difícil porque lá eles treinam quase que profissionalmente nesses clubes. Jogadores de mais destaque com 16 anos de idade com esta Lei Pelé já tem que fazer um contrato sob pena e rico de você perder o atleta para qualquer outro time. E hoje o Galícia não tem a condição de trazer um atleta de outro estado para produzir um atleta enquanto ele é menor para botar pra jogar. Porque tudo isto hoje requer uma série de implicações. Então hoje na divisão de base do Galícia os atletas são todos daqui de Salvador ou jogadores que venham do interior mas que têm um parente aqui e vai para o clube somente para treinar e vai para casa. Não fica ninguém. Ninguém dorme nem mora no clube porque nós não temos condição de dar uma atenção que um jovem destes mereça. Quando tivermos, tem que ser feito com qualidade.
BN – Como é a rotina de treinos e de administração do time?
RNR – Na Lei Pelé, os times tem que estar em atividade pelo menos dez meses do ano. Então quem tem que dar condição para o time jogar são as federações dos estados porque, senão s e torna inviável. Você tem hoje um calendário que é feito pela CBF em que os campeonatos que ao feitos de primeira segunda divisão começam em maio. Então os campeonatos regionais tem de ser disputados no começo ou final de janeiro até maio. São quatro meses de competição no futebol de primeira divisão. Imagine então um time de segunda divisão que só tem alguns meses de atividades? Tem aí que se você colocar na segunda divisão eles nunca mais sobrem para a primeira. E olhe que o Galícia não é um time que esteja de todo desestruturado. Nós temos um campo de treinamento, nós temos uma concentração, que é uma cosia que a maioria dos times do interior não têm. Eles treinam nos estádios em que disputam as competições porque a prefeitura libera. E tem uma série de cosias que um time daqui de Salvador é prejudicado em relação aos do interior. Por exemplo: nós do Galícia,pra jogarmos em Pituaçu hoje, nós gastamos algo em torno de R$ 12 mil para colocar o estádio para funcionar por jogo. Porque Pituaçu tem um custo mínimo e R$ 6 mil para só abrir o estádio. Fora as outras taxas todas. Confecção de ingressos, quadro móvel da SUDESB e do clube, bilheteiro, policiamento, que é preciso alimentar, dar lanche. Quando termina um jogo desses você quase tem R$ 12 mil de custo. Os clubes que disputam pelo interior não têm custo nenhum. A prefeitura abre o estádio, o time joga, não gasta nada para colocar o estádio para funcionar. Hoje, com o estatuto do torcedor e Lei Pelé você tem que ter uma ambulância no estádio com médico, com enfermeiro. A gente solicita ao Samu a ajuda e eles respondem que a finalidade do Samu não foi feita para isto, para atender ao futebol. Mas quando a gente joga no interior todos os estádios tem lá uma ambulância do Samu. Então, que critério é esse? Então no interior a Samu tem um fim diferenciado do da capital? Então tudo para o Galícia é difícil tentando fazer futebol dentro de Salvador. É como se a coisa fosse toda feita para que não tenha um time jogando, só Bahia e Vitória.
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BN – Os espanhóis são os empresários que mais investem na Bahia atualmente, em especial em Salvador. Nenhum destes jamais procurou o Galícia, um time que é ligado e foi fundado pela colônia espanhol? O Galícia já procurou algum destes empresários?
RNR – Não, até porque, no passado, muita gente da colônia espanhola ajudava o Galícia, e muitos se desgastaram para ajudar e o Galícia não conquistava os títulos que se imaginava. Mas também na história do futebol no passado se via muita malandragem. Fora do campo de jogo, você via muita gente aí ganhando título você não sabe como. E existe até escritos de como se ganhava títulos, comprando arbitragens e tal, que é cosia até que é questionável no futebol porque os outros esportes, diferente do futebol, pode até acontecer malandragem, mas não com impunidade e como é gritante. Escreve-se até livro contando como é que se fazia isso. Não faz muito tempo, talvez há uns 20 dias, eu ouvia um noticiário no rádio e alguns atletas que disputaram as olimpíadas passadas foram pegos em novos exames antidoping com drogas novas que eles burlam o sistema e tal. Então todas essas medalhas dessas pessoas que ganharam estão sendo cassadas. O cara que tomou o doping para ganhar uma competição logicamente não merece ganhar porque ele está competindo em desigualdade com os outros. Hoje o Bahia quer unificação de títulos por causa do que conquistou em 1950, acho justo, mas e esses títulos que foram ganhos dessa maneira que todo mundo sabe como não deveriam ser cassados também? É uma questão de justiça ao passado do futebol também. Então essa dúvida do extra-campo dificulta muito você conseguir um patrocínio, um apoio. As pessoas dizem “ah, mas ajudar pra que, se no final você sabe que não vão ganhar? Se no final vai empenar pra um, vai empenar pra outro?”. Já tem aquela cosia do estigma de que a coisa tem que ser ou para um ou para outro e que você não vai ganhar nada. Mas também se a gente for baixar a cabeça e for esmorecer por conta disso é melhor sair do futebol baiano e aí vai acabar o campeonato. Eu acho que a coisa tem que ser feita, os clubes tem que ter uma estrutura de filmar seus jogos – o que o Galícia já vem fazendo atualmente -, tentar transformar. Ano retrasado o Galícia o patrocínio de uma empresa de material de construção espanhola e que se instalou aqui no Brasil e, pra nossa infelicidade, veio essa crise mundial e que pegou a Espanha e alguns países europeus em cheio, especialmente o ramo dele. A construção civil quase que parou na Espanha. Então a empresa sentiu muito e eles cortaram todos os investimentos que tinham em publicidade. Essa empresa que patrocinava o Galícia patrocinava simultaneamente o Racing Santander da Espanha. Logicamente que o patrocínio dela com a gente era menor, mas o deles foi cancelado também. Até do Racing eles cortaram o patrocínio. Era um patrocínio alto e o mercado não estava absorvendo o que eles esperavam para poder esses pagamentos diversos. Então suspenderam tudo, como várias empresas poraí de esporte que vem para o Brasil e bancam time de vôlei. Teve até time de vôlei que recentemente perdeu o patrocínio, não foi? É o que aconteceu com a gente também.
BN – Há uma notícia de que o governador Jaques Wagner teria feito um contato com o Galícia para, caso Salvador fosse eleita uma das sedes para a Copa de 2014, o Parque Santiago poderia ser usado como um dos campos de treinamento para as seleções. Isso realmente aconteceu?
RNR – Aconteceu. Ano passado o diretor-geral da SUDESB, Raimundo Nonato, o Bobô, entrou em contato comigo procurando saber as dimensões do campo do Galícia e que provavelmente o Parque Santiago seria um dos locais de treino de algumas das seleções que viessem para disputar a Copa do Mundo aqui em casa caso a Bahia fosse escolhida sede, o que acabou acontecendo agora. Então parece que os locais de treinamento serão Pituaçu, o Barradão, Parque Santiago e talvez o Fazendão também, porque eles querem uma coisa mais ligada a estrutura de estádio. Então o estádio sofreria uma reforma para que o estádio tivesse condição de abrigar as seleções. Mas oficialmente não tem nada, nada foi assinado com o Galícia. Houve somente um contato por telefone.

BN – Mas você espera que isso se confirme mesmo?
RNR – Esperar eu espero, porque de localização nenhum estádio aqui em Salvador é melhor do que o Parque Santiago (o estádio está no Iguatemi, próximo ao GBarbosa). Já pensou uma seleção da Espanha cai como sede aqui? Se ela vem jogar aqui em Salvador como cabeça de chave, possivelmente? Então nada melhor do que um time ligado à colônia, não é?
BN – E como está atualmente o Parque Santiago?
RNR – O estádio continua naquela coisa, não é? É uma das coisas que aconteceu para o Galícia e que o time para disputar o campeonato baiano de 95 dentro do Parque Santiago era um desejo da colônia espanhola e que acabou por acontecer, foi imposto a nós que as obras deveriam ser feitas por Pedro Lima Santos, que tinha uma empresa de engenharia e que tomou as obras do Parque Santiago, das quais ele recebeu todo o dinheiro para fazer e fez aquele papelão com o Galícia, não é? Inclusive um ex-vice-presidente do Galícia, quando teve lá passa assumir um cargo de patrimônio, ele disse “eu não assumo o cargo enquanto eu não vir a planta e a cara de quem está fazendo essa obra aqui, porque eu sou engenheiro e, pelo que eu estou vendo, a primeira chuva que der aí essa arquibancada vai descer. O corte do morro está errado, está tudo errado aí.” Dario Rego (ex-vice-prefeito de São Francisco do Conde), amigo meu, vice presidente na época. Acabou por aceitar o cargo na época, e dito e feito! E aí nos perguntaram se a o Galícia não ia processar a empresa e tal. Só que quando se procura a empresa, cadê? Faliu. Nos questionaram se a gente não ia colocar na Justiça, mas para que? As pessoas que estavam à frente (do time) na época sabiamente pensaram “vamos colocar dinheiro bom em cima de dinheiro ruim? Contratar advogado para tentar receber o que? De uma empresa que não tinha nada?”. E uma das coisas que foi imposta ao Galícia foi mais essa herança “maldita”. E as pessoas pegaram suas cosias, cada um foi para os eu lado, ninguém sabe por onde anda, como estão, e o Galícia ficou com essa coisa. Então para o time voltar e recuperar isso é preciso ajuda do poder público, porque o Galícia não tem condição de fazer.
BN - Quanto você acha que seria necessário gastar para recuperar o Parque Santiago nesses moldes de Copa do Mundo? Parecido com Pituaçu ou pelo menos com o Barradão?
RNR – Ah, seria preciso gastar muito dinheiro. Pituaçu, por exemplo, fala-se que se gastou em torno de R$ 50 milhões. Claro que também o estádio é uma coisa espetacular, de primeiro mundo. Chega lá e as instalações, as acomodações, são todas ótimas, o lugar da imprensa, o estádio é um espetáculo. Tá de parabéns quem, fez. O estádio está muito bonito. Mas o Galícia não tem condições de fazer nada parecido com Pituaçu. Acho que Vitória e Bahia não têm condições de fazer nada disso hoje, em termos de dinheiro, quanto mais o Galícia.
BN – E qual é o objetivo do Galícia hoje, além de voltar a disputar a primeira divisão do Campeonato Baiano?
RNR – Existe a coisa da promessa da Federação Bahiana de que, após o término da segunda divisão, vai ter um campeonato chamado Taça Governador do Estado. E o campeão dessa competição, que pode ser disputada pelos times da primeira e os três melhores classificados da segunda divisão, o time campeão tem uma vaga garantida na Série D do ano de 2010. Quem sabe o Galícia hoje, em 2009, alcançar a primeira divisão do Campeonato Baiano de 2010 e paralelamente também a Série D? Então essa parceria com o Vitória torna tudo mais interessante. Porque especula-se muito sobre se o Vitória vai permitir que o Galícia jogue com os jogadores deles quando for encontrar o Vitória em campo. Com a profissionalização das equipes – e o Vitória com mais de 40 atletas no seu elenco, muitas vezes paga salários a eles e não tem onde colocar os jogadores. O Galícia hoje disputando um campeonato de primeira divisão vai deixar o campeonato muito mais interessante, porque esses atletas são profissionais são preparados. E isso é bom para o Vitória também, porque o time estará jogando dentro de Salvador, vai poder aproveitar melhor os atletas dele, não vai precisar ficar espalhando pelo Brasil. E o presidente do Vitória, Alexi Portela, já garantiu que se há jogadores do Vitória jogando no Galícia e os dois times se encontrarem no campo, os atletas do Vitória vão jogar contra o Vitória sem nenhum problema. Não vai ter nenhuma restrição de cláusula de contrato, nada disso. Os atletas são do Vitoria, mas naquele momento eles estão jogando no Galícia e vão disputar normalmente.
