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Entrevistas

Entrevista

Márcio Martins

Por Éder Ferrari

Foto: Éder Ferrari

B.N – Hoje você é uma referência no rádio esportivo baiano. Por favor, conte para gente como foi sua trajetória.

Márcio Martins -
Fazia um curso técnico de administração de empresas no segundo grau e acabei fazendo estágio em uma emissora de rádio. Gostei muito e numa vaga que surgiu em Ipiaú, minha cidade natal, acabei trabalhando na rádio Educadora em 1987. Em 1990, as emissoras do interior fizeram uma rede que foi adquirida pelo então empresário do rádio, Pedro Irujo. Nessa época, o diretor da rede nordeste de comunicação era Djalma Costa Lino e ele fazia toda a fiscalização e administração das rádios do interior. Em uma dessas viagens ele me viu trabalhando e perguntou se eu não queria vir trabalhar em Salvador. Eu disse que queria, sim, e que já estava indo para Salvador para estudar e com essa chance poderia antecipar a vinda. Acabei vindo em 1990. Comecei no jornalismo da rádio Sociedade. Em 1991, me chamaram para a equipe de esportes que na época era a mais forte, a melhor. Fiquei um ano no plantão esportivo fazendo reportagens. Em 1996, fui para a rádio Cultura e depois rádio Cristal, mas já com um negócio meu, já que eu não queria mais ser funcionário de rádio alguma. Montei minha empresa, passei pela 104 FM, antes de retornar para a Transamérica, já havia passado pela emissora em 2003, quando Zé Eduardo veio para TV Aratu e surgiu a possibilidade de fazer um programa com ele.

B.N Como você chegou na TV e na presidência da Associação de Cronistas Esportivos?
 
Márcio Martins
– A TV surgiu meio que nesse intervalo de tempo que eu estava no rádio, mas eu já tinha feito na TV Itapoan reportagens de esporte para Raimundo Varela. Entrei também no “Balanço Geral” quando Zé Bim teve um problema no coração. Depois fiquei um bom tempo fora da TV, voltando para ser comentarista do no “Campo do 4”. A ABCD surgiu quando o doutor Jorge Vital de Lima declarou na Fonte Nova que não queria ser mais candidato. Eu disse que se ele não tivesse nada a se opor eu seria candidato. Nossa chapa foi vencedora com 104 votos contra 4, graças a Deus, e hoje eu sou o presidente da ABCD, apresento o “No Campo do 4” e tenho a equipe de esportes da Transamérica.

B.N Seu programa de TV está sempre mudando de horário. Agora você está no mesmo horário do seu amigo e parceiro Zé Eduardo que é líder de audiência. Tem medo de perder seu público para ele?

Márcio Martins
- Não há uma concorrência direta, já que o meu programa é esportivo e o dele é geral, popular, um programa totalmente diferente, mas a gente sabe a força que Zé Eduardo tem na Record. Mas, independente disso temos nosso público aqui. A TV Aratu nos dá um espaço muito grande, inclusive era praticamente o único aqui da Bahia, com exceção do Globo Esportes Bahia, que tem um tempo muito curto. Só agora que a Band está lançando um programa. Temos o maior espaço, a própria Record tem uma participação muito pequena durante o programa de Varela, então a gente só tem crescido independente do horário. Na rádio Transamérica, eu e Zé divergimos bastante até de pensamento mesmo. Mas, essa é a receita do sucesso. Eu tenho que falar o que penso, ele fala o que pensa e a briga fica ali no ar. A questão é de opiniões e experiências no futebol, que eu tenho muita e ele nenhuma. (risos).

B.N Falando de amigos, como anda sua relação com o restante da imprensa esportiva baiana?

Márcio Martins
- Tenho muito mais amigos do que inimigos. Hoje eu diria que tenho poucas pessoas que não gostam de mim e eu também não faço a menor questão que gostem, porque eu também não gosto delas. Mas, com nenhuma delas eu procurei brigas, nenhuma delas eu fui o causador dos problemas. Eu sempre defendo algumas situações e essas pessoas normalmente estão defendendo pessoas que eu bati ou briguei, através do rádio. Um exemplo é um cidadão que tem aí na mídia que defendia Marcelo Guimarães e eu batia de frente por não concordar com os métodos que ele utilizava no Bahia. Hoje, Marcelo está fora do Fazendão, não tenho amizade, não falo com ele há mais de um ano, mas sempre que ele me vê me trata bem e o cidadão é meu inimigo. Eu fui defender o meu modo de pensar em relação aquilo tudo, a torcida que eu defendia, já que cobria o dia-a-dia do Bahia e ele foi defender o patrão dele. Então hoje somos inimigos e eu tenho até dois processos contra ele, porque ele mentiu a meu respeito. Eu tenho uma convicção que é minha e eu não vou mudar; eu não procuro briga, mas também não fujo dela. Se alguém falar de mim vou dou o troco na mesma altura ou muitas vezes pior. Então isso às vezes me causa alguns problemas, mas que eu não tenho medo não. Eu acho que a democracia está ai para ser discutida em todos os âmbitos, mas se não tiver respeito por mim eu não tenho porque respeitar. Mas, tenho muito orgulho dos amigos que tenho e o resto a gente resolve como tem que resolver.

B.N Você cobre o Bahia há bastante tempo. O que você acha que levou o clube a atual situação vexatória?

Márcio Martins
- A palavra é planejamento. Eu comparo sempre na rádio com o Fluminense e o Internacional. O primeiro porque esteve numa situação igual ou até pior que o Bahia na Terceira Divisão e o segundo que perdeu a final do Brasileiro de 1988. Aí você vem pra dez e vinte anos depois: o Inter já foi campeão mundial, é um dos times com o maior número de sócios no mundo, divisão de base que é uma potência, enquanto o Fluminense está disputando final de Libertadores, com um centro de treinamento fantástico apenas para a base. O Bahia continua cada vez pior, sem conquistar títulos há sete anos, com uma estrutura totalmente defasada. E se você não investe na solidez da sua estrutura você vai desgastar com o tempo. E o Bahia está desgastado por falta de um projeto de existência, de sobrevivência, sem planejamento para o que vai fazer em 2009, 2011, 2012 e uma meta até 2015, por exemplo. Então isso tem levado o Bahia a uma decadência em sua estrutura que está levando ao pior que pode acontecer com um clube que é perder seus torcedores. E o Bahia está perdendo, sim, a paixão dos seus torcedores. Tem gente que não pára mais na frente da TV para assistir o time, não conhece os jogadores. Eu vi isso acontecer com o Vasco da Gama, que sempre foi um clube simpático e que passou até a ser odiado por causa do Eurico Miranda, que transformou a instituição na sua cara e ninguém quer isso. No Bahia está acontecendo até pior porque não existe nada mais terminal para um time do que perder sua torcida.

B.N Eurico acaba de deixar a presidência do Vasco. Você acha que a solução para o Bahia seria a mudança dos dirigentes?

Márcio Martins
– A situação do Bahia é diferente. O Vasco ainda tem a questão do voto, você tem uma eleição que de qualquer forma privilegia quem quer se candidatar. No Bahia não, porque a eleição no conselho não dá margem para a oposição. Você pode até dizer que um candidato tem dez, quinze votos, mas não representa nada. Até porque mesmo tendo esses votos ele não poderá contar com eles no conselho. Então se a eleição no Bahia em 2011 se concretizar sendo direta, pode mudar muita coisa sim. Eu digo até na questão democrática do clube. Mas, o Bahia hoje é intransponível; ninguém entra, ninguém sai, a não ser que as pessoas que estejam lá dentro queiram deixar a direção, mas eles já deram muitas provas de que não pretendem fazer isso tão cedo.

B.N Márcio, falando francamente, você pretende ser presidente do Bahia?

Márcio Martins
- Não, não pretendo ser candidato a presidente do Bahia, principalmente na atual conjuntura. Eu prefiro, no exato momento que estou falando com você, continuar como presidente da ABCD, que é apenas de um mandato. Não pretendo me reeleger, mesmo sabendo que estou fazendo um bom trabalho. Tenho uma empresa que acho que está tendo sucesso que é de assessoria esportiva e marketing e que administra o esporte da rádio Transamérica. Na TV Aratu, eu tenho a confiança de todos desde a produção até os donos da empresa, que me respeitam muito e gostam do meu trabalho. Portanto, sair agora para disputar uma eleição no Bahia sem a menor chance de ganhar seria me desgastar, colocar minha boa situação hoje de lado, para virar vidraça, receber críticas sem necessidade. Agora não é o momento. Um dia quem sabe, não tenho projeto para ser dirigente de clube de futebol. Mas, se não surgir um nome que eu ache competente, com a torcida votando, elegendo, aí sim eu acho que tenho condições. Pensaria em me associar, em concorrer, desde que eu entenda que não tem um candidato à altura. Mas apenas se a torcida puder votar.

B.N Em seu programa na Transamérica, você afirmou que seria candidato caso o jornalista Nestor Mendes Júnior entrasse na disputa. Continua pensando dessa forma?

Márcio Martins
- Se ele for candidato, aí eu sou também. Não tenha dúvidas disso! Eu não vou deixar. Às vezes as pessoas vêm para o meio e começam a fazer agressões gratuitas como ele fez a mim no Fazendão; eu não conhecia esse lado dele, mas ainda bem que eu conheci. Depois dessa informação que eu tive, depois das agressões que ele fez, não foi física não, porque se fosse ele levava também, foram verbais e eu respondi na mesma medida. O que ele falou de mim eu falei dele, mas com argumentos verídicos. Portanto, foram agressões de um desesperado, um descontrolado, que não tem a menor condição de assumir um clube como o Bahia. Então se ele for candidato, não tenha dúvida, no outro dia eu registro uma chapa e sou candidato contra ele.

B.NO que você acha que precisa mudar no Bahia?

Márcio Martins
- Mudar tudo!!! O Bahia tem que parar agora e fazer o planejamento para o ano que vem. Está disputando o campeonato e o time está aí, até porque, pelo que eu estou vendo, apenas o Corinthians é referência e o resto é japonês. Eu falo do Corinthians, mas ano passado eu vi o Criciúma fazer uma campanha dessas e ficar pelo caminho, mesmo sabendo da estrutura e da força midiática do Corinthians. Também falei que é tudo japonês, mas eu vi esse japonês meter 4x1 no Bahia. Então esse ano tem que ser. Seja o que Deus quiser, contratar um ou outro jogador de referência que eu não vejo no mercado com a condição financeira que o Bahia tem. Mas, parar e dizer assim: - bom eu tenho que apostar aqui na minha divisão de base; na busca dos garotos da base que o Bahia perdeu; e na busca por parceiros de confiança, de credibilidade. O que precisa: apoio da imprensa, apoio irrestrito do seu torcedor, através da confiança, da credibilidade de quem administra, e acima de tudo buscar torcedores que são empresários de grande capacidade administrativa, financeira para apostar. Eu vou apostar e vou trabalhar aqui. E abrir o clube para as pessoas que querem ajudar de forma controlada. Por exemplo, você ajuda num projeto emergência que é o time que está aí, um projeto para montar o time do ano que vem, já vendo agora na Série C, B e A quem vai contratar. Em seqüência, para dois anos, três anos e planejar o clube. Fora isso, aí vai ser sempre o time do próximo jogo. Bahia de hoje é o que perdeu do Juventude, aí a repercussão é uma, o Bahia agora é o que pode ganhar do Avaí, que pode ganhar do CRB. Então cada jogo é uma história para encobrir a merda que está aí e o torcedor não agüenta mais isso.

B.N O ex-presidente Paulo Maracajá tem dito que irá se candidatar nas próximas eleições. O que você acha disso?

Márcio Martins
- Nessa próxima eleição, se Maracajá concorrer com qualquer um ele ganha, na conjuntura do estatuto que está aí é fácil demais para ele. Mas, não vai mudar nada ele entrando ou não, porque o grupo é o mesmo.

B.N- Você tem uma escolinha para formação de jogadores em Ubatã. Como você lida com a provável carreira desses garotos?

Márcio Martins
- Algumas pessoas até condenam. “Ah, você tem jogador de futebol”. Eu tenho uma escolinha de futebol que é legítima, registrada, tenho um sócio que é um parceiro sensacional, que é um olheiro de primeira. Que não trouxe até hoje um jogador para Salvador que tenha retornado porque foi dispensado por ser ruim de bola. Temos duzentos garotos e em quatro anos temos nove jogadores no mercado. Eu acho que nenhum clube do futebol brasileiro recebeu tantos jogadores de qualidade em tão pouco tempo como a “Sport Gol”, em Ubatã. Qual o projeto que eu tenho? Primeiro, era montar a escolinha, montamos. Depois você se envolve com os problemas dos garotos e suas famílias. Eu tenho um jogador que às vezes as pessoas não sabem como. Esse zagueiro Ramon, do Bahia, que viajou agora para a Holanda, as pessoas dizem: “ah, ele é jogador de Márcio Martins”. Não é. Ele tem um empresário holandês que cuida da carreira dele, que é parceiro da nossa empresa que cuida do marketing dele, da assessoria de imprensa dele. Tem  uma pessoa que começou aqui comigo que é o Leni Franco,  e agora está em São Paulo, na empresa Total Football Agency, uma filial do empresário agente FIFA. Eu não tenho nenhum jogador que não foi revelado pela escolinha. 
 
B.N
Então, como funciona esse seu trabalho?  

Márcio Martins
- Eu acho que estamos trazendo novos valores para o nosso futebol. O que muita gente faz aí, empresário de jogador de futebol, é o seguinte: tá aqui Ananias, por exemplo. “De onde é esse jogador? Você tem empresário meu filho? Tome aqui dez mil, meu filho, que eu vou te empresariar”. Quem dá dez tira cem. Esse não é o nosso caso. Eu nunca procurei nenhum tipo de informação sobre um jogador que não é da nossa escolinha. Agora, todo jogador que é da Sport Gol nós temos total controle. Porque a família confia na gente, entrega seu filho com doze, treze anos de idade.

B.N- Como você apenas forma o atleta, qual a maneira de colocá-lo no mercado profissional?

Márcio Martins
- Normalmente a via é o Bahia. Mas por que é o Bahia? Porque eu cubro o Bahia, estou lá todo dia. Gosto do trabalho que a gente tem com eles. Essa empresa nossa, do meu sócio lá em Ubatã, a parte dele ele dá: polpa de fruta todo mês, o suco do Bahia é da nossa empresa; cem quilos de frango todo mês; a assistência dentária dos nossos nove jogadores quem dá somos nós todo mês, o Bahia não paga nada aos jogadores a não ser parte do treinamento, estudo, médica que é uma obrigação do clube que dá essa assistência para todos os jogadores e não tinha porque não dar para os que vem da minha escolinha. Já colocamos no mercado Ramon Rodrigues, que rendeu ao Bahia 550 mil Euros, já recebeu uma parte e a outra virá agora em agosto quando o garoto se apresentar na Holanda com 18 anos. Ele foi vendido ano passado sem dar um chute na bola no profissional do Bahia. Ninguém conhecia o jogador. Aí, dizem. “Márcio Martins tem contrato com Ramon”. Não tenho e não tenho porque não quero deixar o rádio para ser empresário de jogador, porque acho isso sem graça. Por isso, fizemos a parceria com o empresário holandês para não misturarem as coisas. 
 
B.N
Quais são os outros jogadores da sua escolinha que já estão em clubes profissionais?
 
Márcio Martins
- Bruno Lopes chegou aqui no Bahia com treze anos de idade e não tenho dúvida que terá uma carreira de sucesso no futebol. O atacante Cleiton e o goleiro Camal, titulares do juvenil; Marquinhos (juvenil); Daniel e Lucas no infantil; Rafael Macena que está voltando agora é do Bahia e estava emprestado ao Votoraty, onde foi titular por dois anos no profissional com apenas 18 anos. Wladimir goleiro da Seleção Sub-19 e que está no Santos. Então, são garotos nascidos, criados em nossa escolinha e que vieram para o clube com muita pouca idade e que tem tudo para fazer sucesso. Muita gente diz “ele fala que é assessor da empresa”. Eu sou o dono, o proprietário, está lá na junta comercial para quem quiser ver. Sport Gol Assessoria e Marketing LTDA, eu sou o sócio majoritário da empresa sem nenhum tipo de esconderijo, subterfúgio até porque é muito claro, o site está ai: sportgol.com.br. Está até em reforma, mas é o site que você vê os jogadores que a gente trabalha, mas todos formados com dez, doze anos de idade. O que aconteceu agora, por exemplo, e teve até a presença do presidente da Federação Bahiana de Futebol, Ednaldo Rodrigues, em Ubatã e viu, foi uma qualidade fenomenal de quatro equipes de infantis, de meninos nascidos em 1996, quer dizer, meninos com doze anos de idade e a nossa escolinha foi a campeã. Mas, teve o maior sucesso a garotada jogando bola como gente grande, com noção de espaço de campo e Ednaldo anunciou a primeira copa de escolinhas da Bahia organizada pela FBF e isso valoriza e muito nosso trabalho.

B.N Não acha que isso pode confundir a torcida. Ela pode achar que você está de alguma forma favorecendo os jogadores da sua escolinha quando for criticar o trabalho dos treinadores?

Márcio Martins
- É um direito do torcedor. Mas eu, por exemplo, vejo que o problema do Bahia não é treinador não. Eu vou bater nesse ou naquele treinador independente do jogador que ele escalar porque minha preocupação é o Bahia. Como é que eu não vou cobrar? Comparar um jogador como Ramon, que estava aí à disposição, e trazer Santiago é uma vergonha. Um técnico como Louis Van Gaal (ex-treinador de Ajax, Barcelona e Seleção Holandesa) do Az Alkmar, da Holanda, aprovou Ramon e já colocou no elenco profissional a partir de agosto quando retorna a temporada. E no Bahia o cara não tem chance de jogar porque preferem trazer Santiago ganhando R$ 4 mil para dar um chute na bola, enquanto Ramon ganhava R$ 450,00. Esse tipo de relação eu vou fazer sempre, sendo nosso jogador ou não. Por exemplo, o atacante da base Paulo Roberto e Pantico. A diferença está no salário. O garoto pode até não ser um grande jogador, agora melhor que Pantico ele é, mas preferiram Pantico. Então esse tipo de política eu vou criticar sempre. Paulo Roberto eu nem conheço, não sei nem de onde veio. Conheço apenas da base porque eu acompanho a base do Bahia porque estou lá todo dia e é o meu trabalho, além de gostar muito da divisão de base.

B.N Você parece um entusiasta do trabalho de base.

Márcio Martins
- Se você me perguntar se eu queria ser presidente do clube ou da base eu te diria que prefiro ser da base. Desde que tenha estrutura para ver o jogador crescer e dizer “esse aí você pode colocar que é bom de bola e vai render”. Então eu tenho certeza que amanhã o torcedor vai entender a nossa política propriamente dita em relação ao Bahia.

B.N A maioria dos garotos da sua escolinha vem para o Bahia. Se o Vitória te procurar buscando jogadores você colocaria no Rubro Negro?

Márcio Martins
- Tem um jogador, por exemplo, que o Vitória está querendo, mas ele está no Bahia. Eu não tenho como negociar até porque eu estou afastado dessa questão, porque eu não tenho essa conversa de um lado pro outro porque eu não sou empresário eu não tenho a noção de como se faz esse tipo de negócio. Tanto é que o Richard Mettes (empresário holandês) está vindo para o Brasil para resolver o problema de Bruno Lopes, que não está de contrato renovado. Está livre, a hora que quiser assina com qualquer clube, no entanto, até agora preferiu ser ético e esperar pelo Bahia. Porém, não está satisfeito, sei que não está, até porque além de não ser valorizado, não está jogando e isso é um critério do treinador. Com Paulo Comelli ele também não estava jogando, jogou apenas meio tempo e também não estava satisfeito e nem por isso eu cobrei nada. Nem critiquei Arturzinho até agora porque ele está voltando seis meses depois de ter saído e está encontrando um time pior do que deixou. Um time de Terceira disputando a Segunda e eu acho que isso não é culpa do treinador. Se o Bahia não subir ou cair para Terceira, Arturzinho não terá culpa, já que a gente sabe de quem ela é.

B.N- E de quem é a culpa?

Márcio Martins
- Única e exclusivamente da forma ultrapassada de trabalhar dessa diretoria.

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