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Entrevistas

Entrevista

Renê

Por Glauber Guerra

Foto: Betto Jr/ Ag Haack / Bahia Notícias

O entrevistado da Coluna Esportes desta semana é o ex-goleiro do Bahia, Renê, que atualmente defende o Barueri. Em conversa com o repórter Glauber Guerra, o arqueiro falou da punição que recebeu pelo uso da substância diurética furosemida, contida no remédio Lasix, utilizado para controlar a pressão. Ele ainda falou sobre sua passagem no Tricolor Baiano e revelou que não aceitaria uma proposta do Vitória. Confira.


Bahia Notícias - Após um longo período afastado dos gramados, você retornou ao Barueri, clube que tem muito carinho. Como foi esse momento longe de tudo?
Renê
- O momento foi muito difícil, ficar um ano sem poder atuar. Sofri bastante, mas serviu de lição.

BN - Você ainda atuava pelo Bahia quando foi punido. A diretoria baiana deu a você a assistência necessária ou acha que faltou mais apoio?
Renê -
Meu contrato foi cumprido. Eles tinham até o direito de rescindir. A diretoria batalhou o tempo todo para derrubar a pena e eu cumpri meu contrato normalmente com o Bahia. Acabei até ficando dois meses a mais do contrato, na condição que a pena fosse derrubada. O Bahia me deu todo o apoio possível e necessário.
 

 
BN - Nessa história toda, o mais interessante foi que você recebeu a punição pela mesma substância utilizada pelo nadador César Cielo. Contudo, o mesmo foi absolvido na Corte Arbitral do Esporte (CAS). Acredito que essa revolta não sai de dentro da sua cabeça.
Renê -
É uma mágoa que eu guardo. O que eu fiquei mais surpreendido foi com a desigualdade de tratamento. Mas, isso serviu de lição para minha vida.

BN - O que fez durante esse período de inatividade profissional? Li que sempre mantinha a forma para voltar 100% fisicamente. 
Renê -
Eu treinei boa parte no Bahia e depois voltei a São Paulo. Fiquei fazendo algumas coisas paralelas, e fiquei dois meses parado. Fiquei focado no trabalho social que desenvolvo, depois teve outra chance da pena ser derrubada e retornei a Salvador. Fiquei 21 dias treinando, enquanto o Bahia lutava judicialmente, mas infelizmente o resultado final não foi satisfatório. Retornei a São Paulo e 15 dias depois fui treinar no Barueri, clube que tenho muito carinho. Quando acabou a pena, recebi o convite do Barueri, e aceitei. Até que na partida contra o Duque de Caxias retornei aos gramados.

BN - Já que você falou em trabalho social, você mantém uma instituição para crianças carentes. Mantê-la durante esse período acredito que tenha sido bastante complicado...
Renê -
Com certeza. Principalmente a parte psicológica das crianças. Elas ficaram tristes com o acontecido. O que mais marcou foi a diferença de tratamento. Eles sempre questionavam. Mas hoje todos estão felizes, já voltei ao futebol e isso foi superado. Quero agradecer a Prefeitura de Barueri, que contribuiu com o meu trabalho social, quando perdi os meus patrocínios, e agora é buscar correr atrás do tempo perdido.
 

BN - Sente saudade de Salvador e da torcida do Bahia?
Renê -
Isso ai é minha vida. Sinto muita falta e desejo um dia voltar e sentir a vibração da torcida do Bahia de perto. Um dia, se Deus quiser, estarei aí novamente.

BN - Você criou uma identificação muito grande com a torcida tricolor. Mas aqui na Bahia e em todo o Brasil, temos casos de jogadores com essa identidade vestindo a camisa dos principais rivais. Se houvesse uma proposta do Vitória, aceitaria sem problemas?
Renê - Olha só, somos profissionais. Mas pelo carinho que eu tenho com o Bahia e sua torcida, não cairia bem. Neste caso aí, eu preferia não aceitar.

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