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Coluna

Explicações

Por Éder Ferrari

Queria tratar neste artigo sobre a transição da divisão de base para o profissional, já que o Bahia promete iniciar a temporada de 2013 com dez a doze garotos. Ou, mais uma vez, sobre a já utópica mudança no Estatuto do Esporte Clube Bahia. Entretanto, essas pautas terão de ficar para os próximos. São precisos alguns esclarecimentos do texto passado. Eu sabia que levantaria polêmica ao citar nomes de jogadores referências no atual elenco, mas esperava entendimento da análise. Não sou dono da verdade e usei argumentos misturados entre a razão e a emoção. Talvez não seja o melhor caminho, todavia foi o mais sincero possível naquele momento. Acredito que não consegui ser claro como imaginava. Por isso essa retomada no assunto. Em momento algum disse que dispensaria Neto, Titi, Fahel e Souza. E quando falei que os liberaria em caso de propostas, era, obviamente, por já visualizar melhores opções sem o ranço de duas péssimas temporadas nacionalmente do tricolor! Neto só jogou esse ano. Não é tão difícil como vocês imaginam. Por vias das dúvidas é melhor ser específico. 
 
Vamos caso a caso. Neto conseguiu dar conta do recado e mostrou ter estrela. Em uma das piores atuações dos 19 jogos que fez com a camisa tricolor, conseguiu marcar o decisivo gol contra a Ponte Preta. Bate bem na bola, seja parada ou rolando, e tem uma boa noção de marcação. Deixa alguns buracos, mas não é uma avenida. Em contrapartida, é lento, toma muitos cartões, centraliza quase sempre e não vai à linha de fundo. Os cruzamentos saem da intermediária. Está longe de ser descartável e não seria ruim a permanência, contudo vejo opções melhores por aí. Com a possibilidade de trazer um jogador teoricamente melhor, não veria problemas. Por isso o “a princípio ficaria. Fez um bom campeonato, mas se aparecer uma boa proposta não pensaria duas vezes em liberar”. 
 
 Fahel é raçudo, líder positivo e, na bola parada, é realmente muito bom. Fez seis gols no Brasileiro e poderia ter feito mais, não fossem os méritos dos goleiros adversários. No entanto, na frente de zaga, deixa a desejar. Sei que pode parecer uma intenção de diminuir as virtudes do jogador, mas imaginem as atuações de Fahel sem os gols. Se atenham apenas a função de proteger a defesa e iniciar as jogadas. Por se posicionar mal, faz muitas faltas desnecessárias e leva cartões na mesma proporção. Foram 13 na Série A. Na saída de bola é burocrático e, ainda assim, erra demais! Vive cruzando bolas na intermediária defensiva quando o time sofre pressão. Porém, os gols fazem parte do pacote e por isso merece boa parte da moral que tem. O que não o torna inegociável. Foi isso que eu quis dizer. 
 
O caso de Titi têm dois aspectos. O primeiro dentro de campo. É um dos que mais se esforça. Tem o estilo xerifão, brigador. Talvez daí venha à valorização dos tricolores. No mano a mano é muito bom no desarme. Porém, se posiciona mal, tem dificuldades na bola aérea e é desatento e displicente no passe da saída de bola. Quantas vezes tocou a bola nas costas de Jussandro, por exemplo? No primeiro semestre ele foi muito mal. Não foram poucas as falhas. A posição de titular foi questionada por muitos. No segundo, principalmente após a saída de Falcão, começou a melhorar. Com Jorginho, Titi atingiu uma regularidade positiva, mas nada que justifique tamanha adoração. É um bom jogador e não um craque. O segundo aspecto é fora de campo. Mesmo capitão, é uma liderança negativa. Não concordo com o comportamento e o posicionamento que teve em muitas questões. Serve mais para rachar do que unir.
 
O Bahia teve o pior ataque da Série A junto com Ponte Preta e o rebaixado Atlético-GO. Foram apenas 37 gols em 38 jogos. A principal referência ofensiva é Souza. No Baiano o Caveirão jogou 15 das 26 partidas e marcou 18 gols. No Brasileiro foram 19 participações nas 38 rodadas. Redes balançadas oito vezes. Na Copa do Brasil o tricolor atuou sete vezes e contou com o artilheiro apenas na estreia, contra o Auto Esporte. Fez um dos três tentos do triunfo por 3x0. No total, 71 confrontos e Souza participou só de 35. Ou seja, menos da metade. Pelo número de atuações, os 27 gols ficaram de bom tamanho. Em 2011 já tinha desfalcado muito também. Jogou os mesmos 35 (18gols), mas em um total de 64. 
 
É conhecido que Souza tem um dos maiores se não o maior salário do elenco tricolor. Se o “Caveirão” fosse um cara que se cuidasse, até daria para relevar e colocar no acaso, mas, infelizmente, não é o caso. O Bahia não pode se dar a esse luxo, ainda mais que as lesões foram musculares. E terminou o ano com outra contusão. Difícil imaginar que 2013 seria diferente, ainda mais com o calendário tão apertado. Corre o risco de ser até pior, uma vez que já entrará a temporada se recuperando de problema na coxa e estará um ano mais velho e mais rico. A gratidão a Souza deve existir sempre. A dependência não! 
 
Se daria resultado ou não é muito subjetivo. Não existe nada que garanta o meu pensamento ou de quem imagina o contrário esteja correto. Só o tempo diria ou dirá. O que eu faço é argumentar em cima de uma análise ampla e não apenas do segundo turno da Série A, como quer o presidente Marcelo Guimarães Filho. A perspectiva também precisa ser pensada. Passado, presente e futuro entram no contexto, a meu ver. Espero que tenha conseguido explicar dessa vez. Alguns continuarão achar extremismo ou maluquice. Até entendo, mas não consigo ficar satisfeito com tão pouco. Por isso mesmo fiz questão de falar a respeito de outros departamentos e não apenas do campo. Não existe fórmula pronta. Manter a base? Mudar tudo? Colocar garotos das divisões de base? Trazer medalhões motivados? Contratar jogadores em alta? Buscar promissores em ascensão?  Várias metodologias que já deram certo e errado. É tudo muito relativo, mas é importante não ter a cabeça fechada e medo de mudar para crescer. Sempre com critério e bom senso.  

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