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Coluna

O BAHIA É FAVORITO, MAS FAVORITISMO NUNCA GANHOU JOGO ALGUM

Clássico condimentado
Por Edson Almeida
 Um bom clássico é como uma comida típica, que sempre tem sabor de festa e alegria. Mas, para qualquer prato ser saboroso, é fundamental que esteja sempre muito bem temperado de todos os ingredientes, porque do contrário pode ficar insosso, desenchavido, com gosto de ressaca e clima de mormaço.  
 O Bahia, que não jogou bem contra o Flu de Feira, empatando um jogo que até poderia perder, continua sendo, dos dois grandes da capital, o time mais ajustado, que tem maior equilíbrio entre suas linhas e, por isso mesmo, leva novamente o favoritismo para o grande jogo – mas, agora, o Vitória já demonstra alguma reação e pode até se firmar definitivamente como o clube que mais investiu e que, antes da bola rolar, era o maior de todos os favoritos. O segundo tempo contra o Itabuna foi alentador.
 Éstou certo que algum torcedor tenha estranhado a afirmação que, dos dois grandes da capital, o Bahia é o melhor. Por que não mais de todo o campeonato? Porque seria um desrespeito ignorar a ótima campanha do Vitória da Conquista que, em percentuais, é o melhor de todos os concorrentes. O time do sudoeste leva uma pequeníssima vantagem sobre o Bahia, mas leva: tem 25 pontos em 12 jogos (36 pontos disputados), o que lhe dá uma eficiência de 69,4%, e o tricolor, que é o líder em números absolutos, está com 27 pontos, mas em 13 jogos (39 pontos disputados) e um aproveitamento de 69,2 %. Coisa de dois décimos, mas como recebi uma comunicação eletrônica de Conquista, não custa nada informar isso, até porque o Conquista vai jogar domingo (24), em seu campo, contra o fraquíssimo Poções e o Bahia enfrenta a pedreira do clássico.
 O primeiro tempo rubro-negro foi igual aos jogos anteriores: futebol burocrático, de muitos toques, de nula objetividade, um futebol estéril. Toque dali, toque daqui, tentativas frustradas. De repente, o treinador Vadão, que entrou com um time de meio-campistas, do primeiro volante ao último atacante (Vanderson, Ramirez, Bida, Jackson, Danilo Rios e Índio), teve despertada a lucidez de colocar um atacante nato em campo, o Michel, e aí o jogo fluiu: Índio passou a jogar como pivô, Danilo Rios passou a fazer ótimos lançamentos, Michel sempre abrindo pelas extremas e Jackson fuçou todos os setores, desarmando, armando, tabelando, fazendo dois dos seis gols. E os outros quatros foram realmente de quem se projetou no novo esquema: Índio, Bida, Marcelo Silva e o próprio Michel. Aí as merecidas vaias do intervalo se transformaram em aplausos e confiança – ou, pelo menos, uma expectativa mais positiva.
 A boa impressão deixada pelo campeão no segundo tempo é que, agora, bem diferente dos outros jogos, ele atuou com a personalidade de um time grande, que sempre deve ser insaciável e procurar converter sua superioridade em gols. Além deste jogo, só vi o Vitória com tanta fome de bola na partida contra o Juazeiro quando, também, meteu outra goleada. Há os que dizem que o time não tenha jogado mal o Ba-Vi, mas o assédio que fez do goleiro Darci o melhor em campo me pareceu construído de forma muito inconseqüente.
 Uma coisa está bem clara e definida: o clássico programado para Feira irá determinar realmente o verdadeiro termômetro do campeonato. Não sou daqueles que antecipam uma crise na Toca, mas se o Vitória voltar a jogar sem brilho e sofrer outra derrota, muita coisa tem que ser reavaliada pelos dirigentes e por Vadão – e o Bahia, que se encontra em posição muito cômoda, ou aumenta as suas chances ou terá o tempo e a folga de pontos suficientes para retomar a sua condição de maior favorito desde que a bola rolou.
 Vou repetir o que disse antes do primeiro clássico: o Bahia é favorito, mas favoritismo nunca ganhou jogo nenhum. Nem em Copa do Mundo. ¡

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