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Coluna

Escudo

Por Éder Ferrari

Não consigo lamentar a demissão de Mano Menezes. Por tudo sem sentido que ele fez e o muito que deixou de fazer, não tinha como ser diferente. Entretanto, verdade seja dita. Finalmente, o treinador havia chegado a um padrão de escalação e o time começava a apresentar uma cara otimista para 2014. Esqueçam as aberrações dos clássicos contra a Argentina. O importante era o grupo principal, apesar de atrocidades como Thiago Neves. Hoje, pelo menos na escalação, a minha seria basicamente a mesma do fim da “Era Mano Menezes”. Na verdade, quero dizer que houveram uns 200 momentos mais coerentes para a demissão do técnico. Muitos disseram antes tarde do que nunca. Difícil discordar. Eu teria tentado Guardiola, Marcelo Bielsa ou Guus Hiddink. Deve ser coisa de quem não é patriota, que não valoriza as coisas do país, não é, Marin? Coisa de pessimista. Ufanismo barato da CBF!
 
O fato é que Mano Menezes não tinha apoio quase nenhum dos brasileiros. O carisma é perto de zero! E com tanta coisa acontecendo politicamente, os velhinhos bostéticos da CBF precisavam de um escudo quase impenetrável. Uniram os dois últimos campeões para substituir os insossos e desacreditados Mano e Andrés Sanchez. Felipão e Parreira têm a força popular e, principalmente o primeiro, dá a cara para bater e bate de volta. Como aconteceu com Dunga. Na preparação para a última Copa Mundo, tudo de bom e ruim em torno da Seleção, caia no colo do treinador. Ele foi o culpado e ponto final! Querem repetir a fórmula para o bem ou o mal. Se ganhar o hexacampeonato, os dirigentes saberão angariar as glórias. Se perder, a culpa é de Felipão. Tenham certeza disso! 
 
Técnica e taticamente algumas coisas devem mudar. Não acredito que Felipão monte um meio de campo com Paulinho, Ramires, Oscar, Kaká e Hulk. Um volantão deve entrar. A marcação deve ser feita mais atrás. É como o treinador gosta de trabalhar. Provavelmente um centroavante também terá vez. Uma coisa que pode ser boa é o choque de conceitos entre Felipão e Carlos Alberto Parreira. Os dois sempre escalaram e postaram as equipes de maneiras diferentes. Não acredito que existirá qualquer tipo de problema de ego entre eles. A experiência e o conhecimento da responsabilidade que têm em mãos, me faz pensar dessa maneira. Apesar de ter muitos jogadores novos, acredito que o Brasil terá um grupo forte já para a Copa das Confederações. A Seleção tem a disposição jogadores para, em teoria, ter um dos três times mais fortes do mundo. Nesse quesito, vejo apenas Alemanha e Espanha com tão poucas carências em todas as posições. A Argentina é genial dos meias pra frente, mas não tem o mesmo nível na zaga, nas laterais e entre os volantes.
 
Escrevi esse artigo no mesmo momento da entrevista que apresentava Felipão. O presidente da CBF, José Maria Marin, não tem a menor condição de estar no cargo. É um fanfarrão! Ultrapassado e desconectado com a realidade. Não fala nada com nada! Precisamos urgente de renovação e não de um sujeito que trata a Seleção como palanque. Me parece estar mais preocupado em se fortalecer politicamente do que em fazer a entidade e o futebol brasileiro crescerem. O braço direito é o presidente da Federação Paulista, Marco Polo Del Nero, que está sofrendo investigação da Polícia Federal. Isso sem falar que a idade parece ter chegado com força de maneira negativa. Soa gagá: “Scoleri”; “Carlos Alberto Parreiras”; “Antônio Carlos Parreira”. E nada vai mudar o fato de ter furtado na cara dura uma medalha na final da Copa São Paulo de Futebol Juniores. Ele está no lugar errado! Nós é que precisamos de um escudo. E de uma espada!

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