Pecado
Hélder recebe na intermediária e observa a ultrapassagem de Jussandro por trás das linhas defensivas do Fluminense. Milimetricamente, como se fosse Gerson, faz o passe de uns 40 metros e deixa o garoto em excelente condição. Afobado, o lateral chutou de cabeça baixa para fora, quando bastava rolar de lado. Elias ficaria com o gol aberto para abrir o marcador. O Bahia criou outras chances claras, porém, com a saída de Hélder, o time perdeu a referência e a capacidade de surpreender tecnicamente. Ficou, também, a carência psicológica. Os jogadores devem ter pensado. “Eita, aquele é Fabinho... Passo a bola para quem, Diones? Complicou!”. Dentro da realidade atual tricolor, Hélder é peça fundamental.
Essa crescida do Bahia passa e muito pelos pés de Hélder. Ele, sim, saiu do oito para oitenta junto com a mudança de postura tática. É quem tem feito à diferença no meio de campo. Quem organiza e distribui o jogo. A lesão sentida por Hélder, que levou a substituição na metade final do primeiro tempo, quebrou o time técnica e psicologicamente. Ao colocar Fabinho, Jorginho quis manter a dinâmica tática, o posicionamento e a postura. Porém, as características são completamente diferentes. Diones foi deslocado para a esquerda. Fabinho, tecnicamente, está muito abaixo de Hélder. Perdeu no passe, nos lançamentos, nas ultrapassagens e na chegada para finalizar. Faltou banco. As outras opções eram Lucas Fonseca, Lulinha, Caio, Cláudio Pitbull e Rafael. Nenhum em condições de fazer a função. Poderia sim ter tentado uma alternativa, mas não culpo Jorginho por tentar manter o sistema.
Culpo Jorginho, de leve, sobre a escolha para substituir Elias no intervalo. Por mais que seja odiado por boa parte da torcida - não consigo entender a perseguição -, a alternativa apresentada pelo jogo era Rafael. O Bahia precisava de um homem de área. Não foram poucas as bolas que cruzaram a área sem um pé ou uma cabeça para finalizar. Com Lulinha, a equipe ficou sem finalização. Ele, Gabriel e Zé Roberto são homens que poucas vezes entram na área. O que mais fazem é buscar alguém para fazer o gol. Zé Roberto, por sinal, como o meia de ligação, não ter feito um mísero gol na temporada, mostra toda a improdutividade. Ele sempre se destacou pelo drible e a velocidade, que não tem mais. É preciso modificar. Existem boas alternativas com mais saúde. Zé pode ser mais útil como opção para o decorrer das partidas.
O Fluminense tem sido competente, oportunista e sortudo. O goleiro Diego Cavalieri está em uma fase espetacular! Quando isso acontece, a trave vira irmã. Foram dois lances com Neto de se lamentar pra sempre! Um pecado! Quando parece acomodado, puxa um contra-ataque mortal e mata o jogo. Tem um timaço! Deco, Wellington Nem, Thiago Neves e Fred formam uma linha ofensiva de dar inveja. Contra o Bahia, Rafael Sóbis substituiu Thiago, na Seleção. E assim, em três anos, ganhará o segundo título nacional. Até então, tinha apenas um, conquistado em 1984. Viva o plano de saúde! Sorte de quem tem.
Com tudo isso, a derrota foi sofrida e injusta. O Bahia pecou nas finalizações e na competência defensiva do Fluminense, capitaneada por Cavalieri. Típico jogo para se lamentar e dizer “foi por pouco”. Existem boas lições a serem tiradas e a falhas recorrentes a serem corrigidas. Titi e Jussandro não conseguem entrar em sintonia. Todo jogo, em pelo menos uns três lances, os dois se atrapalham. Foi assim no segundo gol do Fluminense. No primeiro, faltou tempo de bola a dupla, principalmente a Jussandro. Por sinal, essa é uma grande carência dele. Titi, que se recuperou com a chegada de Jorginho, também poderia estar mais ligado. Chegou atrasado e sem firmeza. Não poderia deixar de passar, infelizmente e mais uma vez, a péssima atuação do árbitro Raphael Claus. Virou personagem principal em um grande jogo, que não merecia isso. Nenhuma partida merece! Quando vão profissionalizar?
