Resenhas
Assistir aos jogos do Bahia em Senhor do Bonfim é sempre muito divertido. Reunimos amigos e parentes. A maioria tricolor, mas sempre com alguns rubro-negros para a resenha ter gozações dos dois lados. Contra o Botafogo eram só tricolores e o resultado deixou a empolgação latente. “Os meninos tão jogando bonito. Estão jogando com raça e como time grande. Aí sim dá orgulho de ver o Bahia jogar”. Palavras de meu sogro, Dr. Normando, um dos torcedores mais corneteiros que eu conheço. Já Cristiano, dono da casa onde a galera se reúne, apelidada de “Clube do Cris”,não parava de sorrir. “A galera do trabalho sempre torce contra o Bahia nos jogos de domingo, por que se ganha chego de ressaca, mais cansado e o trabalho não rende”, brincou ele, que mora e trabalha em Salvador, mas todos os finais de semana vai para Bonfim.
Churrasquinho, cerveja gelada, resenha animada – até na hora da interminável discussão das eleições municipais – e o time da galera jogando de maneira agradável. O que animou mais durante o jogo foi, como disse seu Normando, “os jogadores estão como cachorro mordendo o calcanhar do boi”. Não houve bola perdida e a entrega foi realmente um diferencial. Um time como o do Bahia tem sempre de atuar dessa forma. É algo que insisto e, quando acontece, tem de valorizar e mostrar como é importante. Com raça e organização tática, a questão técnica tende a evoluir. Basta ver como Titi, Danny, Fahel e Diones, por exemplo, cresceram. Sem falar nele, que vem sendo o mais regular jogador tricolor no segundo turno. “O Bahia tá de um jeito que até Hélder aprendeu a jogar bola”, falou o primo Ronaldinho. Todos concordaram!
Como tenho de ter uma visão mais ampla do jogo, observei as variações táticas ocorridas. O já costumeiro posicionamento avançado foi utilizado no início das duas etapas. Em alguns momentos, a marcação era por pressão, mas essa postura foi usada como desafogo e encaixe. Pressionava, via os espaços e tentava aproveitar. Os laterais se revezavam no apoio e os volantes também se apresentavam com consciência. Zé Roberto destoou. “Zé Roberto não acerta um passe! Nas duas jogadas que conseguiu dar sequência, em contra-ataques, errou o cruzamento na primeira e foi egoísta na segunda. Tem de sair agora no intervalo e entrar Lulinha. Lulinha só rende entrando no segundo tempo mesmo...”. Assumo: quem falou isso fui eu.
O Bahia, que até pouco tempo tinha um esquema insosso e sem criatividade, hoje consegue variar na estratégia. Após pressionar e separar os setores botafoguenses no início do segundo tempo, se organizou para contra-atacar. Seedorf não conseguiu se aproximar de Lodeiro e Elkeson. Andrezinho foi recuado e não criou como costuma. Ainda assim, o Botafogo armou boas chances pela qualidade técnica dos jogadores. O próprio Andrezinho quase marca após uma tabela muito bem feita com Lodeiro. Alguns disseram que o Bahia recuou demais. Realmente o time passou a marcar mais atrás, porém, não houve recuo e sim uma variação de ataque. Foram muitos avanços bem perigosos. Pela direita, pela esquerda, com passes curtos e em arrancadas. Mostrou recursos. O famoso último passe evitou uma goleada. Muitas vezes houve afobação. Ou tocavam muito forte na bola ou se precipitavam. E dois pecados em finalizações de Hélder e Gabriel: seriam golaços!
Ainda falo em fuga do rebaixamento, principalmente por que o Bahia já mostrou uma cara ruim, amedrontada, nesse Brasileiro. São onze rodadas pela frente e vem uma sequência complicada e decisiva de jogos. Também sempre está sujeito a circunstâncias sacanas, como lesões, suspensões e erros individuais e coletivos. E, claro, o adversário sempre pode estar em um dia iluminado. Terão, inicialmente, confrontos diretos com Coritiba, Palmeiras, Portuguesa, Ponte Preta e Atlético-GO. Na parte de cima, Fluminense, Corinthians e Grêmio são superiores tecnicamente e será preciso superação. Náutico, Flamengo e Cruzeiro estão no bolo e também são duelos diretos. Estou sendo conservador por tudo que já vi no futebol, contudo a verdade é de confiança. Me parece ser apenas questão de tempo para o discurso passar a ser de buscar a vaga na Copa Sul-americana, apesar de achar a fórmula absurda e confusa. Resumindo, tem de ficar entre os oito para se garantir na competição internacional. Aí entra a mudança na Copa do Brasil e outras barbaridades. Não sei como explicar. Enfim, pela qualidade apresentada no returno, Série B em 2013 estará em breve completamente fora da pauta tricolor. “Agora vou brigar lá em cima. Rebaixamento não é comigo mais não!”, comemorou Cristiano, antes de abrir mais uma gelada.
