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Coluna

Momentos decisivos

Por Éder Ferrari

A partida estava 1x0 para o Inter quando, aos 17 minutos do primeiro tempo, Hélder lançou Elias com precisão. O atacante foi rápido e, cara a cara com o goleiro, com Souza completamente livre ao lado, deu um toquinho por cobertura. Pirracenta, a bola foi devagarzinho e passou a centímetros da trave direita de Muriel. Logo depois, aos 20, Gabriel pegou rebote de cobrança de falta e mandou para a área. Souza, completamente livre de marcação, finalizou de primeira em cima de Muriel. Na sobra, a marcação chegou e o “Caveirão” não conseguiu finalizar novamente. Dois lances capitais que mostraram bem o que foi Internacional 3x1 Bahia. O Colorado aproveitou os presentes recebidos. O Tricolor não!
 
O jogo estava equilibrado e o Bahia com uma postura interessante, quando veio à primeira falha grosseira, aos 12 minutos. Jussandro, com a bola perto da linha de fundo, tentou um golpe ninja e furou. No chão, cortou para dentro da própria área e presentou o perigoso garoto Fred, que agradeceu e soltou a bomba. O segundo erro bisonho veio aos 32. Na reposição de bola, Fahel errou um passe infantilmente. Damião aproveitou e passou para Fred. Sem ser incomodado, Fred esperou a passagem de D’Alessandro na direita e rolou. O argentino cruzou na medida e Forlan que, aproveitando o mau posicionamento da defesa tricolor, cabeceou e marcou o segundo. Falhas individuais foram decisivas para a derrota.
 
Na volta do intervalo, a esperança era que Jorginho conseguisse, mais uma vez, mudar a cara da equipe no vestiário. Antes de o time conseguir encaixar um jogo diferente, duas falhas individuais no mesmo lance decretaram a derrota. Titi subiu para corta a bola como um juvenil na disputa com Leandro Damião. Brocador, o atacante da Seleção aproveitou o posicionamento errado de Marcelo Lomba e chutou de longe, certeiro. Méritos de Damião, valorizados por deméritos da dupla tricolor. Com 3x0 contra aos 6 minutos do segundo tempo, restou à dúvida: se preocupa em tomar uma goleada histórica e vergonhosa ou tenta um empate para lá de improvável? Encaixou um meio termo e ainda diminuiu nos acréscimos. 
 
O que fica de importante após essa derrota é o fator coletivo. Por mais que o time tenha tido uma noite pavorosa individualmente, o padrão conseguiu funcionar na maior parte do jogo, dentro das limitações técnicas apresentadas. Por muito pouco, não conseguiu marcar gols quando a vantagem ainda era mínima para o Inter. Mudaria completamente o jogo e a confiança poderia ter levado o time a uma atuação melhor. São circunstâncias de jogo que sempre acontecem de um lado ou do outro. Não tem como ser 100% eficiente sempre, mas as falhas podem ser trabalhadas nos treinos. Houve preciosismo com Elias, Jussandro, Fahel (principalmente esses três) e Souza, nos momentos decisivos. Fazer o simples pode parecer sem graça, porém as situações são, normalmente, resolvidas.
 
O fato principal é que esse elenco do Bahia precisa sempre jogar nos limites técnico, tático e de entrega. Não é nada fácil! Caso algum desses fatores não funcione, a depender do adversário, a situação complica e muito. Contra o Inter foi assim. Existem alguns fatores que Jorginho precisa trabalhar. Claramente ele pensa em Kléberson como titular no lugar de Diones, mas ele não faz por onde. Parece desligado, sem foco. Espero que o gol o faça jogar com mais entrega. Teoricamente, pela qualidade que já demonstrou, seria o cara para dar mais criatividade ao meio de campo, sem perder o padrão tático e a dinâmica apresentada com Diones. No mais, é saber lidar com a derrota e focar para que os erros não se repitam contra o Botafogo. 

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