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Coluna

O novo é aposta. O velho também

Por Éder Ferrari

Essa semana, o Bahia, pelo segundo ano seguido, promoveu um simpósio para se debater futebol de uma maneira mais ampla e profunda. Foram convidadas pessoas que trabalham em diversas áreas do esporte. Treinadores, analistas técnicos, membros jovens da imprensa, um fisiologista, um preparador físico e, claro, dirigentes das divisões de base e do profissional. Algo louvável e engrandecedor, caso os presentes saibam aproveitar a troca de informações e conhecimentos do encontro. Acredito que sim. 
 
Não participei do simpósio e por isso vou tentar dar minha opinião sem saber o que rolou no debate, “o novo não é aposta”. Para começar e levando ao pé da letra, discordo do termo. No futebol, dentro de campo, dificilmente algo é concreto e definitivo. Há um ano, se alguém me dissesse que Hélder, Jones e Jussandro seriam destaques do Bahia em uma liderança de turno no Brasileiro, diria para retornar ao Juliano Moreira. Não existe fórmula pronta e todo planejamento é de risco. Quando não se depende apenas dos esforços próprios, qualquer coisa cai na mão do imponderável. Ou seja, uma aposta. Uma lesão grave de Jéferson, problemas particulares de Morais e o baixo rendimento de Ciro, o fazem buscar Mancini, Kléberson e Cláudio Pitbull. É quase como jogar na Loteca. Arriscam na teoria e quase sempre as circunstâncias acabam com a prática.
 
Discordo do termo utilizado, mas concordo com o conceito. Buscar renovação, novidades, com critério é algo sempre bem vindo. O contrário, porém, joga por terra algo promissor. O próprio Bahia é um exemplo disso. O planejamento para a temporada de 2011 foi feito basicamente em cima de jogadores novos, promessas. Até o treinador, Rogério Lourenço, era um novato na profissão. A idealização foi interessante, mas as escolhas equivocadas. O erro foi de pesquisa na elaboração do elenco e não de pensamento. Faltou mesclar com quem tinha feito por onde em 2010, analisar com mais cuidado o histórico e ter observado melhor a própria divisão base. Todos são apostas, mas existem aquelas mais certeiras. Como o futebol é completamente subjetivo, é preciso ser objetivo ao extremo, dentro dessa subjetividade.
 
Eram muitas incógnitas e, alguns, furada garantida. Os casos óbvios de Bruno Paulo, Pedro Beda, Rafael Jataí, Mosquera e Jones. Só o último foi útil e, ainda assim, na minoria das vezes. Para piorar, nomes com ótima expectativa, falharam: Boquita, Zezinho, Magno (teve uma lesão grave e só conseguiu jogar na reta final do Brasileiro de 2011 e não se firmou depois disso) e Camacho. Dodô foi o único dessa lista que, de fato, conseguiu ser efetivo, mas precisou de tempo por vir de temporada parado e ser muito novo – tinha 18 anos na época. Quem chegou para ser referência, ou não deu certo ou demorou a engrenar: Tiago, Tressor Moreno, Thiego, Jancarlos, Ramon, Robert, Titi e Souza. Estava na cara que não iria funcionar e o planejamento teve de ser praticamente todo refeito no meio da temporada. 
 
É tudo muito relativo e circunstancial. Depende de milhões de fatores. Paulo Angioni, mesmo experiente nesse meio como poucos, apostou em uma virada coletiva, o inverso do que se deve fazer. O novo é uma aposta menos arriscada, quando se traz um número maior de certezas que incertezas. Claro que tudo teoricamente. Obviamente, é mais fácil o momento, o histórico recente bom dar certo que o ruim. Entendo, também, que o mercado se tornou muito duro para o Bahia. A diferença de orçamento e vitrine é muito grande para os adversários de Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande Sul. Com tantos empresários oportunistas e dirigentes desesperados com as pressões de imprensa e torcida, não é fácil ser certeiro. Por isso, o critério e a pesquisa têm de ser bem objetivos. Espero que finalmente tenha aprendido. 
 
O DADE é uma ferramenta interessante e que deve ser mantido, mas a matemática dentro de campo muitas vezes não é exata. É preciso ter olho clínico e outros discernimentos. Conhecer e entender a realidade da torcida e do clube, principalmente. Não basta ter qualidade técnica: tem de ter o perfil do tricolor. Justamente por isso, é importante ter integração com a divisão de base. Os garotos subirão com carências de fundamentos e, ao invés de serem deixados de lado, devem ser sempre preparados individualmente nos treinamentos e jogos treinos entre uma partida e outra. E isso passa por um treinador interessado. Esse trabalho deve ser cobrado pela diretoria e colocado no planejamento. O novo, quando bem mesclado , tende a ser uma aposta certeira. 

Contas

Como o presidente do Conselho Deliberativo do Esporte Clube Bahia, o senhor Ruy Acciolly consegue dizer que os cinco meses de atraso na divulgação das contas de 2011, foram culpa da decisão do Campeonato Baiano? Assim, fica fácil aprovar contas que geraram um passivo de R$ 18 milhões. Isso sem levar em conta que "valores menores acabam não sendo discriminados neste documento", como afirmou o contador responsável pelo balancete, Raimundo  Vieira, em entrevista ao jornal A Tarde, ao ser questionado sobre a permuta de 20% dos direitos do volante Filipe, vendido esse ano por 2,2 milhões de Euros. Quantos valores menores como esse ficaram de fora? Isso não existe, ainda mais quando se trata de patrimônio! Democracia e transparência? 

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