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Coluna

Será?

Por Éder Ferrari

Será?
Será que foi Jorginho? Será que foi Barroca? Será que foi a matéria do Correio? Será que foi a saída de Caio Júnior? Será que foi a empáfia santista? Será que foi a pressão pela propalada falta de “alma”? Será que foi um dia atípico? Várias dessas e de outras dúvidas permeiam a cabeça de quem acompanha o Bahia nessa temporada. Pode ser uma mistura; vai saber? Talvez nunca cheguemos a uma conclusão. Pouco importa e o tempo vai mostrar o que vem pela frente. Prefiro pensar que o 3x1 de virada sobre o Santos, na Vila Belmiro, apresentou um cartão de visitas do desempenho no segundo turno. Basta ter dedicação, união, postura e não abdicar de jogar após conseguir o placar favorável ou pela superioridade no papel do adversário. Com esse espírito, não cai. Espero que, finalmente, tenham aprendido a lição.
 
Sou o cara mais otimista do mundo, mas reconheço que me surpreendeu. Não o triunfo, por que individualmente o Santos é ótimo, mas o conjunto é bem limitado. Fora o velho “onze contra onze”. O Peixe depende demais de Neymar, que é craque, contudo é um no “universo” de onze. O mais surpreendente foi a mudança de postura e de capacidade tática, física e de entrega demonstrada, principalmente no segundo tempo. Aconteceu o que sempre venho cobrando, com palavras variadas. Vou copiar do último artigo: “Um time como o Bahia, fora do G12 financeiro, tem de entrar nas competições nacionais taticamente encaixado e com variações. Junto a isso, vontade de ganhar como se fosse o último prato de comida”. 
 
Claro que não está encaixado e nem com muitas variações, mas mostrou potencial para isso. Coisa que achávamos estar sem solução. No primeiro tempo, Neymar teve muita liberdade. O gol santista foi por isso. Em lance pela direita, Jussandro marcava a linha de fundo e Titi se posicionou para fazer a cobertura. Diones, como costuma fazer nesse tipo de jogada, ficou de longe, olhando e sem fechar. Só tenta o bote quando o adversário chuta a bola. Neymar ficou a vontade e cruzou com muita precisão. Dentro da área, o lance foi atípico. Como era recuperação de cobrança de bola parada, o Bahia foi pego de surpresa com os dois zagueiros do Santos e o centroavante, todos grandalhões, marcados por Danny, o baixinho Neto e Fahel. Os dois últimos marcaram errado e André ficou livre para cabecear. Em outras jogadas, Neymar voltou a não ser incomodado. Por pouco a virada não virou algo praticamente impossível. Omar salvou bola cara a cara com André. Neymar enfeitou demais em um chute e mandou para fora. Mesmo com as melhores chances saindo do outro lado, o tricolor fez um primeiro tempo razoável. Bem superior aos últimos jogos.
 
Na volta para o segundo tempo as coisas mudaram. Alguns dos erros de posicionamento foram corrigidos no intervalo. O principal foi com Gabriel. O tiraram do isolamento da ponta direita e, mais recuado e com liberdade para se movimentar, cresceu muito. Acabou premiado com um gol de quem sabe. Neto passou a apoiar, coisa que não havia feito na primeira etapa. Jussandro, que me deixou preocupado ao tomar cartão logo no início do jogo, mostrou maturidade e fez outra partida segura. Vou buscar outro pensamento que tenho utilizado sempre: jogador da base tem de ser pensado como útil no início e não como craque que vai resolver. Com o tempo, o aprendizado e a maturação, o garoto vai provar ser mais do que isso ou não. Mais as chances têm de ser dadas. Mais uma vez, espero que tenha aprendido. A marcação foi avançada e os espaços tirados de Neymar. Méritos tricolores e deméritos santistas. O Bahia não abdicou de jogar e aproveitou a empáfia do Santos. O próprio Neymar reconheceu isso. “A gente deu mole, 1 a 0 dentro de casa, pensamos que estava ganho. Eu avisei que o time deles é excelente e que se desse mole eles iam virar”. Que não seja apenas uma noite iluminada e única.
 
Mudança
 
A saída de Caio Júnior foi excelente para o Bahia. Treinador teórico, afobado e com critérios inexplicáveis. Desde o início já havia se mostrado arrependido de ter aceitado treinar o tricolor. Assim como também demonstrou ser um cara sem muitos recursos de treinos e visão de jogo. Não acrescentou absolutamente nada ao time. Apenas mostrou a cara ruim de alguns jogadores. Espero que consiga se reciclar e esqueça o Elifoot 98. Por sinal, até tentei baixar o joguinho, mas ele não roda no Windows 7. Enfim, boa sorte ao Caio Júnior, no que ele escolher daqui para frente na carreira.  
 
Não conheço muito o trabalho de Jorginho, até por que a carreira dele ainda está no início. Por coincidência, uma boa coincidência, prestei mais atenção quando passou pela Portuguesa ano passado e no Palmeiras, em 2009. Pela Lusa, montou um time leve, ofensivo e compactado que chegou a ser apelidado de “Barcelusa”. Era bonito de se ver. Conseguiu tirar o máximo de jogadores como Ananias, Edno e Guilherme, por exemplo. Minha expectativa é em cima desse trabalho. Esse ano, como os jogos do Paulista coincidiam com os do Baiano, não deu para acompanhar. Não sei o que mudou. O fato é que saiu do céu para o inferno e a Portuguesa acabou rebaixada. Já no Palmeiras, foi interino em sete jogos, entre a saída de Wanderlei Luxemburgo e a chegada de Muricy Ramalho, que tirou umas férias após deixar o São Paulo. Jorginho ganhou cinco, empatou um e perdeu outro. Deixou o time nas cabeças. O Palmeiras também apresentou um futebol bem interessante. No entanto, Muricy já estava contratado. O atual treinador santista assumiu e o rendimento caiu demais. Não me recordo os motivos.
 
Espero que o Bahia tenha trazido o Jorginho desses dois trabalhos positivos. O discurso tem de encaixar com a atitude. “Não tenho medo de ninguém. Vou entrar com respeito, mas sempre tentando para frente. No futebol, quem não joga para frente, fica longe da vitória. O Santos tentou, mas todos fizeram com que o eles não tivessem essa força. Vamos tentar na maioria das vezes jogar ofensivamente, mas podemos errar e perder”. Que não seja mais um bom de conversa e ruim de trabalho. A primeira vista, parece não ser o caso. #oremos

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