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Coluna

Brincando de bola

Por Éder Ferrari

Dentro das minhas limitações, não transfiro responsabilidades. Procuro analisar sempre o que tenho em mãos. Por isso debato sobre esquema tático, qualidade dos jogadores, etc. Não se trata de omissão ou de tentar transferir a culpa para A ou B. É óbvio que a responsabilidade do momento tricolor no Campeonato Brasileiro é da diretoria. Eu falei; você falou; o brother avisou; 90% da torcida e analistas sabiam que a formação do elenco foi equivocada. Quantas vezes isso foi dito? Quantas vezes cobramos? Ano passado, seguidamente, questionava os volantes. Em um time que evitou o rebaixamento apenas na penúltima rodada, o calcanhar de Aquiles técnico era o trio de marcadores. O que fizeram? Mantiveram todos eles! 
 
Essa, para mim, desde o início da temporada, tem sido a síntese da falta de visão de planejamento do elenco da diretoria. Dá a impressão de que brincam de futebol. Como tinha a crítica por não ter mantido a base de 2010 para 2011, acredito que quiseram mostrar serviço. No entanto, base só deve ser mantida se der resultado ou tiver qualidade comprovada e por motivos externos não rendeu o que podia. Confundiram o conceito e não é a primeira vez que falo isso. Agora, com problemas nas duas laterais e o novo treinador com a ideia ultrapassada de primeiro “organizar” a defesa, a conta chega alta. Na verdade, já havia chegado faz tempo! Adicione os desfalques do meio para frente e quem virou a “base” do time? Diones, Fahel, Fabinho e Hélder. Não tem como um time com esses quatro de titulares dar certo na Série A!
 
Poderia entrar em outras questões, como a completa falta de transparência – alguém viu a prestação de contas? – e a prometida mudança no estatuto fajuto do clube. Promessa essa de dezembro de 2008! Mas é melhor falar sobre aquilo que ainda pode mudar. Deixarei essas questões, que já viraram paradigma, para depois do Brasileiro. Afinal, falar agora é ser oportunista e querer tumultuar. A culpa é de quem critica ou do interventor! Infelizmente, é preciso uma sequência de desgosto, com resultados pífios, para entenderem que a realidade nunca foi a apresentada pelo oba oba. Nesse quesito – talvez o único – o marketing funciona. Existem acertos, méritos, mas não o suficiente para que deixemos todo o resto de lado.
 
Falemos, então, do time. É o que temos em mãos para tentar melhorar. Mesmo com a defesa não sendo de confiança, o principal problema tricolor no Brasileiro tem sido o ataque sem graça. Porém, para Caio Júnior, o momento de fortalecer a defesa. A equipe é um todo e não apenas um setor. Cai, mais uma vez, no cobertor curto. Nesse pensamento do treinador e na forma que ele escala, quando chegar na hora de organizar ofensivamente, a parte defensiva ficará descoberta. Se for para pensar e agir em cima de clichês boleiros, que seja o do equilíbrio. Com tantos desfalques, não tem como limitar o time ainda mais tecnicamente como vem acontecendo. Será que é tão difícil enxergar que não dá para jogar com Fahel, Fabinho, Hélder, Diones e Júnior? Titi vai precisar fazer dez gols contra para passear no banco? Titularidade imposta à força e muita gente come essa conversa de “Titibull”. Sai jogando mal, se posiciona pior ainda e vive espirrando o taco. A reserva pode acordá-lo. 
 
Outra coisa que tem me chamado atenção é a pressão dada pelos mais experientes nos garotos. Contra o São Paulo, mesmo com todo o time abaixo da crítica, só faltaram bater em Gil Bahia dentro do campo. Cobertura defensiva e auxílio ofensivo que é bom, não deram! Agora, desviar o foco e a cobrança da torcida para o guri é fácil. Diante da Portuguesa, repetiram isso com Rafael. Bastou o rapaz colocar uma bola para a lateral, que Fabinho veio de longe soltando os cachorros, em uma truculência fajuta. Tinha um jogador da Lusa caído no chão e o menino nada mais fez que o fair play feito por todos. Se Júnior ou Souza tivessem feito o mesmo que Rafael, como já fizeram em situações semelhantes, teria Fabinho tido a mesma atitude? Espero que não tirem Rafael para Cristo, como fizeram com Gil. Sem Souza, o titular tem de ser ele mesmo! 
 
As cartas estão na mesa e a hora de buscar o melhor jogo é agora. Não há mais tempo a perder e nem culpa a ser transferida. As responsabilidades têm de ser assumidas e resolvidas. Do contrário, vai cair! 

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