Só resta o otimismo
Sabe aquele sentimento de que está bom demais para ser verdade? Assim me senti durante Bahia e Coritiba. O time exalando disposição, determinação, com as jogadas dando certo, dominando o adversário sem sustos. Zé Roberto lembrando e muito o velho Zé Roberto, que decidia jogos e que me fez ser a favor da contratação. Finalmente uma partida digna! Ávine em campo. Apesar de completamente fora de sintonia, sem ritmo algum de jogo, era Ávine em campo e não Gerley ou Hélder improvisado. Um zagueiro canhoto, Lucas Fonseca, cortando todas mesmo atuando todo torto pelo lado direito. Hélder e Kléberson funcionando razoavelmente bem no losango armado por Eduardo Barroca. Mancini continuava errando muitos passes e perdendo gols por faltar perna. Ainda assim, fez o dele de cabeça.
Parecia o canto do cisne tricolor. A retomada! O Coritiba não demonstrava ter forças para reagir. O jogo estava dominado e, como gostam de dizer os comentaristas, o Bahia parecia mais perto do terceiro do que o Coxa do primeiro. Eis que, finalmente atento à fragilidade defensiva tricolor, o treinador Marcelo Oliveira abriu o jogo pelas laterais com as entradas de Everton Avatar e Leonardo. Robinho chamou a responsabilidade. Em dois lances pelos lados, dois gols em falhas de posicionamento no jogo aéreo. Lucas, torto, não subiu no primeiro. No segundo, fora de posição e desatento, foi antecipado por Emerson. Houve falha individual sim, mas pior foi à coletiva. O time voltava a ser apático.
Lucas Fonseca se virou o quanto pôde. É muito complicado para um zagueiro canhoto atuar pelo lado direito. Fica como um peixe fora d’água. Se debate enquanto aguenta, porém não é o ambiente dele. O destro tem muito mais facilidade de atuar na esquerda. A diretoria passou um mês tentando contratar um zagueiro e não conseguiu. Mais uma vez dormiu no ponto e não teve critério na formação do elenco. Lucas e Titi não podem jogar juntos em um esquema com dois zagueiros. Com a volta de Danny Morais, acho interessante o capitão sentar um pouco no banco para rever conceitos e descer do pedestal. Volta se fizer por onde. E que consigam trazer outro cara para o setor, já que seguem tentando. Conheço quase nada do futebol de Alysson e, por isso, não tenho como cobrar a utilização, apesar de amigos de Senhor do Bonfim terem me falado muito bem dele.
Ainda com todas as limitações, quase que o Bahia venceu no final, em boa jogada de Ciro. O atacante, que entrou bem, fez um arerê pela direita, mas furou o chute de esquerda. Na sobra, Hélder mandou para o espaço e apagou de vez tudo que havia feito de bom no primeiro tempo. Os 12 passes errados já tinham feito isso, na verdade. Mesmo nos melhores momentos da partida, o time era frouxo na marcação. Faz a marcação de baba de coroa na praia. Se a jogada não chega nos caras, eles não apertam! Ficam só olhando, cercando. O adversário tem sempre muitos espaços para jogar. A posse de bola até melhorou, contudo os erros de passes tiraram essa eficiente maneira de marcar.
Realmente a situação parece irreversível. Só parece. Como disse no último artigo, sou sempre otimista, até mesmo quando os fatos batem em minha cara com força. O time tem várias carências e as principais delas são de sangue nos olhos (venho repetindo isso seguidamente), fibra e foco. Se Caio Júnior conseguir tirar isso dos jogadores, o resto vem naturalmente. Será que consegue? Não é bem o perfil dele, mas quem sabe? Sempre otimista! Espero ainda que Sulivan Dallavalle, preparador físico que chega com o novo treinador, dê um jeito nessa morredeira do segundo tempo e nas seguidas lesões musculares. Como dificilmente vão contratar meio time e/ou dispensar uma meia dúzia, que já provou não ser útil, só resta ser otimista.
