Dinâmica futurista!
Muitas vezes confundimos esperança com omissão, com comportamento de cordeiro. É normal você sempre esperar o melhor de o clube do coração. “Meu amor pode me decepcionar hoje, mas amanhã ele compensa!”. Eu mesmo sou um otimista inveterado! Daqueles que, mesmo quando já estava 3 x 0 para o Fluminense, ainda esperava uma reação. Do tipo que passa por cima de conceitos pessoais para “não confundir as coisas”. Será que sou idiota? Devo ser, mas não abro mão desse sentimento. E é ele que me faz, muitas vezes, ser permissivo com algumas situações, porém, me mantém um cara sóbrio, racional, na hora de cobrar. Para muitos, essas críticas construtivas não passam de mau humor e/ou oportunismo. Aceito, me controlo e aprendo. Só não posso aceitar passivamente essa situação.
Sei que sou ranzinza. Por isso nunca abro mão do sentimento para escrever nesse espaço e, muitas vezes, não consigo controlar, mesmo respeitando e muito o jornalismo. Tento olhar sempre o outro lado, o momento, as circunstâncias. Continuarei a fazer isso sempre: inclusive agora! Não sou dono da verdade nem melhor do que ninguém. Esse texto está meio estranho até aqui, por parecer ser sobre mim. Não é! É uma reles tentativa de amarrar o pensamento entre fatos e sentimentos sem corromper, que é a base de qualquer trabalho fundamentado. O fato é que esse Bahia tem me deixado atordoado há mais de década. É uma tentativa sentimental de um jornalista mandar tudo para aquele lugar, mas em busca do bom senso para não ser desrespeitoso e virar sensacionalista. Já têm muitos por aí. Seria o peido na farofa!
Mas como conseguir isso, após três derrotas seguidas, duas de forma humilhante, e a vice lanterna do Brasileiro, com poucas perspectivas de melhora? Com o treinador demitido sem muito choro? Falcão foi abatido na madrugada, como se fosse um morcego raivoso. Como disse no texto anterior, não era a favor da demissão. Via ali uma projeção interessante a médio e longo prazo. Entretanto, assim como René Simões ano passado, Paulo Roberto Falcão não estava demonstrando ter capacidade de reação. Na realidade atual em que colocaram p tricolor, o médio prazo sempre passa por não ser rebaixado. Não sei se a comissão técnica demitida teria forças para isso. Falcão não estava sabendo lidar com esse momento adverso. Lamento por que enxergava nele uma alma nova, uma força de mudança, não apenas para o Bahia, mas para o desvirtuado futebol brasileiro atual.
Ainda no primeiro tempo contra o Fluminense comentei com dois amigos. “Rapaz, esse jogo está com uma cara só: na hora que o Fluminense forçar um pouco, f...!”. Nem precisou tanto. Como uma vez me disse Sérgio Guedes, ainda quando estava em alta no comando técnico do Bahia: “Você faz um esquema pensando em um cara fazer o que já fez. Parece tudo certinho no treino, na sua cabeça, mas chega na hora e o cara não vai! ‘Meu filho, faz o que treinamos’. E nada! Você tenta consertar e o outro também não vai. Aí vem o desespero e você começa a errar consciente disso. Aí você vê o fim da linha”. Não pude acompanhar os treinamentos de Falcão, mas com Coelho, Fabinho, Danny, Titi, Gerley, Fahel, Hélder, Diones, Magno, Mancini, Zé Roberto, Jones, Júnior, Ciro, Lulinha, Elias, Diego Varejão e cia, fica difícil! Por isso me lembrei do pensamento de Sérgio Guedes. Não se faz uma boa caipirinha sem limão!
O treinador é culpado quando faz escolhas e mudanças ruins, como a que Falcão fez, ao colocar Zé Roberto e Mancini juntos no segundo tempo contra o Fluminense. Terminou de desgraçar o frágil sistema de jogo. Frágil pela falta de sangue, disposição, atitude dos jogadores. Talvez tenha, realmente, chegado a hora de mudar o comando técnico, em busca de um cara que consiga tirar o obrigatório algo mais desses sujeitos. Os próprios atletas são condicionados a essa cultura estúpida. Será que agora deixarão de ser um time sem sal, sem o espírito de nunca desistir característico das grandes equipes tricolores? Ri aqui sozinho dessa última frase!
Falcão tem culpa; os jogadores têm culpa; a torcida tem culpa; a imprensa tem culpa. Entretanto, todos esses juntos, não chegam ao chulé dos verdadeiros culpados. Na verdade, os dois últimos chegam por serem permissivos. Vejamos. Quem planejou o elenco exatamente dessa forma? Quem arquitetou um grupo sem vez a divisão de base? Quem manteve a política de contratações semelhante a que quase rebaixou o clube em 2011? Quem não toma atitude alguma com as seguidas lesões, a demora na recuperação dos atletas, a falta de força física e raça do elenco? Quem mantém a torcida longe da vida do clube? Quem é transparente como uma parede de aço preta? Méritos existem para serem dados e sempre os faço, porém um acerto não acoberta um erro. Não é momento de exaltar qualquer coisa que seja. Está na hora de os responsáveis assumirem a culpa e darem um jeito nessa mediocridade que está aí!
Para não parecer desespero do momento. Peço a vocês um pouco mais do seu suado tempo e leiam essa entrevista que fiz com o presidente Marcelo Guimarães Filho em dezembro de 2009. Isso mesmo, em dezembro de 2009! Vejam o que mudou de lá para cá, na “dinâmica futurista”. Boa sorte!
