O que mudou?
Primeiro triunfo em casa e aquele peso absurdamente desconfortável deu uma aliviada digna de festa. A beslicada na zona do rebaixamento durante a semana passada preocupou e muito! Será que esse time era só ilusão? Será que o Bahia ia ter mais um ano devastador? Questionamentos naturais e que não foram respondidos com o 3x1 sobre o Figueirense, um time mais organizado, mas bem inferior tecnicamente. No entanto, não curtir o momento é uma burrice tão grande quanto achar que não existem mais erros.
Com Ricardinho e Carlos Alberto no meio de campo, o crescimento da qualidade foi nítido e animador. Mesmo que o segundo, acometido por problemas estomacais, não tenha rendido absolutamente nada, essa disposição tática tem de ser mantida. Gabriel - também não foi bem tecnicamente - mostrou que com uma dupla de meias encaixada a recomposição do meio de campo, cria bem mais alternativas para o time. Não teve paciência com os três volantes sem dar resultado, o que custa dar essa moral a capacitação individual da equipe?
Contudo, o meio de campo não vai funcionar direito enquanto René não resolver o problema crônico do Bahia: o posicionamento dos zagueiros. Paulo Miranda e Titi estão em um momento iluminado da carreira. Não fosse isso, a situação estava pior. Como venho dizendo, volto a repetir, até por que o erro continua, os beques precisam avançar. O tricolor fica muito atrás esperado para dar o combate. A intermediária é sempre um prato cheio para um time que toque bem a bola. O Figueirense foi mais um a aproveitar os espaços, mas, numa mistura de sorte e qualidade do trio defensivo (Lomba, Miranda e Titi), com incompetência e ruindade catarinense, os gols dos visitantes não saíram.
O que deve ser feito daqui por diante é unir as duas coisas. Evolução técnica e tática. A primeira já está em campo, mas a segunda ainda está longe do ideal. René precisa retomar os treinamentos de posicionamento da defesa e meio de campo. Isso de avançar a marcação requer cuidados como nas triangulações e ultrapassagens. Nenhum esquema é perfeito, mas para o elenco e as características que ele apresenta, essa é a melhor solução. Se tem laterais apoiadores e volantes sem aquele estilo perdigueiro, o ideal é encurtar o campo para “marcar” com a bola no pé. É só trabalhar para isso. Parece simples: e é!
