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Coluna

O tom da desilusão

Por Éder Ferrari

Nunca escondi minha admiração por Paulo Roberto Falcão. Foi um jogador genial, comentarista ponderado, observador e, como homem, corajoso o suficiente para deixar a zona de super conforto que vivia em busca do sonho e realização profissional. Sei bem como é isso. Não é uma coisa que qualquer um faria, principalmente para assumir um cargo de tamanha instabilidade. Por ser quem é, o treinador Falcão conseguiu angariar dois sentimentos distintos. Uma paciência acima do normal dos torcedores e a contrapartida da exigência por um futebol exuberante. Depois da partida contra o Atlético Mineiro, as duas coisas parecem ter ido de vez para o ralo!
 
Durante a partida escrevi um pensamento no Twitter. Algo mais ou menos assim: “Falcão chegou com discurso e postura de Barcelona. Hoje, tem discurso de Joel Santana e a postura do Chelsea contra o Barcelona. Só que: cadê Drogba e Ramires?”. Nos primeiros jogos, o Bahia fazia a marcação com a bola. Não havia marcação por pressão e sim o avanço de todos os setores ao campo ofensivo. Os zagueiros se posicionavam na intermediária e os volantes no círculo do meio de campo. Não existia pegada cansativa na retomada da posse, mas, por tirar os espaços do adversário, a bola era tricolor. Encantou! Cartão de visitas melhor não há! 
Tudo parecia caminhar para um casamento feliz e forte, quando uma derrota colocou tudo a perder. O 3x2 sofrido para o Vitória, no Barradão, pelo returno da primeira fase do Campeonato Baiano, degringolou a cabeça do treinador. O sangue no olho do rubro-negro, aliado a falhas individuais e coletivas de Madson, Fahel, William Matheus, Titi, Rafael Donato e Marcelo Lomba nos gols, fizeram os conceitos de Falcão mudar. Os três gols sofridos no primeiro tempo deram uma ducha de água fria no treinador e afetou o time. O segundo tempo foi de uma equipe sem força e resignada com a derrota. 
 
A pressão e as cobranças provenientes desse resultado – Falcão até ali vinha sendo mimado por todos – ativou o pensamento medíocre dos treinadores brasileiros nele. Aos poucos, as duas linhas de quatro, com dois homens de área no ataque – Júnior e Souza – e o posicionamento avançado da primeira linha, foram dando lugar a um recuo em demasia e a um esquema inócuo com três meias isolados uns dos outros e do resto do time. A distância percorrida pelos homens de meio de campo do Bahia para entrar na área adversária, parece ser de quilômetros! Má fase de muitos e desfalques de outros, colaboram para a queda de rendimento tão drástica – pode-se dizer que o time titular ainda não entrou em campo na temporada -, porém, o espírito já estava quebrado. O auge da desilusão foi à partida contra o Atlético Mineiro. O que foi visto em campo deu vergonha! Não é uma questão de partir para cima e sim de jogar. A equipe tem entrado para não perder em espírito e na tática. O que fazer para reverter isso?
 
O caminho é, teoricamente, simples. Basta retomar o que deu certo. Não é de hoje que eu, você, ele, aquele bicho ali, o outro brother, José, Mário, Marcos, Felipe, Tiago, Nelson, Antônio, Elton, Luiz, Marcelo, Cícero, João, Pedro, Astrogildo e toda a torcida do Bahia, falamos isso. Não sou a favor de demiti-lo - longe disso - mas o momento é de reflexão. Falcão claramente se perdeu com derrotas, desfalques e a qualidade duvidosa de parte do elenco. Que fique claro não ser só dele a culpa. Não o estou tirando para Cristo e sim cobrando que recupere o discurso e as atitudes do início. Pode e deve ser apenas para não lavar roupa suja em público, mas as declarações sempre com serpentina para o time e os adversários têm levado a torcida à loucura. Tem horas que é preciso sacudir! 
 
O despertador tem de estar ao lado de Falcão, dos jogadores e também da diretoria. Não tenho nada contra investir em jogadores em busca do lugar ao sol. Claro e evidente que precisam ter qualidade, talento e responsabilidade. Se dois ou três dos cinco (Alyson, Lucas Fonseca, Val, Diego Queiroz, e Elias) renderem, o Bahia já sairá no lucro! No entanto, é preciso algo mais. As carências são óbvias! Os volantes não rendem. Os meias vão na mesma pegada. Os atacantes, que se complicam com o isolamento, não resolvem. A exceção é Souza, que vive machucado. No próximo dia 11, com certeza absoluta, Zé Roberto deverá pegar um bom gancho pela agressão ao árbitro no duelo contra o Grêmio, na Copa do Brasil. O contrato de Morais está para acabar e ele não sai do DM. Magno continua lado a lado com a omissão. Lulinha é a cara do time atualmente. Mal posicionado, técnica aplicada na hora errada, nervosismo e má pontaria. Precisa de uma plástica urgente! 
 
Para não dizer que tudo são cravos, a renovação de Marcelo Lomba e confirmação de Omar são uma alegria. O retorno de Ávine, sem sentir nenhuma das seguidas lesões, um alento! 

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