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Coluna

Bom senso

Por Éder Ferrari

É muito difícil querer que pessoas ajam com o mínimo de bom senso quando se trata de paixão. Simplesmente, críticas construtivas são levadas como ofensa por dirigentes, treinadores, torcedores, imprensa, etc. Algumas coisas, mesmo que no subconsciente o cara saiba ser verdade, não aceita e leva para o lado pessoal. Não é fácil admitir erros. Reconhecer que escolhas teoricamente promissoras deram errado. Por isso, de certa forma, insistem no que não está dando certo. Pode soar convicção ou teimosia. Depende apenas do ponto de vista. O fato é que, no futebol, onde se envolvem cifras milionárias, pressão contínua, amor incondicional e milhões de gatos mestres para lhe julgar todo santo dia, não é fácil assumir análises equivocadas. Eu bem sei como é isso e acabo virando dono da verdade por situações como essa.
 
O título baiano foi maravilhoso, aliviou muita coisa, mas não pode servir de escudo para tudo. “Ah, mais ficou 11 anos sem ganhar. Tem de respeitar quem ganhou!”. A questão não é essa. O respeito já está escrito na história. Um clube como o Bahia, por tudo que passou, deveria saber que não pode agir com o coração, por gratidão, na hora de pensar no planejamento do elenco. Não venceu essa competição durante todo esse tempo por pura e absurda incompetência! Colo Colo e Bahia de Feira foram campeões. Os adversários estaduais, na escala nacional, estão da Série D para baixo, com exceção do Vitória, é claro. Não diminui em nada a conquista – em 2008 o Vitória foi campeão perdendo três de quatro BaVi`s -, mas em quatro jogos o tricolor não venceu o rubro-negro. Foram três empates e uma derrota. Isso deveria levantar questionamentos, entender as razões.
 
Como já falei, não acho que exista um desespero completo e, caso não contratem seis, sete jogadores, o rebaixamento é certo. Tem muito time ruim na Série A, no entanto, a prioridade do macaco tem de ser o próprio rabo. É preciso olhar para cima e não para baixo. Existem custos, contratos e concorrência, obviamente, mas está claro como água que soluções precisam ser buscadas. O meio de campo do Bahia – e venho falando disso desde 2011 – é o ponto fraco do time. E, como qualquer leigo no futebol sabe, é ali que se deve ser mais forte. A marcação é falha, a saída de bola ruim, não existe compactação e, com exceção de Gabriel, ninguém resolve nem na frente, nem atrás. Volantes reprovados foram mantidos. Como entender um jogador que fez dois jogos de razoável para bom, os outros nove mal e o resto do tempo ficou machucado, com seguidas lesões musculares, ter o contrato renovado? Amizade? Carência?
 
Nada contra Coelho, mas foi o propalado DADE “(Departamento de Analise de Desempenho de Atletas), que dispõe de todos os recursos humanos e tecnológicos para avaliar, aferir e disponibilizar informações de atletas que atuam no futebol mundial”, que o contratou? Como analisaram o desempenho de um jogador parado desde maio de 2011? Vejam bem. Acho essa ferramenta fantástica e não a estou criticando. Apenas quero mostrar que entendo e sei da subjetividade no futebol.  Os fatos estão expostos e não adianta falar o contrário. Às vezes o histórico avaliza contratações como essa. Não é um erro, mas pode ser diferente. Vamos ter bom senso no debate, nos argumentos. Coelho não é exceção à regra. 
 
Dentro das limitações financeiras e de vitrine, penso que o departamento de futebol do Bahia consegue e conseguiu coisas surreais! Costumo dizer que toda e qualquer contratação é de risco. Existem milhões de circunstâncias que tornam um nome certo em errado. Contusões, adaptação, problemas pessoais e noitadas, por exemplo. No geral, o trabalho de Paulo Angioni é muito bom. Acontece que ele deu azar várias vezes. Fechem os olhos, esqueçam as atuações até aqui e vejam esse elenco atual, no início da temporada, sem as inúmeras lesões. E ai, é tão ruim assim? Óbvio que não! No entanto, a bola não para de rolar e o momento vence a história. Um ou dois saírem da má fase você espera. Agora dez é complicado! Nem sempre quem elogia é a favor e quem critica é opositor.
 
Ser eliminado pelo Grêmio não é problema. Competições como a Copa do Brasil vivem do acaso. Os gaúchos têm mais time e estavam com quase todas as circunstâncias a favor. O que incomodou, de verdade, foi à omissão da maioria do time e do treinador. Uma equipe pode ser ruim tecnicamente, ter problemas de relacionamento e carências em muitas posições. Agora, sangue no olho, parceiro, não pode faltar nunca! Não se trata de falta de vontade e sim do algo a mais. O Bahia começou razoavelmente bem, mas após um erro de passe infantil de Lulinha na saída de bola, tomou o gol e se entregou. Falcão precisa reviver o posicionamento do início. Atitudes superam nomes. Baixem o escudo do Campeonato Baiano e acordem! O tricolor tem a chance de fazer um Brasileirão todo na primeira página da tabela. Só precisa perceber, reconhecer as carências e deixar de ser condescendente com alguns jogadores. Espero e acredito que já estejam fazendo isso.
 
Duas considerações finais. Volta logo, Ávine, pelo amor de Deus! Zé Roberto dificilmente vai escapar de um gancho, após a estupidez de chutar o árbitro naquele descontrole injustificável no final contra o Grêmio. Como diria o outro, depois da queda o coice! Literalmente! 

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