Realidade
Desespero? Tudo está perdido? O Bahia já está rebaixado no Brasileiro? Claro que não! Porém, a realidade, que está exposta desde o ano passado, mas foi maquiada pelo nível técnico do Baiano, reapareceu! Não sou gato mestre – sou um gato apenas no sentido da “lindura” -, contudo tinha quase certeza que o tricolor passaria sufoco contra o Grêmio. Razões óbvias no mundo boleiro. Em primeiro lugar, a equipe gaúcha, em termos de capacidade técnica, é melhor mesmo! Depois vem a questão do foco. Enquanto o Bahia se digladiava nas finais do Estadual, desesperado para quebrar o jejum contra o maior rival, o time de Luxemburgo treinava ligado nesse jogo. Campeão, folga na segunda, empolgação, treino relaxado e a própria torcida de ressaca dão esse embasamento. Meu amigo paulista Nelson Barros Neto, com razão, retou com o público pequeno! De certa forma são argumentos/circunstâncias a serem levados bem em conta, mas não justifica tudo o que foi visto!
Desde que abandonou as duas linhas de quatro e a marcação avançada, a queda de rendimento do Bahia tem sido gritante. E, para não falarem que é apocalipse de um jogo, basta olhar o histórico dos artigos que as críticas estarão lá. Mesmo quando jogava com dois meias – lembrem o sufoco que foi para eliminar o Conquista – a postura já era essa. Time recuado e a busca dos contra-ataques principalmente pela direita, na velocidade de Gabriel com as ultrapassagens de Madson. Muito pouco e não vejo razão para a mudança de estilo. Estaria o “Rei de Roma”, com o discurso afiado, conceito bonito e futebol inicial vistoso, “abrasileirando”? Atualmente vejo muitas semelhanças com o time de René Simões e as recordações não são das melhores!
O Bahia vem numa sequência de apresentações ruins. Foi campeão Baiano, mas os últimos jogos foram de dar nos nervos. No último artigo fui ufanista com razão, por estar comemorando uma conquista e não para maquiar a realidade. Não persigo ninguém e dou crédito a quem evolui, como Diones. No entanto, desde 2011 que venho falando: o meio de campo é o calcanhar de Aquiles! Ano passado, Fabinho, Hélder e Diones foram reprovados na Série A e os principais responsáveis pelo baixo rendimento técnico da equipe. Fahel se salvou, mas nessa temporada é o pior dos quatro. Não estou exagerando! Um time com volantes ruins tem tanta direção quanto um carro sem a peça. E, como acontecia ano passado, por três deles estarem jogando, os recursos ficam escassos, ainda mais com Madson machucado e Gerley apenas fazendo figuração ofensiva.
A mudança de postura e esquema tático são os fatores principais para a queda de rendimento, mas também culpo alguns caras. Se Magno, Morais, Ciro e Zé Roberto estivessem jogando o que sabem facilitariam as coisas. Os três volantes não teriam chances de serem escalados. Estão devendo demais! Vander tem melhorado e já merece a vaga de Lulinha. Esse, efetivamente, tem criado muito pouco, apesar de vontade não faltar. Há de se dar o mérito ao Grêmio. O velho pensamento arrogante de não reconhecer a qualidade do rival para aumentar à revolta – não entendo isso -, tem feito muita gente dizer que o time gaúcho é uma porcaria. Não é! A postura do primeiro tempo foi à mesma de dois jogos que eu assisti. Ótimos volantes e time encaixadinho. Quando Zé Roberto estrear e Kléber Gladiador voltar da lesão, o tricolor dos pampas fará frente com qualquer um no Brasileiro!
Os reforços precisam chegar em quase todas as posições. Laterais (William Matheus, Gutierrez, Gerley e Coelho não dão confiança nenhuma. Ávine, eternamente, e Madson machucados), volantes, meia, zagueiro e atacante. Alguns também precisam sair e o clube buscar reposições. Não se trata de uma reformulação e sim qualificação. Sair uns cinco ou seis e chegar uns seis ou sete. Isso é pontual e necessário e não uma questão de desespero. Esse ano, pelo menos teoricamente, o Brasileiro não será tão complicado. Se é que isso pode ser dito no futebol. Têm vários times, no mínimo, na mesma situação. Vejo Ponte Preta, Portuguesa, Atlético-GO, Figueirense, Coritiba, Náutico e Sport abaixo do Bahia. Palmeiras, Botafogo, Cruzeiro e Atlético Mineiro nem de longe assustam. Portanto, dá para buscar coisas maiores se tiver critério, competência e sorte nas contratações e dispensa. Deve ser feito sem oba oba ou desespero. E, claro, os que estão ai também precisam jogar e Falcão retomar a postura inicial! Respeitar, sempre! Se acovardar, nunca!
