Por que torcem contra?
A partida entre Brasil e Equador foi recheada de temas técnicos e táticos a se analisar e, talvez, até separe algumas linhas no final para falar a respeito. No entanto, mantendo o foco na Seleção, um fato que vem me chamando atenção há tempos, será meu tema neste artigo. Por que muitos brasileiros, que abraçam qualquer compatriota em todo tipo de esporte, cinema, música e afins, torcem contra o time de futebol? Sei que cada cabeça é um mundo e ninguém é obrigado a ser “patriota”. Não estou cobrando isso, mas esse debate é interessante e precisa ser colocado em pauta.
A Seleção sempre teve a peculiaridade do torcer contra. Quem não se lembra da Copa América de 1989 quando, jogando em Salvador, os convocados de Sebastião Lazaroni eram vaiados e desprezados pelos baianos na Fonte Nova? Na época a razão era o não aproveitamento do atacante do Bahia, Charles. Bobô, grande astro da conquista do Nacional pelo tricolor, nem convocado foi! Lembrei do episódio apenas para mostrar que esse tipo de situação sempre existiu. Porém, antes, os motivos eram invariavelmente por ausência de algum jogador de seu clube do coração. Isso ainda existe, mas hoje as razões principais são outras.
Quem é o grande craque carismático, ídolo inconteste? Neymar, Ganso, Pato? Todos têm potencial para isso, mas ainda estão longe de serem abraçados pelos brasileiros, como Romário, Ronaldo, Zico e etc. O time atual, sem comparações técnicas, ainda é formado por “Rivaldos”. Nada contra Rivaldo. É um cara injustiçado por nunca ter tido carisma. Na Seleção, isso, muitas vezes, conta mais que a qualidade do futebol. Adicionado, o jogo, por enquanto, sem inspiração também não ajuda em nada! Isso é um fato, contudo, não o principal.
Como a moda atual é a linguagem do Twitter, uma hastag diz bem: #seleçãodacbf. O brasileiro quase sempre é omisso nas questões políticas. A corrupção escancarada causa a mesma revolta que um peido fedido, daqueles que parecem ter vindo de um urubu: dá vontade de vomitar, mas o cheiro passa rapidinho... A arrogância de Ricardo Teixeira, com desmandos, acusações e a indefectível cara de mafioso italiano, estão nítidas para quem tem um mínimo de visão crítica. Simplesmente, não dá para engolir esse cara! É o dono do mundo. Minha querida vovó Lourdes, sempre dizia uma frase legal, quando alguém fazia algum gasto fútil: “é o neto rico de Lourdes pobre!”.
Os clubes a mínguas e a CBF absurdamente milionária. Quem faz a Confederação ter dinheiro? Os jogadores! Quem faz os jogadores? Os clubes! Essa balança pesa para um lado só. Convocações suspeitas, favorecimento a determinados clubes, Corinthians e Flamengo para ser mais exato, com um treinador sem sal e nitidamente seguindo a cartilha da mídia. Junte tudo isso a farra do boi, que está sendo a preparação para a Copa do Mundo. Vão sugar nosso dinheiro igual bezerro desmamado! São tantos absurdos, tantos desmandos, que merecia um livro (quem sabe?) e não um simples artigo, com poucas linhas e espaço para apurar.
Tudo isso junto afasta o torcedor, cria antipatia. Realmente, a Seleção tem passado um sentimento de inconveniência. Desfalca os times em jogos importantes – isso quando o jogador não se machuca lá e a CBF não ressarci o clube –, faz quase todos os amistosos fora do país e deixa a galera afastada do símbolo. Virou um time de televisão. Queria poder falar mais, colocar o dedo em algumas feridas, mas tenho de ser responsável. Não dá para acusar sem provas documentadas. Sigo acompanhando, comemorando, ficando chateado com os jogos. Porém, me perdoem quem queria uma análise do 4x2 no Equador, depois de escrever essas coisas acima, perdi a vontade completamente.
