Retrocesso
No início dessa semana, pós BaVi, os treinadores Paulo Roberto Falcão e Toninho Cerezo foram ao Bem Amigos!, apresentado por Galvão Bueno, no canal fechado SporTV. Devo reconhecer que não sou muito chegado ao programa. É todo cheio de pose, lembrando uma reunião genérica, bufada e fajuta de lordes ingleses. Entretanto, esse não tinha como perder. Júnior, hoje comentarista da Rede Globo e lateral esquerdo em 1982, também estava na “mesa”. Mais do que o bate papo, o mais interessante e prazeroso da atração foi o resumo da histórica participação brasileira na Copa do Mundo de 1982. Por sinal, foi o ano que nasci e meu nome é em homenagem ao meia Éder Aleixo, camisa 11 daquele time que encantou. O Brasil perdeu para a Itália no dia 5 de julho e no dia 6 vi o mundo pela primeira vez. O futebol está em minha vida desde sempre!
Na maioria dos lances sobre o time comandado por Telê Santana, que eu por motivos óbvios não acompanhei na época, o mais legal era o toque de bola e o giro dos jogadores. Vira e mexe, com muita qualidade e poder de decisão, Cerezo e Falcão criavam e ainda definiam jogadas. Um sujeito desavisado pensaria que ali se tratava de dois grandes meias. Quem, que acompanha há pouco tempo o brucutu futebol brasileiro, poderia imaginar que era a dupla de volantes? Pois é! Por mais que eu esteja remetendo a 1982 para justificar meus argumentos, a escalação contra o Conquista foi um tremendo retrocesso! Com Fahel e Fabinho juntos, simplesmente não dá!
Não cometerei o sacrilégio de comparar os jogadores Cerezo e Falcão com Fahel e Fabinho. Vou ficar apenas no conceito de jogo. Quando chegou ao Bahia, o “Rei de Roma” logo mostrou que o pensamento era completamente diferente do de Joel Santana. A dupla foi desfeita logo no intervalo da estreia. Nas partidas seguintes o futebol encantou e os volantes começaram a se destacar. Marcação avançada, posse de bola e viradas de jogo. Um detalhe fazia toda a diferença. Como segundo homem do meio de campo, ou jogava Hélder – deixou o time por contusão - ou Lenine. Ambos com qualidade técnica. Bastaram duas atuações abaixo do que vinha apresentando, o encaixe foi desfeito.
Lenine realmente não foi bem no BaVi, porém jogou mais do que Fahel. Depois que voltou de lesão, o segundo simplesmente não consegue render e muito dos problemas tricolores são do lado que Fahel deveria dar cobertura. Os adversários descobriram a fragilidade de William Matheus e estão explorando o setor. Vira uma bola de neve. O volante não chega, o zagueiro tem de sair para cobrir e o sistema defensivo vira as ruas de Salvador: cheio de buracos! Mas, se o problema também é na marcação, Falcão não está certo em colocar um cara mais marcador? A resposta é em cima do futebol apresentado nos primeiros jogos: não! Como o próprio treinador defende, a melhor marcação é manter a posse de bola.
Com Fahel e Fabinho o time perde saída de bola, velocidade, criatividade e a marcação fica muito recuada, empurrando consciente ou inconscientemente os zagueiros para dentro da própria área. Os meias e os atacantes continuam com o mesmo posicionamento avançado do esquema inicial e a intermediária fica aberta e os setores isolados. Coloquem na receita sem sal as atuações fracas dos laterais, principalmente William Matheus. Madson, pelo menos, tem ganhado confiança e partido para cima. O problema é na hora de cruzar ou passar. É o verdadeiro pontapé de grilo! Na marcação, também deixa a desejar. Por tudo isso, o sistema defensivo entrou em colapso e derrubou o time. É preciso que o treinador retome o que estava dando certo e não alimente esse retrocesso de limitar o meio de campo apenas a criatividade dos meias, isolados. Queda de rendimento é natural, mas não é preciso colaborar com isso.
Para ser justo, é preciso lembrar as ausências. Não apenas se perdem titulares, mas as opções para mudar os jogos ficam limitadas. Ficou claro nesses últimos jogos que o elenco têm carências. Com as voltas de Coelho, Titi, Ávine, Hélder, Gabriel, Jefferson, Lulinha e Zé Roberto (esqueci alguém?), além da liberação do boliviano Luis Gutierrez, tornará as coisas muito mais fáceis para o treinador, principalmente se ele retomar o conceito. Acredito que sim!
