Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Holofote

Coluna

Tatuagem e Camaleão

Por Éder Ferrari

Não sei se sempre fui e aumentei ou simplesmente me tornei. Normalmente, a pessoa não percebe traços da própria personalidade. Atitudes são tomadas inconscientemente. O fato é que, amigos, pai, mãe, irmãos, mulher, quase unanimemente, têm dito que ando muito nervoso e chato. “Galego, véi, você anda chato demais, todo estressado! Reclama de tudo e fica ai igual um abestalhado mal humorado. Tá chato pra caralho!”. Palavras de um amigo de mais de 20 anos, Gustavo, que me inspiraram a escrever esse texto. Antes, vou explicar o “Galego”. Muitos não acreditam, mas nem sempre fui careca. Antes de meu cabelo cometer suicídio, costumava ser castanho claro, principalmente na infância. 
 
O que toda essa resenha pessoal tem a ver com o artigo? Adoro carnaval e esse foi meu décimo sexto seguido em Salvador. No entanto, a idade, o amadurecimento, a mudança de pensamento e objetivo de vida me fazem, naturalmente, ver tudo com outra perspectiva. Já fiz xixi e joguei latinha de cerveja na rua; estacionei em local proibido; atravessei avenidas fora das faixas ou passarelas; não liguei para sinal vermelho; entre outras coisas que muitos, assim como eu antigamente, pensam serem bobagens. Não é! Atitudes imbecis, desrespeitosas, nas ditas pequenas coisas, fecham as janelas para as grandes coisas. Vejo tudo conectado. Caso não haja respeito embaixo, nunca teremos em cima. E estou falando de respeito próprio!
 
Não é preciso ser antropólogo para perceber que nós, baianos, brasileiros, costumamos ser acomodados e convenientes. Se aparentemente não nos afeta diretamente, damos de ombro. É sempre aquela história da pimenta no dos outros é refresco. Para completar, quem reclama é chato, mal amado, não tem o que fazer, etc. As pessoas são reflexo das escolhas. Se não cobramos estrutura geral – saúde, educação, mobilidade e conforto urbano – como poderemos exigir qualquer coisa? Muitos não se importam por achar natural, porém, no carnaval, duas coisas, principalmente, revoltam quem foge um pouco do “não ligo”: a fedentina nas ruas e os carros multados e rebocados. 
 
Sobre isso, é tudo culpa nossa. É uma mistura de merdas! Conscientemente, elegemos incompetentes e não exigimos nossos direitos. Ai volta à pimenta. Se eu acho minha vaguinha, que se lasque quem é obrigado a estacionar em local proibido. Ninguém manda ser lerdo! Nessa hora desgraçada que lembram não ter estacionamentos minimamente suficientes para tamanha demanda. Pegar um buzu é um sacrifício miserável. Os taxistas, que não recebem estrutura e nem se organizam, em sua maioria, escolhem quem e para onde levar e não usam o taxímetro. Metrô é utopia. Quem tem, praticamente, é obrigado a ir de carro. Com a quantidade de impostos que pagamos, deveríamos ter todas essas opções disponíveis confortavelmente. Mesmo caso de banheiros. Malmente se acha aqueles banheiros químicos fedorentos. O que fazer, vai mijar nas calças? Não é um problema sempre? Por que não fazem e dão manutenção a banheiros no circuito? Deveria ser na cidade toda! São essas “pequenas” coisas que fazem toda a diferença.
 
Esse é um espaço esportivo e, ultimamente, tenho me arriscado na arte de ser “chato” e cobrar estrutura em Salvador. Não quero nem de longe mudar de editoria e daqui a pouco falo sobre futebol, entretanto não consigo mais fechar os olhos. Fico “abestalhado”! Sempre achei irritantes os moralistas, mas estou me tornando um. Pelo menos no quesito responsabilidade social. Não sabemos viver em comunidade, sociedade e quem percebe isso acaba ficando nervoso ao ver tamanha omissão. Estamos longe de sermos como Jesus Cristo, mas sempre damos o outro lado do rosto para baterem. E batem forte sem dó! Espero que entendam a metáfora e não pensem que estou fazendo apologia à violência. Preferem o que, ficar tomando tapa e lamentando só no momento, mijando em poste e árvore igual a cachorro ou partir para devolver com um murro de soqueira? E olhe que estou questionando o eleitoreiro carnaval. Ou todo mundo vai fazer tatuagem e sair no Camaleão?
 
Futebol
 
 Voltemos ao que sou pago para escrever aqui. Vivemos um momento de antítese no futebol brasileiro. Nunca tivemos uma safra ruim e retrograda de treinadores como a atual, contudo, por conceitos distorcidos, jamais tiveram a importância tão valorizada e o reflexo disso são os salários e as cobranças. Quando vemos um treinador fazer o óbvio, nos assustamos e logo corremos para dizer ser diferenciado. Com poucos dias, Paulo Roberto Falcão mudou a postura ridícula utilizada por Joel Santana e, de acordo com as características dos jogadores, colocou o time para jogar e não apenas marcar. Espero que saiba lidar com prováveis resultados ruins e não abra mão do conceito atual. Pode ser apenas uma empolgação inicial e claro que Falcão pode dar errado, uma vez que a função dele é organizar e o resto fica por conta dos jogadores, porém, espero muito que dê certo. Pelo bem do Bahia e da qualidade do jogo praticado no Brasil. Alguém precisa começar e tomara que seja por aqui. Lembrando que muito passa pelo entendimento dos boleiros. De que adianta o técnico saber tudo, se os atletas receberem as ideias como portas?

Compartilhar