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Coluna

Se

Pense em uma palavrinha miúda, que quase sempre mistura utilidade e desgraça é o tal do “se”. Pode ser usado de diversas formas. Para o futuro, uma análise com esperança de que vai dar certo. Sobre o passado normalmente é como desculpa ou lamento. No presente não se encaixa, mas sempre é a solução desesperada. E é esse monossílabo que vem regendo o Bahia nesse retorno a Primeira Divisão, principalmente após as contratações de nomes de peso no futebol Brasileiro. De que forma o “se” entrará em campo pelo tricolor: como trauma do passado ou realização de objetivo futuro?


Não dá para adivinhar, mas as cartas estão na mesa para serem analisadas. A qualidade técnica de Ricardinho, Carlos Alberto e Jobson é indiscutível! Contudo, junto com eles vêm os adicionais extra-campo. Cada um com sua fama – algumas comprovadas – o trio carrega a esperança e a desconfiança lado a lado. Será que vão resolver? Ainda tem o Souza, que tem uma carreira marcada por altos e baixos. Recentemente, bem mais “baixos”. E o Lulinha, será que finalmente vai explodir? Ávine e Marcone vão conseguir mostrar futebol na Série A? Rapaz, se todo mundo jogar o que sabe e se unir, o negócio vai ser bom! “Se”...


Jobson é cercado de cuidados. É nítido como os companheiros o abraçaram. Brincalhão, resenheiro e boa praça, compensa divertindo todo mundo. Suspenso por doping em 2009 – foi pego no teste em duas partidas quando atuava pelo Botafogo -, o jogador espera, no Bahia, superar a desconfiança e abandonar a fama de barqueiro irresponsável e drogado. O vício nas drogas teria ficado no passado. “Se” ficou, o cara vai resolver muitos jogos, mas a aposta é muito alta. Fora o evidente risco de uma recaída disciplinar, Jobson será julgado no próximo dia 21 pela Corte Arbitral do Esporte (CAS), na Suíça, e corre sério risco de ser obrigado a cumprir a pena de dois anos. No Brasil ela foi reduzida para seis meses.


Ricardinho tem fama de rachador de elenco e, com 35 anos, será que ainda vai conseguir render com a propalada intensidade cobrada por René Simões? Ele jura de pé junto que a primeira acusação é intriga da oposição. Não vou julgar o caráter de quem não conheço – não deveria julgar o de ninguém – mas me parece que o caso é o seguinte: por ter tido uma criação diferente e fugir do perfil boleiro atual, acaba ficando a parte com os companheiros e se aproxima de treinadores e dirigentes pela maior identificação com o jeito de ser. Logo, lhe colocam a alcunha de “traíra”. Verdade ou mentira, só o tempo dirá. “Se” passar por cima disso e da idade vai ser muito importante.


Carlos Alberto é um cara talentoso, que teve a oportunidade de brilhar muito cedo e, por escolhas ruins e atitudes piores ainda, não conseguiu se tornar o que prometia. Marrento e contestador, teve problemas em todos os clubes que passou, sejam com dirigentes, treinadores, companheiros e imprensa. Para ser justo, só não lembro pepino de com o Porto de Portugal, mas ficou pouco tempo por lá. Passa a impressão de não aceitar ser contestado, a ingerência, nem desaforo. É uma bomba relógio da impaciência. Piora ainda o fato de se machucar demais. Passa mais tempo no departamento médico do que em campo. “Se” chegar com sangue no olho para jogar, “se” se identificar com o clube e os companheiros e “se” mantiver a forma física em dia, vai ser ídolo. É muito “se”...


Com todos os “se`s” minha desconfiança é evidente. Porém, não tem como deixar de reconhecer a ousadia. Do jeito que estava não poderia ficar. “Se” as escolhas foram acertadas, só o tempo dirá, mas era preciso trazer jogadores referência. Eu não arriscaria tanto, mas tem de analisar o mercado. Não se acha esse tipo de jogador em qualquer esquina. Quem tem faz de tudo para não liberar. Sem dinheiro para pagar luvas e direitos então, fica ainda mais complicado. Time desacreditado, longe da principal vitrine do país e concorrência. O Bahia esbarrou nisso e teve de recorrer a quem estava disponível. “Se” o trio der certo, o caminho tricolor no sonhado retorno fica mais suave e prazeroso para a torcida.

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