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Coluna

Velhos hábitos

Por Edson Almeida

O Ano Novo chegou e parece que tudo vai continuar no mesmo: contratações duvidosas, de pouco impacto, em que só os dirigentes parecem acreditar e isso é perigoso, porque acaba naquele velho adágio chinês do que “pode ser que sim, pode ser que não”...Geralmente, essas contratações não frutificam, acabando amaldiçoadas pela torcida, motivo de decepção  para os cartolas.
 
Continuo achando a torcida do Vitória mais realista do que a do Bahia – e seguramente seja este o segredo de tanta persistência e de tanto amor  historicamente construídos pelos tricolores. Eles, os da imprensa, os da arquibancada e os da diretoria, superlativam tudo – e abominam qualquer opinião realista.
 
Os rubro-negros, não. De tanto tentarem em vão um título nacional, já olham tudo com certa desconfiança e, quando algum crítico mostra certos erros, como as indisciplinas que ocorrem atualmente lá na Toca do Leão, caem na realidade e fazem coro sobre a possibilidade de novos tropeços e dissabores.
 
Vejam os exemplos: agora mesmo, ao revelar o conceito de que discordo que empresas ou instituições, por questões unilaterais, diminuam salários, foi um pânico terrível com relação ao atacante Souza, que ganhou R$ 220 mil durante toda uma temporada, metade do Bahia, metade do Corinthians, e agora, para renovar sem a participação do clube paulista, reluta para não diminuir os seus rendimentos.
 
Não é que o Bahia tenha que pagar, porque esse é um problema muito doméstico do Tricolor, o caso é que nenhum trabalhador admite redução em seus rendimentos. A não ser que esteja diante do desemprego ou aposentado, que não me parece ser o caso de Souza.
 
Fui rebatido por companheiros, já li na Internet alguns fanáticos dizendo que estou querendo tumultuar. Nada disso. Questão de ponto de vista, porque jamais vou admitir que um patrão qualquer me chame para achatar o meu salário, prefiro lavar carro na esquina, mas não vou aceitar.
 
Já  sobre o comportamento de Uélliton, que disse não ter mais tesão para jogar no Vitória e Nino Paraíba, que andou sumido uns quatro dias após a reapresentação, disse que os dirigentes têm que tomar uma atitude enérgica, sob pena de serem desmoralizados, e a torcida, quase na unanimidade, achou até que fui condescendente, optando pela expulsão dos dois. Só não concordo, porque são  bons jogadores e isso seria um grande prejuízo para o clube, que precisa encontrar uma forma de fazer algum  trocado com os dois.
 
Mas acho que o Bahia vai acabar pagando o que Souza está pedindo e o Vitória perdoando os faltosos. Na verdade, é velho hábito que nossos clubes armem arapucas contra eles próprios e por isso não consigam  encontrar os seus ideais. 

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