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Coluna

Lições de um jogo

Por Éder Ferrari

Nada mais imediatista do que tirar conclusões quase definitivas em cima de apenas um jogo. Assim como um cara fraco pode arrebentar em uma partida, um bom pode simplesmente fazer muita besteira e parecer ruim. Todos os erros, acertos e custo benefício do ano, devem ser levados em conta, no entanto, algumas dúvidas, como pensar em segunda chance para A ou B, podem ser tiradas a limpo em uma peleja. Sinceramente, se eu pensava, mesmo que minimante, em manter Joel Santana e Carlos Alberto para 2012 – felizmente, não sou eu que decido - nessa derrota contra o Palmeiras eles provaram não ser a solução. Sendo o mais racional possível, são caros demais para o que rendem!
 
Continuo com o pensamento que o Bahia não cai, mas precisa fazer por onde. Não dá para inventar e ir de encontro ao que propõe taticamente. Joel tem a mesma proposta, o mesmo esquema de jogo utilizado em 1999, na última passagem pelo tricolor, mas com diferenças básicas e fundamentais para ter a eficiência garantida. Há 12 anos, “Papai Joel” tinha no time os laterais Clébson e Jefferson, um atacante diferenciado, Uéslei, que marcou impressionantes 56 gols na temporada e um volante organizador, Bebeto Campos. Os quatro faziam o esquema defensivo funcionar ofensivamente. Hoje, mesmo com Marcos e Dodô – Ávine só jogou uma vez e como meia com o treinador – o nível não é o mesmo e, baseado no apoio pelos lados, o jogo fica previsível.
 
Se com os titulares o rendimento tático e técnico já é previsível, imaginem – basta ver o jogo com o Palmeiras – quando se escolhe como substitutos jogadores que não apoiam? O time é engolido facilmente, já que Diones está longe de ser um Bebeto Campos e, atualmente, perto de Uéslei, Carlos Alberto é uma sombra de formiga. Hoje, coletiva e individualmente deixa a desejar. Ainda assim, em 1999, o objetivo principal não veio. Ganhou o Baiano dividido no tapetão com o Vitória e, por teimosia, manteve no gol o pesadelo chamado Alex Guimarães, que acabou entregando o acesso a Série A. Não estou querendo aqui levantar defunto, covardemente, para “bater” mais no treinador. A intenção é provar que o pensamento é ultrapassado. Será que é tão eficiente como os dirigentes acreditam?
 
Venho escrevendo aqui seguidamente que Joel libera poucos jogadores para atacar. Como suplantar um time postado, bem fechado, com no máximo quatro jogadores atacando e sem variar o jogo? Para piorar, todas as mudanças na escalação se mostraram, obviamente, equivocadas. Jancarlos está completamente sem ritmo e força. Hélder já não vinha rendendo nada no meio de campo, quanto mais na lateral. Camacho não produziu nas chances que teve e, ainda assim, recebeu nova oportunidade. “Surpreendentemente”, saiu no intervalo. Carlos Alberto mostrou mais do mesmo. Irritou a torcida e foi quase que unanimemente vaiado ao ser substituído: justo! Chamou atenção também a ausência de Magno. Não que tivesse sido um absurdo tirá-lo do time, mas até do banco? Qual o critério? Que os erros desse ano sirvam de lição, aprendizado e que não se repitam ou mantenham em 2012. Que 2011 sobreviva!

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