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Coluna

O medo de ganhar

Por Éder Ferrari

Eu sou chato e não me contento com pouco! Equilibrar uma partida por baixo para mim não é lá grande mérito, mesmo com o adversário reconhecidamente superior. É aquela velha história que fez surgir frases como “o medo de perder tira a vontade de ganhar”. Joel Santana entrou claramente para não sair derrotado pelo Corinthians. Desde o início da carreira que o treinador tricolor sempre teve esse conceito de que, fora de casa, o importante é não perder. Ganhar é secundário. Perdeu!

Isso não vai mudar agora e, quando Joel foi contratado, com exceção dos desavisados, todo mundo sabia que seria dessa forma. Não vou nem me aprofundar nisso por que será murro em ponta de faca e vai acabar parecendo mau humor. Não é! Tenho outros conceitos táticos, mas respeito e acredito em Santana. De certa forma, o time já começa a ter uma cara, no entanto, não posso deixar de questionar as escolhas. Já passou da hora do treinador conhecer melhor o elenco.

Hélder, um jogador que não gosto, fez uma ótima partida contra o Atlético Paranaense, compondo bem o meio de campo e dando belas assistências – inclusive a do gol. Arrisco a dizer que foi um dos três melhores em campo. No jogo seguinte o que faz Joel? Improvisa o cara na lateral esquerda e, em uma tacada só, enfraqueceu o meio e não deu nenhuma força a lateral. Hélder apenas ocupou espaço. Não apoiou em nenhum momento e, na hora do gol, não estava onde deveria que era próximo a Emerson. Não foi culpa dele e sim conseqüência da escolha errada.

Outra opção sem sentido foi à escalação de Reinaldo. De não relacionado a titular, passando por cima de outros jogadores que estavam sendo convocados. Não consigo entender essas coisas, assim como Maranhão entrar de volante. Pelo visto, só vão sossegar quando o mandarem para o Sub-23. O que custa colocar o garoto na dele? Mesmo sendo a única escolha de velocidade disponível no banco, Joel o escalou da única maneira que ele não poderia colocar a virtude em prática. Quantas vezes Maranhão deu cobertura a Marcos? Pra quê? Isso não existe!

Joel terá mais uma semana de trabalho para o próximo jogo. É hora de ver jogos antigos, de procurar o básico e não cometer mais erros bobos por desconhecimento do elenco. Os cinco pontos de vantagem para o Z4 poderiam ter se transformado em oito não fosse o medo de perder. Sem Carlos Alberto, suspenso, o time perde em espaços e experiência. Tem sempre dois jogadores próximos a ele, que passa o jogo todo provocando e isso conta, porém, tecnicamente, o banco é o lugar no momento. O confronto direto no próximo jogo pode deixar o Bahia onze pontos a frente do adversário. É preciso ter conhecimento e objetividade: ganhar do Avaí é mais do que fundamental!

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