POR QUE NÃO SIMPLIFICA?
Futebol é uma coisa tão simples, que muitas vezes as pessoas o complicam. Não se trata de inventar, tentar soluções mirabolantes e sim, de não fazer o básico. A galera se prende há alguns conceitos bobos pensando que, assim, está simplificando, mas a realidade é outra. Quando vejo o Bahia jogar e treinar, isso fica ainda mais nítido para mim. Muita coisa não faz sentido. Se tem Lucas, para que colocar Gabriel na lateral direita? Se têm jogadores com problemas físicos, para que tanta folga? Não consigo entender por que não individualizam os trabalhos.
Ano passado, eu era um dos que mais reclamava da falta de treinamento de Renato Gaúcho. Contudo, o atual treinador do Grêmio tinha seus méritos, como o de sempre manter os caras motivados. Com Benazzi, sempre tem coletivo, mas parece um baba. Não corrige posicionamento, não testa variações de jogadas e, com alguns minutos de atividade, muda o time todo sem consertar o que está dando errado. Quem acompanha esse espaço, sabe que tenho minhas reservas quanto ao trabalho de Vágner Benazzi – nada pessoal. E, acompanhando o dia a dia, as coisas pioraram.
Sou um grande fã do Tostão. As análises táticas que ele faz em suas crônicas, são verdadeiras catequeses de futebol. Uma coisa que o ex-craque tem sempre observado, ficou escancarado nos jogos do Bahia contra Feirense, Serrano, Conquista e Atlético. É impressionante, como os treinadores brasileiros não sabem compactar as equipes. Os zagueiros se posicionam lá atrás, forçando os volantes a recuarem também. Resultado? Um buraco do tamanho de proporções tsunamicas na intermediária tricolor. Os meias dos adversários deitam o rolam. Não fosse a pouca qualidade dos times do Campeonato Baiano, a vaca já teria ido para o brejo há muito tempo.
Vejo muita gente falando que não dá para Ramon e Moreno jogarem juntos. Sem padrão de jogo amigo, não dá mesmo!Antes de partir para a parte tática, a realidade. A condição técnica de Tressor é indiscutível, mas o colombiano parece estar jogando partidas de exibição ou Showbol! Não simplifica e só tenta o mais difícil, além de não marcar ninguém e andar em campo, como o parceiro de armação. Sobre não poder jogar com Ramon, é conversa! Basta avançar a marcação, compactar os setores, posicionar os dois como meias, desfazendo, assim, o losango, que deixa Ramon quase de volante e melhorar a condição aeróbica. Eles não têm dinâmica para jogar da forma atual. Com dois meias extremamente técnicos e dois atacantes de área, a marcação tem de ser no campo de ataque. Caso contrário, o time fica espaçado, lento e refém de lançamentos improdutivos. O padrão tático dado por Chiquinho de Assis foi para o espaço. Depois que os auxiliares de Benazzi chegaram, Chiquinho ficou meio isolado.
O Bahia precisa acordar. Campeonato Baiano dá para ir empurrando com a barriga, mas Série A não! Ou qualifica o time ou vai cair. Bruno Paulo, Pedro Beda, Jones, Marcos, Dodô, Luizão, Tiago e Camacho não são opções que devem ser consideradas para o Brasileiro. Alguns deles só atrapalham. Não faz sentido deixar jogador ruim no elenco, principalmente sabendo que ele vai embora. Boquita e Robert estão irreconhecíveis, mas vale mais um pouco de tempo, pelo que já mostraram. No papel, o tricolor tem um bom time, mas um elenco fraco. Alguns titulares hoje servem apenas como peça de reposição para amanhã.
E, para quem me questiona pedindo a base, novamente uso Dodô como exemplo. Era considerado um jóia, um craque, mas subiu cedo demais, ficou encostado, e perdeu o processo de maturação. No profissional, treinador não quer saber de fundamentos: quer o moleque pronto! Se não estiver, fica de lado. Caso não volte para a base, vira um Dodô. Costumo dizer que cada caso é um caso. Não adianta generalizar na escolha. Não é por que Rafael está dando certo, que todos vão dar. Neste caso, o Bahia está certo em não atropelar etapas. Gerações foram perdidas assim, ou só aproveitadas em outros clubes. Foram tantas, que nem preciso citar exemplos. Calma, que Filipe, Fernando, Dudu, Beton, Renan, Paulinho, Gustavo, Feijão, Patrick, Fábio, Igor, Brendan, Talisca, Mateus, Bosco, Railan, Alef, Anderson, Lorival, entre outros, terão oportunidades na hora certa e, espero, a maioria vai mostrar serviço!
