BAIANÃO EQUILIBRADO
A disputa do Campeonato Baiano desta temporada, apesar do baixo nível técnico, continua bastante equilibrada e neste final de semana se confirmou isso. Foram seis partidas, incluindo as do Torneio da Morte, e vinte e um gols marcados, uma média de 3,5 por confronto. Desses duelos, o triunfo do Conquista sobre o Atlético, por 4 x 3, no Antonio Carneiro, em Alagoinhas, e o do Vitória sobre o Feirense (4 x 1 para o rubro-negro), foram os que mais gostei.
Primeira, no Barradão, o Leão deu mais uma demonstração que o pentacampeonato está bem encaminhado. O time de Antonio Lopes vem se arrumando a cada rodada, mesmo com a minha descrença em relação ao trabalho do delegado. Mais uma vez um jogador fez a diferença: Nikão. Com nome que parece de um salgadinho, o garoto, de apenas 18 anos, emprestado pelo Atlético-MG, continua dando aula de futebol. Matador, rápido e extremamente inteligente. É o cara do elenco rubro-negro hoje, mesmo com medalhões como Geovanni, Viáfara e Elkeson.
Sei que é muito cedo para falar ou fazer prognósticos em relação ao futuro desse jovem, mas ele queimou a língua de muita gente. Quando desembarcou em Salvador, a torcida rubro-negra, sempre exigente - até demais às vezes - reclamou, dizendo que a diretoria estava apostando muito. Deu no que deu. Temos sempre que esperar em campo para ver o resultado. Rildo, atacante que ninguém sabia quem era, ganha pouco e ajuda muito e é um outro exemplo disso.
Acho que Lopes pode, e deve, utilizar esse esquema com três atacantes. Isso sempre deu certo na Toca. Vou citar dois exemplos: 1993 e 1999. Na primeira data, o rubro-negro, então com Claudinho, Pichetti e Alexi Alves no ataque, chegou à final do Brasileirão contra a "seleção" Palmeiras. Já na Série A de 99, o Leão tinha Cláudio, Arthur e Tuta e chegou à semifinal da competição.
No outro jogo do Baianão que me deixou feliz foi no Carneirão. O Conquista, pela segunda vez em uma semana, bateu o Carcará e deu um passo importante rumo às finais, com mais um gol de Felipe Adão, grande contartação do clube na temporada. Na segunda posição do grupo 3, o time do centro-Sul do estado vai encarar o Bahia de Feira na próxima rodada, e se vencer, fica com um pé na última fase.
Já o Bahia vacilou feio. O time de Benazzi perdeu para o genérico de Feira de Santana por 1 x 0, com gol de João Neto. Mas o que mais deixou o torcedor tricolor irritado foi o baixo rendimento da equipe, que não consegue desenvolver um bom futebol sem a presença do meia Ramon em campo. Tressor Moreno, Robert e Souza só fazem decepcionar a cada rodada. Um absurdo jogadores com esses salários atuarem neste nível em um campeonato tão "sem nível" como o Baianão. É preciso repensar nesse planejamento e investir nos meninos da base, que chegaram, com todo mérito, às finais da Copa São Paulo de Futebol Júnior.
