Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Holofote

Coluna

ISSO É FUTEBOL!

Último dia de carnaval. Estou eu, largado no sofá, recuperando as energias para aproveitar com algum speed a despedida carnavalesca, de que tanto gosto. Enquanto mandava o povo se arrumar e já saboreava uma cervejinha, comecei a assistir a Barcelona x Arsenal, pela Liga dos Campeões da Europa. Peguei o baba já com dez minutos de bola rolando e, pelo que vi até o final, devem ter feito falta. Aquilo sim é apaixonante!

 

A minha expectativa era de um jogo muito aberto. Arsene Wenger, treinador dos Gunners, afirmou antes do duelo que, para vencer, teria de atacar. Pura conversa mole. Independente da imensa superioridade técnica catalã, o Arsenal foi covarde e deu apenas um chute no gol. Até o gol, para sair, teve de ser contra, em um escanteio “achado”. Mudou o tradicional estilo veloz de contra-ataques, apenas para se defender e, não fosse o goleiro e os gols perdidos, teria levado uma sapecada pesada.

 

O estilo de jogo do Barcelona vem desde a base. Os treinadores das categorias inferiores são obrigados a “jogar bonito”. Aliás, o planejamento do Barça reza por um viés que acho fantástico. Só faz contratações pontuais, para posições realmente carentes e que, em curto prazo, não tenha ninguém pronto na base. Para se ter uma idéia disso, com todos os jogadores a disposição, o treinador Pepe Guardiola escala apenas três “forasteiros”: Daniel Alves, Maxwell (Adriano) e David Villa.

 

Troca de passes, triangulações, marcação avançada e liberdade total aos craques. Ser inventivo no Campo Nou é mérito. No Brasil, tem virado irresponsabilidade e falta de respeito aos adversários... Claro que ter Messi, Xavi, Iniesta, David Villa e Daniel Alves ajuda e muito, mas os três primeiros, baixinhos e habilidosos, vieram da base. O melhor é que não fica “apenas” no jogo bonito. É muito eficiente, o que quebra os argumentos contrários dos medrosos. Tirando derrotas normais do futebol, o Barcelona tem sempre conquistado muitos títulos. O exemplo deve vir dele e não de duas linhas de quatro, com zagueiros jogando nas laterais, como Muricy Ramalho, por exemplo, tem utilizado.

 

Futebol se joga com a bola nos pés! Parece óbvio dizer isso, mas os treinadores e formadores de atletas no Brasil, não enxergam mais desse jeito. A aposta é, quase sempre, nos grandões. O que mais se vê nos gramados tupiniquins são chutões, ligação direta e a “fundamental” bola parada. Existe até uma estratégia de cavar faltas nas proximidades da área para tentar “decidir”. É mais fácil do que treinar tabelas, dribles, assistências...

 

Assistir ao Barça é o verdadeiro exercício lúdico que o futebol deveria proporcionar. Claro que é preciso qualidade técnica para isso, mas dá para colocar a bola no chão e fazer valer a essência. O esporte tem de divertir, emocionar. Foi o que aconteceu comigo. Fui me despedir do carnaval feliz da vida, com o sentimento de que, aquilo sim, foi o esporte que me apaixonou. Não essa coisa horrorosa, que tem se visto por ai. Sei que, mesmo se tivesse alcance, esse comentário seria desdenhado, contudo, vou deixar o conselho. Treinadores, dirigentes e jogadores do meu Brasil: vamos colocar a bola no chão e encantar. Esse deve ser, sempre, o futebol brasileiro.

Compartilhar