APITAR É BICO!
Para não fugir do foco de minha intenção neste artigo, vou deixar os questionamentos rubro-negros no último Ba-Vi para depois. O sangue ainda está quente e a moral da história pode ser deixada de lado. Contudo o tema deste artigo foi inspirado por toda reclamação criada pelo clássico. Porque será que, em quase todos os jogos, alguém crítica e muito da arbitragem?
Para começar, acho a arbitragem baiana muito fraca. Sem qualidade e renovação. São os mesmos nomes, todos extremamente desgastados – com razão – por anos de equívocos. Ontem eu escutei muita gente tentando defender a comissão local, dizendo que têm erros em todos os lugares, inclusive na Copa do Mundo. Concordo que, desculpem o termo, é uma merda em tudo quanto é campeonato. No entanto, é medíocre justificar erro com outros erros. Por que não tentar buscar soluções?
O que me deixa mais abismado com a arbitragem é o fato de, em um esporte altamente profissional, ser amadora. Pensando rápido, de todo mundo envolvido em uma partida, apenas o gandula – em alguns casos – e os juízes não são profissionais. Qual sentido tem isso? Todos os árbitros têm outra profissão o que, sem dúvida alguma, deixa claro que apitar é bico! Não me cabe dizer como, mas tem de profissionalizar. Por exemplo, na segunda-feira, com todo alvoroço do Vitória, Jaílson Macedo Freitas deve ter ido trabalhar em seu real emprego de boa. Tinha de ter uma reapresentação, assistir o vídeo do jogo, fazer um trabalho físico intenso, repassar regras e lances interpretativos...
Falando em lances interpretativos, algumas coisas têm de ser mais objetivas. Para mim, tinha de ser igual à baba: bateu na mão é falta! Esse negócio de intenção não me convence. Tinha de ser como o impedimento: ou é ou não é! Isso abre espaço para critérios diferentes. Em cada local, o cara tem um estilo de pensar, de marcar ou não faltas. Tem de padronizar mundialmente. No entanto, sei que não é fácil fazer isso. Têm lances que, para alguns, é normal e a outros falta escandalosa. Quando tem interpretação, dá nisso, mas não precisa ser todo critério assim.
Agora, como não sou pipoqueiro e tenho a obrigação de dar a opinião sobre os fatos, vamos lá. Para mim, essa reclamação toda do Vitória – torcida, jogadores, diretoria, comissão técnica – nada mais é do que desequilíbrio emocional. No pênalti reclamado, como sempre, Elkeson se jogou: Ramon estava na frente dele e foi na bola reto. Na suposta falta que antecedeu o gol de Marcone, queria perguntar se Nino é Raio-X? O marcador tem de sair da frente para ele passar? Lance normal! Na cobrança ridícula e irresponsável de Ávine, Viafara se adiantou e Alison invadiu a área. O que diz a regra mesmo? Então, tem de parar de esconder o sol com a peneira e achar que é sempre injustiçado. Assim como o Bahia precisa melhorar e muito, o Vitória não fica atrás. A arbitragem prejudica todo mundo!
