AUTONOMIA
Autonomia: essa é a palavra que pode mudar o Bahia de agora em diante. Com a chegada de Paulo Angioni, todas as mudanças esperadas passam por essa liberdade de trabalho. Não vai adiantar nada o competente profissional mapear todas as deficiências do departamento de futebol tricolor – são muitas – se não tiver autonomia. Ontem (terça-feira 13), tive o prazer de conhecer o dirigente. Sim, prazer. Por que nesse meio, é difícil encontrar alguém de fino trato e que externe seus pensamentos com convicção, atenção, consciência e, sobretudo, educação e conhecimento.
Com vasta experiência em clubes como Vasco, Flamengo, Fluminense, Palmeiras, Corinthians, além da Seleção Brasileira, Angioni tem capacidade suficiente para dar um jeito no futebol tricolor. Agora, como avisei a ele, terá pela frente pessoas acostumadas com o amadorismo e com abominável cultura do, “não faça o seu, que eu não faço o meu”. Será que Marcelo Guimarães Filho realmente deu autonomia para o gestor colocar ordem na casa? Uma consequência quase óbvia é à saída de antigos “peixes” da família Guimarães, que estão no clube há muito tempo sustentando o famigerado costume dito acima. Sobraram por isso, na base da fofoca e da omissão das suas funções, por exemplo, Paulo Carneiro e alguns treinadores que tentaram mudar o quadro. O óleo para Renato Gaúcho já estava aquecido. E o Bahia segue sem ganhar nada...
O maior temor de boa parte dos críticos de Guimarães Filho pode se tornar o principal trunfo. A dedicação irrestrita a sua campanha para se reeleger deputado federal, forçou o mandatário a rever seus conceitos, deixar o ego e os favores de lado, e partir para a prometida profissionalização. Com Paulo Carneiro, havia muita disposição e força de trabalho da sua parte, mas era uma ilha no meio do Oceano. Agora, aparentemente, promete ser diferente. Angioni não é um salvador da pátria ou certeza de sucesso dentro de campo, mas, volto a repetir, com autonomia e boa vontade dos “amigos do Bahia” tem tudo para ser uma reviravolta no mundo tricolor.
Renato Gaúcho
Pelas declarações dadas, a meu ver, a saída do treinador ao término do Campeonato Baiano é uma certeza. O contrato com os árabes seria curto – 10 meses - e numeroso o suficiente para fazê-lo abrir mão do bem viver. Além disso, passar menos de um ano com mimos e as mordomias proporcionadas pelos xeiques dos Emirados Árabes, não deve ser tão desgostoso assim. Sinceramente, a depender do substituto, o Bahia só tem a ganhar. Apesar dos 14 jogos de invencibilidade no estadual, Renato ainda não deu um padrão de jogo ao time, que se sustenta na base da força, individualidade e fragilidade dos adversários do interior. Como diria meu amigo Dito Lopes, “rachão não dá padrão”.
