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Coluna

BASE É QUASE TUDO

Fiz questão de escrever uma boa parte desse artigo antes do jogo para não ter a visão, digamos assim, poluída pelo resultado da final da Copa São Paulo de Futebol Juniores, entre Bahia e Flamengo. Minha intenção não é tentar dar uma de “Mãe Dinah” ou coisa do tipo. O que eu quero é provar o meu ponto de vista de que, as conquistas de títulos na base, são apenas a cereja no bolo do trabalho que deve ser feito nas divisões inferiores. O batente precisa ser de formação e não de busca de troféus. A verdadeira conquista é ter os jogadores preparados para a profissão, sem precisar de retoques técnicos.       


Vou dar dois exemplos práticos de como essas coisas funcionam na questão da formação. O Vitória, nos áureos tempos de Newton Motta na década de 1990, teve muitas conquistas, é claro, mas, na maioria das vezes, mandava times “reservas” para as competições de juniores, por que já tinha uma leva boa no profissional. Não conseguiu ganhar uma Copa São Paulo, contudo, proporcionalmente, foi um dos clubes que mais revelou, aproveitou e vendeu jogadores no período.

 

O outro exemplo está no próprio Bahia. O atacante Maranhão, que tem muita qualidade, tecnicamente, não teve a preparação, aparentemente, adequada. A visível falta de capacidade na finalização e no passe é fruto da falta de didática no ensino fundamental e médio do futebol. Hoje em dia, não adianta ter o dom, se não tiver preparo. O treinador do profissional já quer chegar com a missa pronta sem precisar catequizar e ensinar o Pai Nosso a ninguém! Grandes talentos foram perdidos por isso.

 

O exemplo de Maranhão foi só uma parte do que faz parte da educação pré-profissional. É preciso trabalhar a parte psicológica, física e, também, orientar para o que vem de bom e ruim com a fama repentina. Tudo compõe: entrevistas, assédio, postura, profissionalismo, respeito... É bom falar dando modelos equivocados que rolaram aqui. Quem não se lembra de Maurício que, mal orientado, perdeu um ano da carreira e pode deixar passar ainda mais – espero que não toda – por que só tem ao seu lado tapinhas nas costas e profecias ilusórias. Quando não se é gênio, é preciso trabalho e tato para saber o momento de lançar. Tem de conhecer o garoto dentro e fora de campo.

 

Pronto, agora, frustrado, mas orgulhoso, escrevo sobre o desempenho do “Esquadrãozinho” na Copinha. O resultado da final foi extremamente injusto, porém, mostrou bem o que é o futebol: refém das circunstâncias. O Bahia, no seu melhor momento, acabou sofrendo gol e ficando com um a menos. Quebrou a guia. Ainda assim, nos acréscimos, mostrando personalidade e garra (o Pacaembu estava lotado), só não empatou graças ao goleiro carioca que, aliás, promete muito. Foram garotos Sub-18 que, com transmissão ao vivo na Globo - e tudo que isso envolve - para todo o Brasil, fizeram todos os tricolores terem muito orgulho (quem não teve merece morder a testa). Agora é ter calma, seguir a didática da formação e, se tudo for bem feito, contar em um, dois, três anos, com uma geração de muita qualidade para ter como base do profissional.

 

Como sei que vão voltar a perguntar, finalizo com resposta: acredito que Madson e Rafael podem ser incorporados ao profissional, sem dúvida.

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