ESTRUTURA
Já conhecia superficialmente o projeto da Cidade Tricolor, novo centro de treinamento do Bahia, e sabia que era grandioso e fundamental para a retomada do clube aos grandes feitos. Na apresentação oficial ao Conselho Deliberativo, pude ver que ainda é maior do que eu imaginava. Qualquer agremiação que pensa em grandes conquistas tem de investir em estrutura física. Quem não tem um CT com as mínimas condições de trabalho, dificilmente vai alcançar o sucesso com regularidade. Os títulos nacionais de Flamengo e Fluminense foram aberrações e, a temporada seguinte e anterior de cada um, respectivamente, provam isso.
Mas Fla e Flu não venceram a toa. Têm todo o suporte midiático e aporte financeiro para superar o amadorismo administrativo e estrutural. O rubro-negro, entre um atraso de salário e outro, conseguiu formar um grupo forte com dois jogadores diferenciados: Petkovic e Adriano, embalando na reta final, ajudado pela incompetência dos rivais na disputa. No tricolor, 90% do título têm de ser entregue a Unimed, que banca os vencimentos milionários de Muricy Ramalho, Fred, Conca, Deco e Emerson, entre outros menos votados. Quem não tem ao lado um mecenas e/ou proteção e ajuda da grande mídia – Rede Globo, para ser mais exato -, como é o caso do Bahia, tem de investir no engrandecimento do patrimônio e nas divisões de base. São Paulo, Internacional, Grêmio e Cruzeiro são os grandes exemplos.
Por isso, acredito, que se a Cidade Tricolor sair do papel dentro do prazo estipulado – dezembro de 2012 - conseguir se manter na Primeira Divisão; o marketing parar de fazer ações via redes sociais e começar a buscar a grande maioria dos tricolores em outras mídias; as divisões de base conseguirem produzir o esperado, alinhado a inauguração da Fonte Nova e a abertura do clube aos sócios, o Bahia tem tudo para ser, como diria um amigo meu, o Inter do Nordeste. Contudo, uma coisa me preocupa nesse projeto. Essa divisão da construção em duas fases, principalmente pela segunda etapa ficar sob responsabilidade do clube. Fico meio com pé atrás quando deixa a responsabilidade para a diretoria. Contudo, o presidente afirmou ter a intenção de produzir alguma ação para arrecadar os R$ 4 milhões que cabem ao Bahia. Apesar da eterna e justa desconfiança, a torcida tem de abraçar a causa. É o futuro da entidade que está jogo.
