INJUSTIÇA E/OU REALIDADE
Apesar de ter tirados uns dias de “folga” e estar trabalhando em câmera lenta nesses últimos dias de 2010, estou sempre com o computador e o celular do lado, antenado com o que rola nos bastidores do recesso do futebol baiano. Fora as contratações ou não de Bahia e Vitória, chamou a atenção a política de ingressos lançada pelo único representante da boa terra na Primeira Divisão. Para uns, o valor é meio salgado, mas justo. Já outros torcedores têm os valores como uma verdadeira facada no furado bolso da grande maioria dos tricolores. O plano é até razoável, mas nunca será completo sem a associação ao Esporte Clube Bahia. Uma coisa tinha de ser atrelada a outra. Fizeram exatamente ao contrário. Elevaram o preço do sócio patrimonial - dobraram, na verdade – e o deixaram completamente fora da vida do futebol.
Antes de entrar no custo financeiro, fiz uma comparação com os planos de ingressos de outros clubes. Todos têm suas particularidades e a maioria também não dá direito a voto em eleições presidências. Mas ai que vem a questão. Não tenho conhecimento do grau de exigência nas outras agremiações. Cada um com seu problema. No próprio Vitória, não se vê nem 1/10 das reclamações por democracia vistas no Fazendão. Justamente por isso, não dá para comparar e dizer pura e simplesmente: “a maioria não tem eleições”. Já passou do tempo de resolverem esse negócio. Na época, o processo impetrado pela oposição fazia certo sentido, mas hoje não. Em contrapartida, o presidente também tem de parar de dar uma de “João Sem-Braço” e dizer que não pode fazer nada. Foi à principal promessa de campanha em dezembro de 2008. Oposição e situação precisam resolver essa querela sem sentido. Numa visão ingênua, ninguém está ganhando nada com isso.
De volta aos valores. Entendo a dificuldade no orçamento e o custo absurdo do futebol moderno, mas pagar 50 conto para assistir Bahia x Ipitanga é duro. A intenção da diretoria deve ser de alguma forma forçar o tricolor a fazer o Torcedor Oficial. Numa perspectiva pra lá de otimista, o Bahia fará 36 jogos na temporada em Pituaçu. Com um cálculo simples, se chegar à final do Baiano e da Copa do Brasil, o torcedor pagará R$ 21,67 por cada ingresso pelo passaporte de arquibancada. Nesse cômputo, fica bem em conta, o que comprova a teoria da finalidade de a associação ao Plano. No entanto, esse valor de R$21,67 pode aumentar, a depender de uma zebra no regional ou se o clube mantiver o histórico recente de eliminações precoces na Copa do Brasil. É só dividir os R$ 780 do pacote mais barato pelo número de jogos. Vai afastar o povão – a base da torcida - do estádio, mas poderá arrecadar mais em caso de sucesso da equipe. Será que vale a pena? Acredito que se possa buscar um meio termo.
Para finalizar falo sobre o empréstimo do meia Vander ao Flamengo. Tenho os prós e os contras para o negócio. Quem, como eu, acompanha o dia a dia no Fazendão, percebe a mudança radical de comportamento do garoto. De tímido e dedicado, passou a ser absurdamente marrento e preguiçoso. Treinou muitas vezes numa “inhaca” miserável, chegou atrasado a treinamento e anda no carrão zero com o som nas alturas. Sem falar, que as últimas atuações foram fracas e individualistas. Acredito que é apenas uma questão de imaturidade, más companhias e excesso de tapinhas nas costas. Por isso acho interessante que o promissor jogador viva novos ares para crescer pessoalmente e profissionalmente. Questiono apenas mais duas coisas. A fama do rubro-negro carioca de levar os atletas para o “mau caminho” é grande. Além disso, com contrato até o final de 2012 com o Bahia, seria fundamental sua ampliação para aumentar o poder de barganha pelos direitos federativos ou até para repatriar Vander ao final do empréstimo com o Flamengo. Isso precisa ser revisto, para não restar apenas um ano de contrato com Vander valorizado. Potencial para isso ele tem.
