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Coluna

GURIZADA REUNIDA

A política escolhida pelo departamento de futebol do Bahia por contratar, basicamente, jogadores jovens é de alto risco. Jogar na divisão de base e no profissional é bem diferente. Existem milhões de casos de garotos que arrebentavam até a Sub-20, mas, no meio dos “homens”, não chegaram nem no chulé da expectativa que criaram em torno do potencial. Lembro do Alberoni. Um monstro no Sub-17 e uma criança entre os mais velhos. O grande Evaristo de Macedo costumava dizer que, “menino tem de jogar com menino”. Não sou tão radical como o mestre, mas dá para colocar, em algumas posições, caras mais rodados.

 

Antes de discorrer mais sobre o tema, queria deixar bem claro que não sou apegado ao lema de Evaristo: muito pelo contrário. Acho que a divisão de base é a chave para o crescimento de um clube. O Vitória na década de 1990 e o Internacional nos últimos anos provam isso. Sem falar no Barcelona que, tecnicamente, é o melhor time do mundo e tem, nada menos, oito titulares formados em casa em períodos diferentes. Apenas Daniel Alves, Abidal e David Villa vieram de fora. Custo baixo, aliado a retorno financeiro e técnico inigualáveis. O meu questionamento é em cima exclusivamente do potencial e da cabeça desses jovens trazidos pelo Bahia. É uma incógnita, mas estou confiante.

 

Tecnicamente são ótimos jogadores, principalmente Boquita e Magno. Rafael Jataí é o único que não conheço: apenas ouvi falar e, por isso, não tenho como analisar. Pelo perfil que me foi passado, superficialmente, acredito também que eles tenham cabeça para segurar o tranco. A minha preocupação é onde acredito que a equipe tem mais qualidade, que é no meio de campo. Vander, Maurício (esses dois jogam muito, mas não confio neles. A máscara é grande demais), Ananias e Maranhão, além do já citado Magno, uns mais que os outros, têm potencial para serem titulares do Bahia. O problema é que todos eles, cada um com seu estilo, têm a mesma característica. O ideal seria trazer um cara experiente para ser o “dono do time”. Um jogador no estilo Marquinhos do Santos. Com muita lenha para queimar, mas com autoridade para receber, como se diz na gíria, “a dez e a faixa de capitão” para comandar o guri ao lado.

 

Contudo, o nome que surge é de Zezinho, do Santos, de 18 anos. Mais um garoto com muito potencial, que promete ter uma carreira bem interessante. Contudo, na hora do vamos ver, será que seguram a pressão? O mais experiente é Ananias – Magno é o mais velho, mas sem a mesma vivência -, que tem apenas 21 anos, mas está acostumado com o sufoco da torcida desde a Série C de 2007. Ainda tem Boquita que, acredito, deve ser titular como terceiro homem, como já foi utilizado por Rogério Lourenço na Sub-20. Preferia como segundo volante. O presidente ainda promete trazer caras experientes. Que não seja Júnior Nagata, que me parece um ex-jogador em atividade. O Bahia precisa de um meia que aguente jogar a temporada toda. Tem de ter experiência e acréscimo técnico e físico. Não pode chegar um cara como Ramon Menezes foi para o Vitória, em 2010. O resultado todo mundo viu. Ah, já ia esquecendo. Confirmado Zezinho, serão seis meias. Chegando outro experiente, quando Maranhão e Maurício vão jogar? Não seria melhor investir nos garotos do Fazendão? Tema para outra coluna, assim que as contratações sejam finalizadas.

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