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Coluna

FALSA VISÃO

O problema do Bahia não é trocar de treinador, logo agora que ele dá chances a um dos seus mais aplicados profissionais da base, Chiquinho de Assis. O grande entrave é estrutural, porque o Bahia sempre avaliou suas potencialidades pelo tamanho da paixão e pela quantidade de torcedores que tem. E porque em tempos passados conquistou dois títulos nacionais, merecidos no campo e com méritos para serem comemorados sempre.

 

Ocorre, porém, que a estrutura do clube foi ficando mirrada a ponto de se desmoronar perante o mercado do próprio futebol. Não criou fontes alternativas de receita, nada fez para solidificar a grandeza de sua história.

 

Não se pode também dizer que toda culpa é do presidente Marcelo Guimarães Filho nem de sua diretoria, mas de uma falsa visão que se foi acumulando faz décadas. Que o Bahia tudo pode e tudo faz quando bem quer e entende – como sempre disse equivocadamente o velho e astuto presidente Osório Villas Boas.

 

O Bahia subiu de divisão em um dos momentos mais asfixiantes de sua vida financeira: sem crédito, dividas por todos os lados – e o que é pior, muitas delas contabilizadas no livro do esquecimento. E isso gera má fama, dificuldades de ação, aniquilamento de qualquer projeto de sobrevida.

 

Por isso mesmo, com o prestígio de seu gestor de futebol, Paulo Angione, foi a campo contratar em profusão reservas do Corinthians e do Vasco, dando a enganadora idéia aos seus torcedores de que estava se preparando para as difíceis batalhas da temporada. E nem bem iniciou a menos difícil de todas, o campeonato baiano, cumpre a pior campanha dos últimos sessenta anos – sete jogos, duas vitórias, um empate, quatro derrotas, quinto lugar de um grupo de seis times!

 

Pior de tudo é que o arquirrival Vitória, de atitudes mais modestas, recém rebaixado para a segunda divisão, parece estar sacodindo a poeira e dando a volta por cima, contratando sem tanta pompa, mas com melhor serventia.

 

Os reforços tricolores não satisfazem, a torcida se impacienta, cada jogo tem sido uma agonia e uma grande decepção. Mandaram o primeiro técnico embora, os que foram convidados não aceitaram pelo medo da aposta e o jeito foi confiar em profissional caseiro, mas já se começa a enxergar que, dos quase 20 novos contratados, só quatro ou cinco poderão vingar.

 

Só  há uma solução: não perder o senso crítico, corrigir os desníveis, refazer um grupo com menos açodamento, inclusive com o aproveitamento dos jovens da base. Do contrário, os erros poderão levar o clube a uma depressão sem limites.

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