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Coluna

UM GOLZINHO SÓ

Ainda neste último sábado (18), enquanto conversava com uns amigos em um barzinho, bem ao lado, em outra mesa, dois rubro-negros discutiam sobre o rebaixamento do Vitória para a segunda divisão. Um dizia que foi incompetência dos dirigentes, o outro mostrava que foi obra da fatalidade.
 

Pus-me a pensar sobre os dois aspectos: incompetência é o mesmo que ausência de conhecimentos, inabilidade de gerenciamento, ignorância sobre o que se faz e o que se quer; fatalidade é uma espécie de destino inevitável, consequência inarredável e desastrosa de algum acontecimento, coincidência deplorável, acaso infeliz, desgraça.

Na verdade, os dois tinham suas razões: mas o que defendia a fatalidade me parecia mais aprumado em seu conceito. Mostrava até que, há dois anos, o arquirrival Bahia reclamava da fatalidade, lembrando que, nos dois últimos títulos perdidos para o Vitória, sairam matérias no site oficial do Tricolor, nos jornais, rádios, tevês e nos portais eletrônicos que se dizem independentes, sob a ótica de que faltou apenas um gol para a taça ter outro endereço.
 
O outro não arredava o pé de que faltou coragem para se fazer melhores contratações e visão para não se colocar times mistos em alguns jogos onde a perda de pontos foi fundamental.
 
O que argumentava a favor da fatalidade, explicou que nesta temporada, o Vitória foi muito bem no Estadual (tetra-campeão), no Nordestão (também tetra), na Copá do Brasil (segundo melhor entre 64 times, chegando à final e também só perdendo para o Santos, por um gol), já havia chegado entre os quatro do Brasileiro Sub-20, com Vasco, Palmeiras e Cruzeiro, e que, então, não foi incompetência, mas fatalidade, faltando apenas um, um único golzinho para permanecer na primeira divisão.
 
E até lembrou o gol mal anulado de Júnior e o pênalti não marcado em Adailton, contra o Corinthians, “que bem poderiam ter representado a classificação”. E o de bicicleta de Júnior, contra o Atlético/GO, que o árbitro não validou, registrando uma falta de outro atacante.
De repente, entre um gole e outro, os dois rubro-negros entraram em acordo e, em coro, deixaram escapar em forma de lamento: “um golzinho, às vezes. faz muita falta!”...

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