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Coluna

ROGÉRIO LOURENÇO

Quando soube que o nome de Rogério Lourenço era um dos mais fortes para dirigir o Bahia no ano do retorno a Série A, confesso: a desconfiança foi imediata! Não que ele seja um completo desconhecido para mim. Lembro muito bem do estilo clássico e da venenosa canhota em cobranças de falta, apesar de ter sido um razoável zagueiro. O problema é que, com 39 anos e apenas uma rápida e frustrante passagem pelo Flamengo como interino – chegou a ser efetivado, mas não resistiu à pressão por resultados -, é difícil imaginar que esteja preparado para encarar o desafio. Trabalhar no Fazendão, com toda cobrança e exigência por resultados imediatos não é fácil. Longe disso. Contudo, é preciso tentar entender a aposta.


Uma coisa tem de ser levada em conta. Por onde passou Rogério sempre foi o capitão. Não lembro nenhum problema extra-campo criado por ele. Na rápida pesquisa também não encontrei nada. Parece ser um cara sério e dedicado. Ainda não tive oportunidade de conversar com ele – liguei 23 vezes e ele não atendeu – e não posso tecer, pelo menos por enquanto, uma visão mais aprofundada. Lembro de seu comando na Seleção Sub-20. Era um time com dois meias, Giuliano e o ainda tímido Paulo Henrique Ganso, com dois atacantes vascaínos: Alex Teixeira e Alan Kardec. Os volantes marcavam e atacavam, enquanto os laterais também eram ofensivos. Ganhou bem o Sul-Americano, mas perdeu a final do Mundial nos pênaltis para Gana. Saldo não deixa de ser positivo.


Até ai tudo bem: se mostrava promissor. Contudo, conversando com amigos flamenguistas fiquei assustado. Adjetivos redundantes como “teimoso”, “covarde”, “maluco”, “cabeçudo” e o mais tradicional de todos, “burro”, permearam as respostas. A pesquisa que fiz com colegas da imprensa, ratificou a opinião dos torcedores. Substituições equivocadas, insistência em jogadores de qualidade duvidosa e falta de experiência para agüentar a pressão no rubro-negro carioca foram alguns dos motivos citados. Como grande mérito, a eliminação do super favorito Corinthians na Libertadores. No caso de sua passagem pelo Urubu, não dá para basear seu trabalho apenas em números.


Lourenço pegou um time em transição e em meio a várias crises fora das quatro linhas. Quem não se lembra dos casos policiais de Adriano e Vágner Love, que depois saíram do clube deixando o ataque para lá de carente, e o principal: a prisão do goleiro Bruno, acusado de homicídio? Sem falar na falta de estrutura de trabalho, com salários atrasados, torcedores e conselheiros se metendo em tudo. Foi, por exemplo, obrigado a escalar Val Baiano com 200 quilos, pela falta de opções. Até o eterno ídolo Zico foi engolido pelo caldeirão flamenguista.  Por essas e pelo trabalho no Sub-20, que vou esperar para dizer se foi realmente uma aposta certa ou errada. O que me faz valorizar essa aposta é pela fuga do mais do mesmo. Os nomes disponíveis no mercado – o Bahia não tem dinheiro pra tirar treinador de nome de lugar nenhum e todos estão empregados – não me agradam. Talvez um fato novo seja melhor do que um macaco velho. No final, pela novidade, gostei da contratação. Resta esperar...

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